Em busca de um olhar mais crítico sobre “Quem Quer Ser um Milionário?”, a geógrafa Renata Neder acabou parando aqui no blog – imagino que graças a um texto que escrevi recentemente, falando mal do filme, o grande vencedor do Oscar 2009. O comentário de Renata é bem mais profundo e bem escrito que o meu breve texto, motivo pelo qual resolvi reproduzi-lo abaixo. Eis o que ela escreveu:
Fui assistir “Quem Quer Ser um Milionário?” ontem e saí do cinema pasma… O filme é sofrível. Um duplo desrespeito: à Índia e ao espectador, que ele visivelmente subestima. Não ligo nem um pouco para as premiações do Oscar e nem acho que isso é parâmetro para a qualidade de um filme, mas ver um filme desses ser premiado e aclamado pelo público é mesmo lamentável.
O filme consegue tocar as grandes questões problemáticas da tão complexa sociedade indiana de maneira caricata e estereotipada. O filme é simplista ao extremo. O filme retrata a pobreza, exploração infantil, violência contra a mulher, conflitos entre hindus e muçulmanos, dentre outras coisas, de maneira tão rasteira que chega a ser uma ofensa.
Uma das pérolas é a frase de Jamal sobre a morte da mãe em um conflito de cunho religioso (aliás também retratado de maneira inacreditavelmente estúpida…): “Se não existisse Rama e nem Alá, a minha mãe ainda estaria aqui”. Não sou uma grande conhecedora da história indiana, mas estava trabalhando com um grupo muçulmano paquistanês na Índia quando ocorreram os atentados em Mumbai (em novembro de 2008) e tive a oportunidade de ver de perto o quão mais complexa é essa questão do que nossos olhos ocidentais podem supor…
O pior de tudo é que o filme pretende ser um filme sério, sensível. Quer emocionar a platéia. E a platéia se deixa envolver por um filme tecnicamente muito bom, fotografia linda, trilha sonora perfeita e, acima de tudo, pelo suposto retrato da realidade de um lugar exótico para eles, e se emociona. Além da superficialidade, do maniqueísmo, das simplificações e das estereotipias, o que sobra ali? Nada…
Parte da platéia chegou a aplaudir na sessão de cinema… Chego a me perguntar o que está havendo com as pessoas. Que platéia é essa que aplaude um filme desses? Eu disse antes que o filme subestimava os espectadores, mas o pior é pensar que eu ingenuamente superestimei os espectadores de hoje em dia.
E já que estamos falando em Índia, por que não falar do show de absurdos em doses diárias que é “Caminho das Índias”?
Sabe o que me lembrei agora? Do grande alvoroço que um episódio dos
“Simpsons” provocou pelo Brasil que retratou. E olha que era apenas um episódio dos “Simpsons” – que, vale dizer, tem uma proposta bem diferente tanto do filme quanto da novela. Aposto que as mesmas pessoas que criticaram o Brasil dos “Simpsons” são as que hoje aplaudem “Slumdog Millionaire”.
Os bons jornalistas e formadores de opinião devem ser os primeiros a ficar em alerta com essa falta de massa crítica e estupidificação dos espectadores. É claro que, nesse quesito, haveria muitos outros grandes exemplos para dar (inclusive o programa que você hoje assiste diariamente para fazer a crônica no site), mas esse filme não dá pra deixar passar em branco. E a novela também não.
Enviei um e-mail a Renata pedindo autorização para publicar o texto acima e solicitando que ela explicasse melhor o que foi fazer na Índia. Fiquei curioso e imaginei que os leitores do blog poderiam também se interessar. O que começou como uma discussão sobre cinema acabou se transformando numa aula sobre Índia, Paquistão e a relação entre habitantes destes dois países rivais. Compartilho com os leitores o segundo texto enviado por Renata:
Trabalho em uma ONG internacional da área de direitos humanos na equipe de Direito à Alimentação. Trabalhamos com alguns projetos de desenvolvimento rural, um deles é um projeto de troca de experiências entre agricultores. O objetivo desse projeto é disseminar tecnologias sociais (práticas e técnicas agrícolas desenvolvidas pelos próprios agricultores) de baixo custo.
Fazemos um diagnóstico dos problemas enfrentados por agricultores em uma determinada área e levamos agricultores de outra área, ou país, que tenham desenvolvido práticas que ajudem a enfrentar problemas semelhantes. Por exemplo, levamos agricultores do semi árido brasileiro que desenvolveram excelentes técnicas de captação de água e manejo para uma região de seca em Moçambique. O processo em si é muito interessante, chamamos de aprendizagem horizontal: ao invés de você levar um agrônomo, você leva agricultores para trocarem experiências com agricultores.
