Em busca de um olhar mais crítico sobre “Quem Quer Ser um Milionário?”, a geógrafa Renata Neder acabou parando aqui no blog – imagino que graças a um texto que escrevi recentemente, falando mal do filme, o grande vencedor do Oscar 2009. O comentário de Renata é bem mais profundo e bem escrito que o meu breve texto, motivo pelo qual resolvi reproduzi-lo abaixo. Eis o que ela escreveu:
Fui assistir “Quem Quer Ser um Milionário?” ontem e saí do cinema pasma… O filme é sofrível. Um duplo desrespeito: à Índia e ao espectador, que ele visivelmente subestima. Não ligo nem um pouco para as premiações do Oscar e nem acho que isso é parâmetro para a qualidade de um filme, mas ver um filme desses ser premiado e aclamado pelo público é mesmo lamentável.
O filme consegue tocar as grandes questões problemáticas da tão complexa sociedade indiana de maneira caricata e estereotipada. O filme é simplista ao extremo. O filme retrata a pobreza, exploração infantil, violência contra a mulher, conflitos entre hindus e muçulmanos, dentre outras coisas, de maneira tão rasteira que chega a ser uma ofensa.
Uma das pérolas é a frase de Jamal sobre a morte da mãe em um conflito de cunho religioso (aliás também retratado de maneira inacreditavelmente estúpida…): “Se não existisse Rama e nem Alá, a minha mãe ainda estaria aqui”. Não sou uma grande conhecedora da história indiana, mas estava trabalhando com um grupo muçulmano paquistanês na Índia quando ocorreram os atentados em Mumbai (em novembro de 2008) e tive a oportunidade de ver de perto o quão mais complexa é essa questão do que nossos olhos ocidentais podem supor…
O pior de tudo é que o filme pretende ser um filme sério, sensível. Quer emocionar a platéia. E a platéia se deixa envolver por um filme tecnicamente muito bom, fotografia linda, trilha sonora perfeita e, acima de tudo, pelo suposto retrato da realidade de um lugar exótico para eles, e se emociona. Além da superficialidade, do maniqueísmo, das simplificações e das estereotipias, o que sobra ali? Nada…
Parte da platéia chegou a aplaudir na sessão de cinema… Chego a me perguntar o que está havendo com as pessoas. Que platéia é essa que aplaude um filme desses? Eu disse antes que o filme subestimava os espectadores, mas o pior é pensar que eu ingenuamente superestimei os espectadores de hoje em dia.
E já que estamos falando em Índia, por que não falar do show de absurdos em doses diárias que é “Caminho das Índias”?
Sabe o que me lembrei agora? Do grande alvoroço que um episódio dos
“Simpsons” provocou pelo Brasil que retratou. E olha que era apenas um episódio dos “Simpsons” – que, vale dizer, tem uma proposta bem diferente tanto do filme quanto da novela. Aposto que as mesmas pessoas que criticaram o Brasil dos “Simpsons” são as que hoje aplaudem “Slumdog Millionaire”.
Os bons jornalistas e formadores de opinião devem ser os primeiros a ficar em alerta com essa falta de massa crítica e estupidificação dos espectadores. É claro que, nesse quesito, haveria muitos outros grandes exemplos para dar (inclusive o programa que você hoje assiste diariamente para fazer a crônica no site), mas esse filme não dá pra deixar passar em branco. E a novela também não.
Enviei um e-mail a Renata pedindo autorização para publicar o texto acima e solicitando que ela explicasse melhor o que foi fazer na Índia. Fiquei curioso e imaginei que os leitores do blog poderiam também se interessar. O que começou como uma discussão sobre cinema acabou se transformando numa aula sobre Índia, Paquistão e a relação entre habitantes destes dois países rivais. Compartilho com os leitores o segundo texto enviado por Renata:
Trabalho em uma ONG internacional da área de direitos humanos na equipe de Direito à Alimentação. Trabalhamos com alguns projetos de desenvolvimento rural, um deles é um projeto de troca de experiências entre agricultores. O objetivo desse projeto é disseminar tecnologias sociais (práticas e técnicas agrícolas desenvolvidas pelos próprios agricultores) de baixo custo.
