Apenas três ou quatro pessoas no mundo sofrem deste estranho e cruel transtorno da memória, a hipermnésia. Segundo o neurobiologista James L. McGaugh, que estudou o fenômeno, trata-se de uma síndrome que leva as pessoas a terem uma memória perfeita, ou seja, guardam involuntariamente todos os detalhes da sua vida. Nada se apaga, nada se esquece. Um tormento. Por sorte, as possibilidades de sofrer desta síndrome são irrisórias.
O problema, escreve a publicitária e romancista Emma Riverola, no diário “El País”, é que hoje em dia estamos sujeitos a ser lembrados involuntariamente de passagens de nossas vidas que estavam completamente esquecidas, e que não queríamos mais recordar, em ambientes compartilhados por milhões de pessoas.
A rede social é o local exemplar, na avaliação da autora, deste fenômeno. Este ataque repentino de memória ocorre, normalmente, pela mão de alguém tão inocente quanto um antigo colega de escola, a namorada da infância ou o colega do acampamento de 1981 que nos localizou no Facebook. Escreve Riverola:
“A vida é evolução. Todos nós temos o direito de mudar, de nos contradizer, de fazer quantas viagens ideológicas quisermos e de defender, em qualquer momento, o nosso modo de pensar e agir. A diferença é que essa evolução, até agora, era um périplo interior. Um trajeto que, às vezes, compartilhávamos com outras pessoas. Companheiros de aventuras que o acaso da travessia obrigava a nos separar em diferentes estações, em função do destino escolhido por cada um. Agora, Facebook, Twitter, Tuenti e outras redes sociais estão convertendo este desenvolvimento pessoal em um cruzeiro de massas”.
A íntegra do artigo de Emma Riverola, em espanhol, pode ser lida aqui . Ela não é contra as redes sociais, mas lembra que “a solidão também é uma fonte de riqueza em nossas vidas. Rende uma boa discussão, acredito.

[...] This post was mentioned on Twitter by Lanna Morais and Jéssica. Jéssica said: RT @mauriciostycer: A hipermnésia e o Facebook. As redes sociais trazem de volta memórias apagadas. http://migre.me/8wKv [...]
Sem dúvidas que a solidão traz boas coisas para a vida.
Antes só do que mal acompanhado
A solidão está para alguns seres humanos o que o desfragmentador de disco está para um sistema operacional.
É muito bom ser um simples anônimo na multidão.
cara….essas tais redes sociais….não tão com nada…..por isso me recuso a me expor nessa babaquice humana……prefiro meus amigos de verdade que estão comigo….ate hj……a ficar lembrando de coisas que eu fiz no passado…….omundo ta ficando uma bosta mesmo.
Eu deletei minhas redes sociais, apenas por respeito ao meu momento de interiorização. A solidão sim, em alguns momentos da vida, é necessária para nossa evolução.
Adorei o artigo.
Me sinto feliz por ter passado a adolescencia e o início de juventude longe da internet. Só assim tive o direito de errar, ousar, abusar, realizar sem medo da super exposição!
Eu não acho essas redes sociais ruins, trata-se do uso que se faz delas. Algumas pessoas não tem limites pessoais e desrespeitam os dos outros também. Farão isso usando esse recurso ou gritando na rua quando nos vêem. Reencontrei amigos distantes, que possivelmente não mais os verei pessoalmente. Se eu souber fazer uso é muito útil.
Concordo. Essas redes sociais são uma chatice, cheias de superficialidades e futilidades. As pessoas estão esquecendo de viver a realidade, mergulhando numa verdadeira Matrix de ilusões, memórias distorcidas e lembranças, opiniões superficiais e estados momentâneos, sensações mentirosas, falsidade e interesse.
Sempre achei isso mesmo. Por que eu ia querer rever um fato ou alguém que retirei de minha vida há 20 ou 30 anos? Queria mesmo era um facebook ao contrário, para me livrar de algumas malas que ainda me acompanham, e insistem em me chamar de amigo.