Desculpa a looonga explicação, mas isso era para explicar o que eu fazia na Índia… Estávamos levando agricultores paquistaneses para o campo em Vidharva (perto de Nagpur, a maior cidade do estado de Maharashtra depois de Mumbai). Vidharva é uma região de alto índice de suicídio de agricultores que se endividaram ao plantar algodão transgênico. Os agricultores no Paquistão usam algodão não-transgênico e por isso fizemos essa troca de experiências.
Infelizmente, estávamos saindo de Delhi para Nagpur quando os atentados aconteceram e não fomos autorizados pela polícia em Nagpur sequer a deixar o hotel, muito menos fazer o trabalho de campo. Você certamente está familiarizado com a delicadeza da questão entre Paquistão e Índia, e pode imaginar a situação complicada que é estar com sete paquistaneses muçulmanos na Índia quando um atentado daqueles ocorreu. O Estado de Maharashtra estava em alerta vermelho máximo e diante disso tudo ficou muito complicado.
Fomos todos interrogados pela polícia e infelizmente não fomos autorizados a fazer o trabalho de campo como planejado. Isso é uma longa história, mas é interessante dizer uma coisa. A primeira vista pode parecer loucura uma troca de experiências entre paquistaneses e indianos, certo? A primeira vez que me propuseram isso no trabalho, com minha ainda limitada visão, apesar de minhas andanças pelo mundo, eu pensei: “O que haveria para trocar? Afinal, eles não se odeiam?”
E foi incrível ter a experiência de estar durante todo aquele tempo com os paquistaneses por Delhi e Nagpur. Porque existe uma identidade muito maior, ou, se não maior, pelo menos diferente, dessa dada pelo estado nacional. Um agricultor da região de Punjab no Paquistão se identifica diretamente com um punjabi indiano: falam o mesmo dialeto, conhecem a mesma territorialidade, cantam as mesmas músicas.
Quando vi os agricultores indianos e paquistaneses sentados juntos conversando sobre plantio de algodão, acesso a mercado, rentabilidade, adubo… percebi que apesar dos maniqueísmos hindu x muçulmano, indiano x paquistanês, várias trocas são possíveis porque afinal o ser humano é muito mais do que qualquer dessas dicotomias. Percebi mesmo que a gente de longe olha para aquele mundo aparentemente exótico (no sentido de que nos é desconhecido) e simplifica questões muito mais complexas para que elas se encaixem no que conseguimos compreender.
Bom, Maurício, acho que já te aluguei demais né? Só queria contextualizar um pouco a ida à India e o meu trabalho.
Obrigado, Renata, pelas informações e pela oportunidade de dividir essa sua “lição” humanista com outros leitores – algo que a internet, de fato, facilita muito.

Concordo com vc, Lydia. “Benjamin Button” foi insjustiçado. Como o Cavaleiro das Trevas também por não ter sido indicado a melhor filme…
Não sou critico de cinema e tambem nao conheço a realidade de Índia (como a maioria dos que assistiram ao filme). Por isso não me sinto culpado nem culpo aqueles que gostaram a ponto de aplaudirem de pé.
A falta de informação que temos hoje a respeito de diversas culturas e que estas culturas tem a respeito da nossa que nos fazem encarar de forma superficial os problemas citados (sem nos dar conta disso).
Acho que isso deve ser levado em consideracao antes de afirmar que o publico foi “superestimado” por ter admirado o filme. Como a propria autora do artigo afirmou da sua própria ignorancia inicial a respeito do trabalho: “A primeira vez que me propuseram isso no trabalho, com minha ainda limitada visão…”.
Parabens a esta que hoje nao tem mais “uma visao limitada”, porem isto não lhe confere o direito de criticar as massas que aplaudiram o filme.
A Ursula concorda com qual Maurício ?
Sou da seguinte opinião… Se todas as pessoas que fossem ao cinema, levassem a ferro e fogo, o assunto pautado no filme, seria uma loucura total… Só nos filmes “Paixão de Cristo” e “Código DaVinci” existe uma complexidade total… Jesus era herói de todo um povo, ou passou de uma farsa da igreja? Se formos levar na íntegra os dois filmes… Nossa cabeça iria pirar…
Deixem de querer ser intelectual demais e curtam a vida. Quero saber do meu Brasil e não o que a Índia faz. Já temos pobreza demais. Não temos Rama e nem Allá, mas temos Roubo e Lama demais.