Fazemos um diagnóstico dos problemas enfrentados por agricultores em uma determinada área e levamos agricultores de outra área, ou país, que tenham desenvolvido práticas que ajudem a enfrentar problemas semelhantes. Por exemplo, levamos agricultores do semi árido brasileiro que desenvolveram excelentes técnicas de captação de água e manejo para uma região de seca em Moçambique. O processo em si é muito interessante, chamamos de aprendizagem horizontal: ao invés de você levar um agrônomo, você leva agricultores para trocarem experiências com agricultores.
Desculpa a looonga explicação, mas isso era para explicar o que eu fazia na Índia… Estávamos levando agricultores paquistaneses para o campo em Vidharva (perto de Nagpur, a maior cidade do estado de Maharashtra depois de Mumbai). Vidharva é uma região de alto índice de suicídio de agricultores que se endividaram ao plantar algodão transgênico. Os agricultores no Paquistão usam algodão não-transgênico e por isso fizemos essa troca de experiências.
Infelizmente, estávamos saindo de Delhi para Nagpur quando os atentados aconteceram e não fomos autorizados pela polícia em Nagpur sequer a deixar o hotel, muito menos fazer o trabalho de campo. Você certamente está familiarizado com a delicadeza da questão entre Paquistão e Índia, e pode imaginar a situação complicada que é estar com sete paquistaneses muçulmanos na Índia quando um atentado daqueles ocorreu. O Estado de Maharashtra estava em alerta vermelho máximo e diante disso tudo ficou muito complicado.
Fomos todos interrogados pela polícia e infelizmente não fomos autorizados a fazer o trabalho de campo como planejado. Isso é uma longa história, mas é interessante dizer uma coisa. A primeira vista pode parecer loucura uma troca de experiências entre paquistaneses e indianos, certo? A primeira vez que me propuseram isso no trabalho, com minha ainda limitada visão, apesar de minhas andanças pelo mundo, eu pensei: “O que haveria para trocar? Afinal, eles não se odeiam?”
E foi incrível ter a experiência de estar durante todo aquele tempo com os paquistaneses por Delhi e Nagpur. Porque existe uma identidade muito maior, ou, se não maior, pelo menos diferente, dessa dada pelo estado nacional. Um agricultor da região de Punjab no Paquistão se identifica diretamente com um punjabi indiano: falam o mesmo dialeto, conhecem a mesma territorialidade, cantam as mesmas músicas.
Quando vi os agricultores indianos e paquistaneses sentados juntos conversando sobre plantio de algodão, acesso a mercado, rentabilidade, adubo… percebi que apesar dos maniqueísmos hindu x muçulmano, indiano x paquistanês, várias trocas são possíveis porque afinal o ser humano é muito mais do que qualquer dessas dicotomias. Percebi mesmo que a gente de longe olha para aquele mundo aparentemente exótico (no sentido de que nos é desconhecido) e simplifica questões muito mais complexas para que elas se encaixem no que conseguimos compreender.
Bom, Maurício, acho que já te aluguei demais né? Só queria contextualizar um pouco a ida à India e o meu trabalho.
Obrigado, Renata, pelas informações e pela oportunidade de dividir essa sua “lição” humanista com outros leitores – algo que a internet, de fato, facilita muito.

Texto para ser aplaudido de pé!
Não assisti ao filme, mas ouvir uma boboca de ONG metida a politizada detonando a obra, me fez ter mais e mais vontade de assistir!!!!
Maurício e Renata,
O que mais me assustou no texto foi a menção ao aplauso da platéia no cinema. Na minha idade, estas coisas tendem a assustar de verdade.
Abraços,
Ricardo
Gostaria de separar o texto em 2 tópicos:
1º- Cinema: Não é de hoje que o cinema se aproveita da ignorância alheia p/ conseguir chamar atenção de suas produções. Infelizmente sempre foi assim, é assim e infelizmente sempre será assim.
2º- Cultura: Fantástico texto da Renata e oportunidade que o Maurício nos deu de aprender um pouco mais sobre algo que realmente está muito longe de nós. É por isso que tenho perdido muito tempo na internet p/ achar sites e/ou blogs que realmente agregam valor a nossa cultura. Infelizmente não possuímos canais abertos como a Discovery ou History p/ aumentar um pouco mais a cultura do povo, do que fazê-los perder tempo c/ os BBB’s da vida.
