“Gomorra”, de Matteo Garrone, um dos grandes filmes de 2009, estréia nesta sexta-feira no Brasil. Escrevi no blog em outubro, quando foi exibido na Mostra de Cinema de São Paulo, comparando-o com outro filme impactante, “O Silêncio de Lorna”, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, que também está entre os melhores do ano.
Indicado ao Globo de Ouro e candidato ao Oscar, na categoria filme estrangeiro, “Gomorra” é uma adaptação do livro de Roberto Saviano, jovem escritor, de 29 anos, ameaçado de morte pela Camorra, a máfia de Nápoles, desde que a obra foi publicada. Segundo Saviano, a Camorra movimenta 150 milhões de euros por ano e é responsável por cerca de 10 mil mortes anuais. Em entrevista a Rodrigo Fonseca, na edição desta sexta-feira de “O Globo”, o escritor e co-roteirista compara os dois produtos (livro e filme):
“Ambos são marcados pela ausência de juízos morais e pelo desejo de catapultar nosso leitor ou espectador para o centro de um turbilhão de eventos que eles não gostariam de testemunhar. Uma morbidez sã cerca ‘Gomorra’ em seu desejo de expor aquilo que, de cara, qualquer um repudia.”

Excelente filme. Seco e bruto, como a violência deve ser. Deveria ser mais divulgado, só que filmes crus e cruéis, mas sem glamour e heróis, não costumam agradar a mídia tupiniquim.
Faz tempo que não assistia uma película que me impressiona-se tanto. Talvez Onde Os Fracos Não Tem Vez , Sangue Negro, Syriana, Babel, Crash e Tropa de Elite se pareçam um pouco com Gomorra, porém sem o impacto que ele causa, tanto estético quanto cultural.
A Itália nunca mais será a mesma após este filme, ela foi desnudada, desmascarada.
Um soco no estômago.