Ao invés de escreverem o que pensam, pratiquem em algum orfanato ou asilo. Serão mais úteis.
Quando visto como entretenimento e não documentário o filme é razoável. Diante do debate gerado, vou reve-lo. Deve ser melhor do que avaliei.
Realmente, muito interessante a crítica, que pode ser estendida não apenas às produções cinematográficas, mas também a outros produtos da mídia que acabam por reforçar estereótipos e alienar a massa de espectadores… Quanto à premiação, nem precisamos comentar, já que o Oscar, pelo que sabemos, não é sinônimo de qualidade… Os produtores, obviamente não estão interessados nos problemas sociais da Índia, assim como muitos outros que visam somente vender seus produtos (e convenhamos que a pobreza alheia e a tragédia têm apresentado boa lucratividade para a mídia, inclusive no Brasil)… O engraçado é que tanto lá no Oriente quanto aqui, ver a pobreza sendo “premiada” é visto como algo positivo… Pouco se comenta, por exemplo, o quão lamentável é esse “sucesso”, que acaba por “coroar” as mazelas da sociedade, é um show lamentável…
Quem quer ser um milionário? é um filme brilhante.
Claro que alguns não têm a bagagem cultural ou a sensibilidade (neste caso, sensibilidade estética principalmente, porque a fotografia sozinha já vale vários ingressos de cinema) para apreciá-lo como merece.
Mas o caso da Renata e do colunista é de uma inocência que dá pena. Confundir um filme como este com cinema de crítica social, ou como ela diz “que pretende ser sério”, tenha paciência, é muita imbecilidade.
Também conheço a Índia. Não Mumbai, mas o norte. O filme é fiel à realidade. Claro, descontada a licença poética, coisa que parece ter incomodado tanto essa nobre ajudante dos pobres que o colunista escolheu de álibi.
Grande Filme….
Um dos melhores que assisti nos últimos anos….E, de fato, a fotografia impulsiona por demais essa sensação de contentamento….
Contentamento com o filme, e não com a miséria que ele descreve, antes que alguem venha me jogar pedra, ante qualquer trocadilho….
Sofríveis foram: Central do Brasil, O Quatrilho, e praticamente quase toda produção nacional. Mas estes não recebem críticas contundentes. Walter Salles produziu mais lixo, como Água Negra , e geralmente é ovacionado como diretor. Eu queria ver este esforço de crítica nas produções nacionais. Os comentários de Renata e Maurício são mais pernósticos do que qualificados.
Fiquei curioso de ver o filme. E acho que há pontos positivos tanto nos que defendem o direito do filme ser ‘apenas’ um entretenimento como na cobrança para que se mostre um pouco mais da realidade complexa de sociedades distantes de nós, mas que, por seu peso econômico hoje, influenciam os caminhos do mundo. Mas o inusitado debate daqui mostra que indiretamente o filme atinge esse objetivo, por levantar essa discussão e fazer com que mais pessoas se perguntem sobre o que é a Índia, afinal – a Internet está aí mesmo para ajudar a tirar as dúvidas. E se o filme conseguiu entreter, melhor ainda.
Mas é lamentável – embora previsível – que haja tantas posturas arrogantes de parte à parte. Pois isso mostra também que muitos não aprenderão com o que podem ler aqui, por não terem ouvidos para ouvir e olhos para ver. De qualquer modo, agradeço a todos pelo entretenimento que tive ao ler os comentários e pelo aprofundamento do meu próprio conhecimento sobre a Índia.
Ah, não posso deixar de defender a produção cinematográfica nacional, que tem filmes bons e ruins, como em qualquer lugar. Recomendo assistir ‘Abril Despedaçado’ (Walter Salles) e depois pesquisar um pouco sobre as complexas relações socio-econômicas do Nordeste do início do século XX. Não, o filme não é chato. Mas é dramático e ‘simplista’, no sentido de que não conseguiria mesmo mostrar ‘tudo’. E recomendo também o hilário – e preciso – ‘Saneamento Básico’ (Jorge Furtado); um retrato precioso sobre a realidade brasileira. É de morrer de rir – mas também faz pensar. Aluguem na locadora mais próxima.
Abraços
Concordo com o comentarista Gustavo: “O filme em questão resume-se em algumas poucas palavras: Jamal merece receber o premio porque a vida o ensinou as maiores lições e é pela maior de todas elas, o amor, que ele vence.”[2]
E realmente a função maior do cinema é entreter sem deixar de abrodar questões políticas e sociais, é claro. Concordo com a Renata quanto à superficialidade do filme, também achei q poderia ter ido mais a fundo. Enfim, o diretor preferiu emocionar o público com a fantasia da história de amor. Afinal, vamos ao cinema pra nos emocionar, né isso?