Para encerrar: Gosto não se discute …
Esperar que um filme ganhador de Oscar, seja mais do que espetaculo e ficar esperando que seja um tratado de antropologia, acho meio descabido.
Mas no fim do comentário ela coloca um grande problema do mundo e que vale ser lembrado….que fronteiras, muitas vezes, não são mais que marcas em um mapa.
Por isso tantas encrencas pelo mundo todo, onde populações culturalmente identicas se encontram separadas por essas marcas no mapa e passaportes diferentes.
A maioria dos filmes e novelas são feitos para dar audiência, que em outras palavras significa lucro. A consequência é que são péssimos formadores de consciência crítica. Tirando-se os “efeitos especiais”, que são a maquiagem da obra, pouco ou nada de útil fica. Para quem quer realmente aprender, os bons livros ainda são o melhor caminho.
Apenas um comentário de um expectador simplista que vê as coisas por um outro lado… Eu gostei e gostei bastante de “quem quer ser um milhonário”. A arte do cinema é de entreter e emocionar, mas tbm de criticar e fazer abordagens politico sociais.
O filme em questão resume-se em algumas poucas palavras: Jamal merece receber o premio porque a vida o ensinou as maiores lições e é pela maior de todas elas, o amor, que ele vence.
O que as pessoas aplaudem quando o filme acaba é a então possibilidade do amor dos dois protagonistas se concretizar, e isso basta para um filme entreter, para um filme, ter um final de “felizes para sempre”.
As realidades e criticas politicas enviezadas no filme renderiam um filme em particular para cada caso, mas para isso, ainda tem muito de Índia para ouvirmos falar…
Pra que tanta polêmica em cima desse filme, é só uma fábula que usa a índia como pano de fundo, realmente na questao cultural tem algumas coisas questionaveis e nao aborda os conflitos religiosos com profundidade, mas a unica intensao do filme é fazer uma historia “à la bolywood” sem o glamour usado na novela.
Li, reli e ainda não entendi quais são os defeitos do filme. Exceto os adjetivos usados, a autora do texto não revelou, de fato, o quê não gostou no filme; o quê o filme não retra, o quê não condiz com a realidade. O filme é tão rasteiro quanto “Caminho das Índias”? Caricato e desrespeitador tanto quanto? Ou tem algo a mais (ou de menos) do que a novela?
Faço das palavras do Gustavo as minhas hoje.
Mas gostei também de algumas observações da Renata principalmente como dois mundos cabem em um só lugar e a importância das trocas de experiências entre os mesmos.
Mas que Diretor/Autor ousaria tratar do assunto tão profundamente?
Wagner
Eu preciso ver este filme .A onguista Renata só falou sobre “estereotipo” -típico de intelectual de esquerda-e sobre a beleza do filme. filme é entretenimento , não é estudo sociológico , a mesma sociologia que aplaude o maior programa oficial de compra de votos (bolsa família ) como se fosse um programa de inserção social
Ao meu ver, hoje em dia a essencia de um filme é entretenimento. Este filme não é um documentario, nem mesmo a sua proposta é relatar sobre as “questões problematicas da sociedade indiana”, ela apenas foi usada para se contar a historia do filme.
Nacionalismo é doença.
quanta besteira dessa pretensiosa
´so podia ser membro de ong dos ´´direitos humanos´´
pra dizer tanta merda
Ainda não pude assistir ao filme vencedor do Oscar. Confesso que após “O curioso caso de Benjamin Button” estou, no mínimo, preocupado com a possibilidade de mais uma obra premiada por razões menos cinematográficas e mais políticas (ou lobistas).
De qualquer forma, se o filme conseguiu tocar alguns espectadores já foi um feito gradioso, porque, ultimamente, mesmo recheados de mentiras, falácias e heresias históricas, as produções não conseguem empolgar.
Não sei se meu questionamento se alinha aos desejos de meu xará ou da Renata, mas fico sempre com a pergunta:
“É pedir muito esperar que um filme seja bom tanto para o coral dos contentes quanto para aqueles que viraram as costas para a escuridão da caverna?”