De vez em quando é bom olhar para o proprio umbigo e dizer:
“- Hello Eu mesmo ! Como vai voce(eu) ? O que tem feito de bom com a sua vida ??”,
O problema não é das redes e sim da sociedade atual que como está rasa em termos de auto conhecimento e mundo interior, vê na rede uma rota de fuga dos relacionamentos reais, preferindo a superficialidade ilusória da virtualidade…Aliás, que é que estamos mesmo fazendo aqui neste ciber espaço, heim??? bejos pra todos – bela matéria Maurício!!!
Quem vive de passado . . . É M U S E U . . . . .
A saída p/ isso é fazer como um ex-presidente da republica brasileira, com aquele bico comprido disse: – Esqueçam tudo aquilo que eu já disse antes…
Mas o povo não se esquecerá de que foi xingado pelo mesmo de ‘neobobos, caipiras e vagabundos’…
Eu nao gosto que as pessoas fiquem me acompanhando como se eu fosse novela das oito. Nestas redes, podemos ver quem casou, quem evoluiu na vida, ficou rico, ou quem mudou de carreira. Eu nao quero estar sendo observada. Como disseram acima: amo ser anonima, e amei nao ter cameras em celulares nos 20 anos, vc esta la se divertindo e no dia seguinte aparece video seu nem youtube, como se fosse celebridade precisando se preocupar com paparazzi. Sai fora, nao sou a Adriane Galiste, nem tenho o dinheiro dela. Leave me alone..rs
Para muitos, SER LEMBRADO é o mais importante, as redes sociais, então, contribuindo enormemente para satisfazer a esse prazer… Mas isso é só mais uma faceta humana.
OTIMO
Tem como escapar de recordações indesejáveis na rede social. Eu mesma já criei e deletei meu perfil várias vezes porque aparece pessoas que nem conhece querendo se aproximar. .Por fim decidi ter uma apenas para os amigos reais e parentes mais próximos.
Para não ser encontrada por quem não quero uso um nome falso.
A interiorização traz mesmo oportunidade de auto conhecimento e crescimento.Compactuo da idéia do artigo…prefiro que só as pessoas que eu queira, tomem conhecimento de meus caminhos.
A matéria é ótima , abre uma discução legal, acho linda e legal a solidão, mas tenho muitos momentos e saudade de pessoas e acontecimentos que marcaram o lado bom de minha infância , adolescencia, juventude etc, encontrei gente que sempre gostei e estavam desaparecidas, isso foi muito bom, para os fatos que não foram muito bons ou mesmo os fatos ruins eu não adicionei quem por ventura tentou, então isso significa que estou no controle, ótimo parabéns
Bom texto, Maurício… De vez em quando me pego pensando sobre o paradoxo que vivemos: se nos momentos de autoritarismo político, a “amnésia” e o “esquecimento” são quase imposições, nos tempos de orkut o direito ao esquecimento é quase negado. Não pela força repressiva, mas pela maneira de nos relacionarmos.
O passado nostálgico está sempre ali, na tela do computador… e de certa forma impedindo de nos recriarmos e construirmos outros enredos para a vida…
Bastante interessante este teu post e me toca pessoalmente, pois através de uma destas redes pude reencontrar com pessoas do meu passado e resolver algumas situações. Algumas desconfortáveis, para mim ou para o outro, algumas que ficaram suspensas e fico feliz por tê-las resolvido. Mas a memória não é linear e é a todo momento permeada pela reconstrução através de fantasias ou de acontecimentos posteriores que ressignificam fatos da vida. O efeito de fatos ou de fantasias é o mesmo no psiquismo. E foi assim que ouvi de um amigo de infância, depois de 21 anos sem nos vermos: “Eu nunca esqueci aquele beijo que você me deu”. O detalhe é que a gente nunca tinha se beijado…
Este comentário está entre um dos melhores bem resumido e de fácil entendimento.
Não chego a ter hipermnésia mas lembro de tudo da minha vida até da primeira impressão ao nascer. Quando confrontados com algumas das minhas memórias, meus familiares, desde muito cedo, se assustam.
Não sou nem nunca fui uma pessoa solitária.
Apenas lembro de tudo com detalhes. De cheiro, cor, sons, incluindo a maioria das palavras proferidas no dia.
O que estamos fazendo? Tentando criar oportunidades de interações reais, ora bolas. Vai que você me liga…
Talvez seja bom tb esquecer coisas que um certo e atual presidente diz…