Bom, sei que após ter assistido ao filme tive a impressão de que preciso mover-me em favor de um mundo melhor. Que as coisas estão muito mais de ponta-cabeça do que eu imaginava. tenho um amigo, missionário crsitão, que faz um trabalho educacional com carentes na Índia e recebo semanalmente relatos estarrecedores. Os contrastes são gritantes, as situações religiosas extremamente conflitantes. Enquanto ficamos querendo resolver os “problemas” deles, eles estão vivendo e dizendo que são felizes, que é o vosso destino.
Enfim, sei que não dá pra mudar o mundo sozinho, mas sei que dá pra ajudar a viver melhor nele.
Se todas as vezes que um leitor puder acrescentar algo é sempre bem vindo.
Assim vale apena ler um blog.
Valeus Teacher!
ñ aplaudi o filme no cinema porem ñ teria problema nenhum em te -lo feito. O filme é excelente e como ja foi dito ,é apenas um filme e ñ documentario.Como alguem pode aplaudir um filme desses?
_da mesma forma q alguem q acha q sabe tudo pode ñ gostar……….Sao opinioes, ainda bem q são diferentes .O pior ignorante ñ é aquele q ñ sabe coisa alguma , e sim aquele q sabendo d+ ou achando q sabe d+ ñ respeita opinioes alheias e se acha o dono da verdade. Q eu saiba a maior intençao do cinema é SIM emocionar ,entreter…….. Quem quiser aprender com profundidade sobre determinado assunto a melhor opiçao sempre sera a leitura.
muito blá blá blá para um filme que tem a intenção de entreter, afinal é um filme e não um seminário sobre a Índia. se o filme saísse na midia como produção independente, sem oscar nenhum seria ovacionado por aqueles que o criticam… melhor gastar neurônio lembrando em quem votou( 98% não lembra) assim o papel de intelectual não fica tão hipocrita… Abraços a todos e lembrem-se todo mundo um dia assiste a Globo.
ta se achando essa coitada…………
alberto……….. vc ñ me conhece então de preferencia ñ me dirija a palavra ,ou a escrita……..meus atributos não lhe dizem respeito.Ñ sou eu a do contra q esta detonando um otimo filme como se o mundo estivesse errado e só eu estivesse certa. Ridicula e boboca……….
Postei um comentário anteriormente afirmando que assistiria ao filme. Promessa cumprida! Estive, ontem mesmo, com minha esposa, atento do começo ao fim.
Em primeiro lugar, fique admirado com a falta de observação, crítica e bom senso do meu não tão nobre xará blogueiro e sua escudeira onguista. A mancada de ambos foi transpor para o presente elementos que o filme deixa no passado de Jamal. A intolerância religiosa na infância, a exploração infantil e a pobreza extrema mal aparecem no tempo ‘presente’ do filme, aliás, outubro de 2005 (se me lembro bem da data impressa no cheque).
A acusação de que o filme reproduz estereótipos é semelhante às construções do jogadores de futebol criticados por este blog “Eu vou dar tudo de si” rs. A diferença é que partiu da pseudo-intelectualidade de pessoas que já há algum tempo percebo limitações críticas e lógicas. i.e. se eu não sei bem o que dizer, digo que está estereotipado e pronto… receita de bolo!
Confesso que não achei o filme tão fantástico quanto algumas pessoas, mas repudiá-lo é dar as mãos a outra forma de ignorância e preconceito. Há falhas de construção e inverossimilhanças que mereceriam críticas: Alguém realmente acha que uma criança pularia em uma fossa aberta, sairia com facilidade, não se incomodaria com o cheiro e não sentiria nem o ardor nos olhos que a decomposição do enxofre provoca???
Para encerrar meu longo comentário, não por falta de palavras, mas por falta de tempo, gostaria de relembrar a todos os intelectulóides de plantão que no final da película estava escrito, no canto esquerdo da tela, a reprodução de uma das frases de Jamal no desfecho:
“D: Está escrito”
Esse elemento metalingüístico intra e intertextual é o arremate inteligente que significa: “Isso não é realidade, é algo que foi escrito por alguém e UNICAMENTE por isso se deu desta maneira”. Como ‘está escrito’, um “cachorro imundo” deve tornar-se milionário para sublimar o desejo de milhares de depressivos em redor do mundo; por esta causa, o protagonista foi capaz de sagrar-se campeão sem ter idéia da resposta correta.
