O autor de “Feliz Ano Velho” lançou no final de novembro seu sexto romance, “A segunda vez que te conheci” (Objetiva, 196 págs., R$ 29,90), no qual narra o reencontro, depois de anos de separação, do jornalista Raul com a filósofa Ariela. Entre o abandono e o reencontro, Raul casou e separou de Fabi, melhor amiga de Ariela, perdeu o emprego na importante revista em que trabalhava (substituído por um talento mais jovem) e enveredou pelo ramo do agenciamento de garotas de programa.

Quase um roteiro de cinema pronto (ou uma peça de teatro), tal o predomínio dos diálogos, rápidos e bem construídos, “A segunda vez que te conheci” é também um retrato, ainda que inacabado, de um certo ambiente jornalístico que o autor conhece bem. Aos 49 anos, Marcelo Rubens Paiva freqüenta redações desde a década de 80 e deixa escapar no novo romance algumas reflexões, pouco edificantes, sobre este mundo. Reproduzo abaixo, o texto que ilustra o quadro “A Maldição do Jornalista”, que Fabi encontra preso na geladeira de Raul:

1. Não terá vida pessoal, familiar ou sentimental.
2. Não verá o filho crescer.
3. Não terá feriado, fins de semana ou outro tipo de folga.
4. Terá gastrite, se tiver sorte. Se for como os demais, terá úlcera.
5. A pressa será o único amigo, e as refeições principais serão sanduíches, pizzas e pães de queijo.
6. Os cabelos ficarão brancos antes do tempo. Se sobrarem cabelos.
7. Sua sanidade mental será posta em xeque antes que complete cinco anos de trabalho.
8. Dormir será considerado período de folga; logo, não dormirá.
9. Trabalho será o assunto preferido, talvez o único.
10. As pessoas serão divididas em dois tipos: as que entendem de comunicação e as que não.
11. A máquina de café será a melhor colega de trabalho, porém, a cafeína não fará mais efeito.
12. Happy hours serão excelentes oportunidades de ter algum tipo de contato com outras pessoas loucas como você.
13. Sonhará com sua matéria. E não raramente mudará o titulo dela e algumas palavras enquanto dorme.
14. Exibirá olheiras como troféu de guerra.
15. E, o pior, inexplicavelmente, gostará disso tudo.

Será que Paiva exagerou? Você conhece algum jornalista assim?

Em tempo: aproveito este post para lamentar publicamente que a crônica semanal de Marcelo Rubens Paiva, aos sábados, no Estadão, agora só é publicada a cada duas semanas.

8 comentários to ““A Maldição do Jornalista”, segundo Marcelo Rubens Paiva”

  1. Bianca disse:

    já imprimi pra botar na geladeira tb… rs

  2. gabriel disse:

    é o meu pai é exatamente assim não vive não tem folga e etc…

  3. zéparaíba disse:

    ô xente icho é vida??
    lá na Paraíba num tem dicho não!!!

  4. caio tequila disse:

    Sera que vou sofrer disso ?
    Mas mesmo assim sofro feliz! :)

  5. gilberto jesus ferraz disse:

    Somente os honestos, com a informação, é claro.

  6. Rosana disse:

    Hahahaa, e não foi que ontem mesmo minha gastrite atacou! É tudo isso, só faltou completar que odiarás seus semelhantes como eles a ti!

  7. Lidiane César disse:

    Mais um “bla bla bla auto-comiseração de jornalista”, que coisa mais autopiedosa, acham isso tudo lindo, edificante!
    Patético!

  8. vera disse:

    Hahahahahaha, é verdade é assim mesmo,m o jornalista tem que decidir a carreira ou familia…. é triste.

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