PS.: Seu blog, Xará, está entre os mais criticados; inclusive vc, entre os bloguistas mais rebatidos. Um conselho: continue acreditando que é tudo incompreensão e não mude um milímetro até a sua demissão. ; )
Obs.: Postei esse comentário ontem, mas ele saiu do ar!
Acho muito ruim se esconder atrás de um debate “entretenimento x realidade”. Entretenimento tem que ser bom sim, e se está se referindo (mesmo que apenas superficialmente) a uma realidade que existe, então tem que ser verossímel. Os filmes (ou livros, programas de TV etc) podem ter sim o único objetivo de entreter os espectadores. Ninguém aqui está defendendo que tudo seja problematizado, questionado, documentado, feito como objetivo de fazer refletir e transformar. Quem não gosta de entretenimento? Mas não é porque um filme se propõe apenas a ser entretenimento que ele pode se dar o direito de prestar o desserviço de passar informações equivocadas a respeito de um país que existe. Se vc não quer ter compromisso com a realidade, crie um país imaginário, com pessoas e conflitos imaginários. O cinema, mesmo aquele que seria apenas entretenimento (que ñão é exatamente a proposta do filme…), forma opinião e portanto deve ter compromisso com a realidade que retrata, mesmo que apenas como pano de fundo.
E não são poucas as pessoas que estão criticando o filme. Na própria India o filme está sendo muitíssimo criticado e enfrentando protestos.
Para aqueles interessados em uma boa discussão sobre o filme, e não em pequenas pirraças, recomendo a leitura da ótima crítica feita pelo Luciano Trigo no blog Máquina de Escrever
Resposta do Mauricio:
Renata, obrigado pelo novo comentário e pela sugestão de leitura.
ñ estou preocupada ‘com pequenas pirraças’ nem tao pouco boa discussao sobre o filme, assisti o filme e gostei ,ñ pretendo fazer ninguem gostar ou deixar de gostar, agora quem deu a sua cara p/ bater ao criticar contundantemente um filme ganhador de 8 oscar q foi aplaudido d pe no cinema que aguente!
esse filme é a verdadeira prova d q prego q se destaca MERECE MARTELADA
Só para apimentar um pouco as coisas – os atores do filme continuam na pobreza.
http://cinema.uol.com.br/ultnot/multi/2009/03/04/0402356AE0B97326.jhtm?mesmo-apos-o-oscar-ator-mirim-continua-na-pobreza-em-mumbai-0402356AE0B97326
NÃO ASSISTI O FILME, NÃO VOU ASSISTI-LO, VOU LER O LIVRO.
O QUE ACHAM?
Que trabalho fantástico o da Renata. Que experiências maravilhosas e principalmente, que lição de vida ela nos contou.
De que adianta ser tao sabida e entendida dos problemas mundiais se é uma pessoa incapaz de entender a proposta de um filme? Talvez se voce passasse a viver mais e a taxar menos as pessoas e idéias *nem tudo na vida pode ser classificado*, talvez voce conseguisse se encontrar com sua sensibilidade. A sua revolta com o filme é a maior prova que nao entendeu bulhufas! a proposta nao é politicar as pessoas, ensinar ou querer engajar a populaçao em ongs “salvem as focas” “salvem a africa”. de fato é o que o pessoal disse acima, é um entretenimento. mas por que um entretenimento? ele leva a uma reflexao muito mais importante que os problemas do mundo. ele resgata sentimentos e atitudes que parecem nao ter mais importancia: o amor, a amizade, a familia. é na verdade a historia de um menino que perdeu tudo na vida e que vai se reencontrando *nao pelo dinheiro* mas pelas experiencias. tanto que no fim o dinheiro nao é o que ele se importa : o premio dele foi ter vencido todos aqueles obstaculos. é um filme que nao importa se voce é pobre, rico, milionario: todo mundo se identifica com o jamal (nas devidas proporçoes). se identifica como alguem que luta sempre com esperança. o filme ia continuar com a mesma beleza mesmo se tivesse um carater politico mais real. exceto a mensagem, todo o resto num filme é um cenario, é um conjunto tecnico. é so isso que voce sabe avaliar…….
Assisti ao filme “Quem quer ser um milionário?” e sinceramente gostei muito. Não sou crítica de cinema, claro, mas minha opinião sobre o filme, sem evidentemente ter a pretensão de avaliar sua densidade, é que trata-se de uma obra que vale a pena ser vista. Mesmo que não aborde profunda ou realmente as questões mais relevantes da realidade indiana, impressionou-me ver os cenários até certo ponto nossos velhos conhecidos: favelização, pobreza, trabalho e exploração infantis, sistema de transporte caótico… A história de Jamal é envolvente pois reconhecemos pureza em sua alma, apesar de a vida o obrigar a ter que lidar com o que ela pode ter de mais cruel.
Vamos lá. Gostei do filme, mas nem de longe está entre os meus favoritos. Cidade de Deus ao meu gosto é infinitamente superior.
Duas palavras pontearam esse debate: Superficialidade e Estereótipo.
A primeira eu tolero, como boa parte afirmou, não dá pra fazer um “tratado” de antropologia sobre a Índia Moderna em um filme. Já estereótipos, a caricaturização esse eu não perdôo, porque como nordestino vejo minha região ser vitima constante, pasmem, de produções nacionais. Sim, porque pra produtores do eixo RJ-SP, nordeste é um lugar pra tomar sol na praia, seca (tudo é sertão), vive na idade média onde mulheres ainda tem filhos por parteiras e os geram debaixo de árvores, ainda se pensa que o povo anda de jegue no meio da rua , Salvador é 3 quadras do Pelourinho e por aí vai o show de estereótipos pior que os filmes de James Bond.
E nesse segundo ponto concordaria com a nobre Renata, se, a meu ver o filme me mostrasse uma Índia Estereotipada ou caricata, mesmo não tendo a bagagem de mundo e conhecendo a Índia mais de perto que 99% das pessoas desse blog, o que mesmo sendo leigo em tal assunto não me transpareceu. Sim, porque estas coisas se deixam transparecer sendo leigo ou não.
Porque quando fui assistir ao filme pensei: que horas vai aparecer elefante na rua, aqueles mercadões (filme falando de oriente tem que ter mercadão e no caso da Índia de especiarias), faquir no meio da rua e suas barbas enormes e por aí vai?
Não foi assim, pra minha agradável surpresa. Mostrou uma Índia moderna, urbana, que vive também seu momento de prosperidade econômica, onde se tem construções modernas, carros modernos, um Studio de televisão como qualquer lugar do mundo, uma empresa de Call Center como qualquer lugar do mundo. Uma Índia que tem adoração por cinema e Cricket, uma Índia também de contrastes e de muita pobreza como qualquer pais do chamado G-20.
“Ah, mas você acha isso muita coisa o suficiente pra dizer que não há esteriotipização?”. Acho sim, diante das barbaridades de como o nordeste, uma região do Brasil é visto por parte dos próprios brasileiros, achei aqui de longe que passou a imagem de uma Índia real.
Superficiais sim e aí eu não vejo problema na análise da Renata, apenas ineficácia, improcedência. Agora mesmo não conhecendo a Índia tão bem quanto ela conhece, a mim não passou uma visão caricata ou estereotipada.
*Corrigindo
…mesmo não tendo a bagagem de mundo e conhecendo a Índia mais de perto que 99% das pessoas desse blog,…
Leia-se
mesmo não tendo a bagagem de mundo e não conhecendo a Índia mais de perto como 99% das pessoas desse blog
Assisti o filme e achei a realidade retratada muito parecida com a do Brasil.
Claro que o filme é superficial, mas lembre-se que o filme é uma adaptação de um livro escrito por um indiano, com atores indianos.
É como um “Cidade de Deus” indiano, ambos sao superficiais, mas retratam o suficiente para que os estrangeiros se interessem pelo assunto e descubram a realidade por conta.
Se eu não tivesse assistido o filme, conheceria menos da India do que conheço agora, mesmo que isso nao seja quase nada.
tanta inteligencia e nenhuma sabedoria……. vc deve se perguntar como? o inteligente sabe q esta certo, ja o sabio pensa q pode estar.o inteligente conhece lugares e pessoas ,o sabio quer conhecer + e +, o inteligente sabe até o q vc sta pensando, o sabio faz brilhantes deduçoes; o inteligente gosta de falar dificil, mostrar o seu culto portugues, mas o sabio tem a preocupação de falar ao nivel de quem vai ouvir , escrever ao mesmo nivel de quem vai ler e mesmo assim conseguir manter a sua elegancia e mostrar q é sabio… mas voltando ao tema…….Ai se os produtores fossem criar um pais imaginario toda vez q o filme ñ condiz com a realidade do seu pai entao so teriamos filmes do peter pan e sua terra do nunca…………
Discordo da géografa Renata Néder, que entende bem de geografia, mas pouco de cinema.
Esse filme não é um filme político e apesar de mostrar ataques na cidade, a preocupação do diretor não foi mostrar a atual situação política da Índia, mas uma história universal que poderia começar em qualquer favela do planeta.
Ao assistir ao filme, eu só conseguia enxergar as favelas do Rio. Nossos “milionários favelados” aparecem na tela da Globo,no Sílvio Santos, no BBB. Eles não respondem a perguntas, tiram as roupas. Têm pouco senso crítico e são vítimas do destino, assim como o menino do filme. A Índia foi utilizada apenas como pano de funo e não por acaso. A geógrafa deveria saber que a cultura indiana tem um particular gosto por fazer cinema, o que deu origem à Bollywood, uma prolífica indústria de filmes feita por um povo que adora se ver nas telonas.
Sabe o que te falta? Abertura para ir além, para se permitir sentir, se emocionar e perceber o belo poético… Que pena…
A vida também ensina e um filme assim pode – para quem quer ou consegue – ser um tremendo aprendizado. Se permita ver além da realidade que você conhece – ou julga conhecer porque é construída a partir de seus próprios mapas.
Eis a minha opinião sobre o filme:
Quem quer ser um privilégiado assista o filme. Distante da beleza estética com cenários paradisíaos e romances calientes, o filme nos coloca diante do belo poético em um exercício imaginário constante, que surpreende – e encanta – a cada cena.
Jamal, Latika, Salim vão se misturando com a esperança, a injustiça, e a possibilidade de mudar o imutável numa história em que cada passagem dolorosa é transformada em ponte para o impossível – até então.
A vida de Jamil foi sua escola. A dor, sua grande professora e o amor seu agente transformador, sua mola propulsora sua coragem para tentar conseguir o que nunca ousou sonhar.
Fántástico!!!!
Vim parar aqui por procurar uma matéria sobre o gari Sorriso. Dos vários posts pelos quais passei até achar a matéria, abri esse e outro sobre o filme pois havia assistido ao mesmo no Domingo passado.
Não leio o blog nem pretendo ler futuramente.
Parabéns ao colunista por entrar em contato com a leitora e permitir relatar a sua experiência real.
Parabéns a leitora pelo seu texto e pelas informações prestadas.
O que acho que as pessoas confundem é que em momento algum o filme foi apresentado como DOCUMENTÁRIO.
Toda essa discussão me remete a filmes de James Bond, “eu não gosto pois é a maior mentirada, etc”.
Como diz o slogan, “Cinema é a maior diversão.”
E como foi dito por alguns leitores, fotografia impecável, trilha sonora adequada, uma história bem contada, etc são itens que formam um pacote para se ganhar um oscar ou não.
Para mim foi um filme com uma história bem contada, com doses bem medidas de humor, indignação, espanto e suspense (dentre outros sentimentos) que faz você querer saber o que vai acontecer. Como qualquer história bem contada que te envolve.
A proposta do filme não é levantar questões políticas, econômicas e/ou sociais e sim entreter o espectador.
Pra mim cumpriu o papel. Final previsível. Não vi os outros filmes concorrentes.
É o meu 2º comentário, pois ontem fui ver o filme no cinema.
Com mais razão agora, continuo achando que houve exagero nas críticas. Achei o filme uma ótima introdução sobre o tema ‘Índia’. O início, então, é fantástico e de tirar o fôlego – a comparação com ‘Cidade de Deus’ é mais do que válida, o qual deve ter servido de inspiração. Mas, diferentemente do filme citado, o final do filme atual decepcionou um pouco, pois esperava mais de um filme que começou tão bem, e o final… bem, o final é realmente simplista, talvez arrumado para ter o ‘happy end’ que leva ao Oscar.
Não importa. O filme é bom. Pode não ser um ‘Cidade de Deus’, um ‘Eles não usam black-tie’, mas aguça a curiosidade, mostra uma realidade complicada e violenta e com poucas saídas. Algumas delas, só por sorte.
Antes de fechar: adorei o comentário do ‘Está Escrito’ (que aparece no final do filme). Foi preciso e certeiro.
Abraços
Em tempo,
Minha esposa notou a incrível semelhança da trama da delegacia com a narrativa principal da ‘Mil e Uma Noites’: o contador de histórias transforma o ‘imperador’ (delegado) louco e devolve-lhe a sanidade através de suas histórias. Sherazade não faria melhor. E, para quem não sabe, o sultão louco que matava suas esposas para não ser traído era imperador… da Índia.
Eu ver o filme ontem achei maravilhos, eu nao entender nada de criticas e de cinemas, mas gostei do filme .ele retrata a realidade da India poderia ser de qualquer País …. mostra a pobresa e riquesas da india afinal a india nao ter somente TAH MAJAL..
eu ter varios amigos na India e Pakistan ele me dissse que ser a realidade mas mostram somente a pobresa
ele disee: :
madan: in tv they show just poor side of the country xuuuuuuuuuuuuuuuu
madan: marin drive
madan: there is marin drive beach my love
e tambem india mais que Tah mahaj… eu penso
mas graças a Allah Deus or seja ainda podemos ser livre em pensamentos …..
Boa sorte para nos todos
nossa se todos fossemos ao cinema armados ate os dentes ,metidos a criticos e levassemos tudo a ferro e fogo…. socorro…….. tem tanto filme por aí incitando a violencia,as drogas, pedofilia, e essa babaca vem fazer esse AUE pq o filme nao se deu ao luxo de informar a cultura indiana tal qual ela gostaria q fosse?tal qual ela acha que é ? fui ao cinema esperando ver um filme,se quisesse ver um documentario entao faria pesquisas na net,ou veria um jornal.As informaçoes sobre o pais nao sao de todo equivocadas, so depende dos olhos de quem vê .Minha visao sobre o Brasil COM CEREZA DEVE SER BEM DIFERENTE,daqui dom meu sossegado interior de sao paulo, comparada a uma mae que perdeu seu filho pras drogas ou pro trafico nas FAVELAS DO RIO por ex.Se é pra ser metida a pacificadora entao seria be mais valido dar a sua cara pra bater de verdade por algum ideal que valha a pena como exploraçao sexual de menores ,entre tantos outros problemas sociais q o MUNDO nao so a India enfrenta a começar pelo Brasil…RENATA….Mai uma das hipocrisias do nosso mundo.
renata, vc falou falou falou, mas não falou nada. de que adianta querer expôr opinião sem argumentar?
Intelectuais inúteis!
adoram fazer análises do tudo …
e o que, realmente, depois de tantos estudos oferecem para a sociedade?
adoram ficar de bla bla bla pelos corredores da Universidade, elaboram teses, mestrado, Doutorado …
e aí?
livros e mais livros…
e a atitude?
e a prática?
O filme é esteriotipado! sim óbvio;
Mas é uma obra de ficção, baseada em outra obra de ficção,
a Índia(como foi mencionado varias vezes) é apenas pano de fundo, o diretor poderia ter se utilizado de qualquer outra cultura, pego seus pontos negativos e apressentala de um modo caricato.
Outro ponto:
Me apresentem a Índia como um país lindo, sem conflitos, que istantaneamente eu vou pensar “eles não precisam de ajuda, vou voltar meus olhos para quem realmente prescisa”, e acho que é nesse ponto que Renata, integrante de uma ONG de Direitos humanos peca.
Viva sua vida,
Desenvolva bem seu trabalho, e por favor
Aprenda a analisar uma obra.
Ai q artigo + sofrivel. qta hipocrisia………
Nao é possivel q em meio a tantos generos d filmes persuasivos
e destrutivos alguem perca seu tempo ( que só PD star sobrando)
p fazer tamanho aue por um filme como esse alegando algo tao estupido!
RENATA, ja q vc adora se aparecer ou ñ tem o q fazer entao pq vc ñ entra na luta ao combate as drogas , a pedofilia, exploraçao sexual, trafico d mulheres ou ate lave uma louça…..
seria muito + util q bancar a do contra e “pampeirar” por algo tão futil, é só um filme……q vc ñ gostou mas muitos sim………
se fosse p/ se criar um pais imaginario como vc diz cada vez q um filme ñ fosse fiel e bla bla bla so teriamos filmes na terra do nunca com PETER PAN.
Deixe de ser mal amada e que as pessoas sejam felizes,
apaludam o q quiserem ou gostarem, afinal, nao estamos falando do filme jogos mortais nem nd parecido.
Quem ñ quer ser um milionario?
Respeito a opinião postada no blog, mas sinceramente quer verdade assista somente os canais de notícias. Acredito que a intenção do autor do filme tenha sido aquela reconhecida pela maioria…. uma história de amor, dentro de um cenário de cultura, da possibilidade de um menino pobre ganhar dinheiro, com sua experiência de vida aos 18 anos….
Se isso é possível? Bem provável que não? Aquilo é tudo da India? Certo que não.
É uma ficção, tão emocionante quanto o filme “Em busca da felicidade” (americano)…
Acho que os responsáveis pelo filme merecem aplausos simplesmente por terem a chance de colocar um filme tão diferente dos padrões americanos em destaque.