PS:
Só para lembrar: o filme que eu mais odiei na minha vida foi “Sangue Negro”, apesar de tão aplaudido pela crítica. Tudo bem que “Mandando Bala” e “O procurado” eu nem considero como filmes…
Curiosamente vi muitas críticas negativas ao Hulk do Ang Lee, mas eu gostei do filme… vai entender…
Puxa, como tem noveleiro alienado por aí…
Valeu, Renata!
Muito próprio para o momento… parabéns pela matéria. É esse tipo de informação clara, real, não emotiva e nem tendenciosa e com conhecimento que precisamos. Fiquei feliz quando li…bom seria se toda informação tivesse tal cunho. Parabéns!
Obrigada pela oportunidade de aprender e abrir os olhos para os diversos mundos no mundo em que vivemos.
Angélica! Ela é uma pessoa que tem coragem de trabalhar em países onde a vida é bem difícil para ajudar pessoas. Se ela é boboca você é O QUÊ? Quais são teus atributos para usar tais adjetivos?
Desculpe a sinceridade, mas ela conhece uma parte de uma realidade indiana, mais pontual digamos assim. É raro uma pessoa mesmo morando a vida inteira em uma região se dar conta de tudo o que ocorre e ter uma visão ampla dos processos sociais.
Não assisti o filme, mas sobre a frase que ela diz ser uma das mais estúpidas “Se não existisse Rama e nem Alá, a minha mãe ainda estaria aqui”. é sem dúvida a mais coerente. Se não existisse esses merdas de fanáticos religiosos (incluindo diversas religiões) não haveriam tantas guerras e tantas mortes.
Resumindo, se ela fosse tão esperta ela saberia que Guerra X Fanatismo religioso é o mercado mais rentável do mundo e por consequencia nunca acabará.
melhor ser noveleiro alienado do que paga pau de onguista. Trabalhar na India com dinheiro de ong é fácil.
Ótima a matéria de Renata, que bom se o mundo se livrasse das fronteiras e prevalecesse o humanismo, se as relações entre as pessoas ficassem isentas das amarras políticas, religiosas, dos governos! Quanto a arte, por ser arte, é muito complexo como cada um vê, entende, sente e interpreta. Porém um filme de tamanha envergadura, detentor de Oscar, que vai ser exibido pelo mundo afora, acho que deveria ter responsabilidade com o que está veiculando enquanto instrumento de comunicaçao, de conhecimento, de lazer, entretenimento também, não ser apenas um projeto comercial, capitalista., industrial, dado que tem uma dimensão formativa, que deixa uma mensagem, visão de mundo para as pessoas, quantas não vão deixar a sala de cinema pensando ser a India aquilo que viram na tela, que introjetaram da mensagem que receberam? O mesmo vale para a novela. Acho interessante as pessoas, como Renata, que tem um conhecimento mais próximo trazer para nós, a fim de que não nos enganemos, não fiquemos apenas com uma única visão. Agora vou assistir o filme já interessado em confrontar, comparar, a crítica com o que ele vai me dizer, mostrar, me informar, me repassar, mesmo considerando o âmbito restrito da história que conta.
Foda-se a índia e os problemas complexos da índia, problema complexo sao todos, se for olhar a fundo, nao é pq somos ocidentais e eles nao q a gente tem q ter a nocao da complexidade deles se a gente nao tem nem da nossa mesma. FIlme é filme, realidade é realidade, ou vai me dizer que Cidade de Deus trata da complexidade da violencia no brasil, balela. Complexidade se trata com filosofia, nao com cinema.
Olha perdi o meu tempo lendo a opinião mais inbecil dos ultimos tempos, com relação ao filme, “it is show time” entreterimento é isso aí, cada um tem o direito de se emocionar e aplaudir o que quiser, assisti o filme, não é nada demais, bobo até o extremo, mas a historia cativa e chega a emocionar as pessoas que estejam abertas e receptivas emocionalmente. A mim é indiferente porque vejo coisa pior em minhas viagens pelo Brasil.
O que assusta é o grande numero de pessoas que se dizem entendedoras de algum assunto só por ter dado uma passadinha por lá, ou porque leram um livro sobre determinado assunto. Agora pergunto, será que quem dá opinião do alheio conhece a complexidade de onde vive? Ora vá entender primeiro o seu quintal, depois entenda, ou melhor respiete o dos outros! Garanto que se cidade de deus, um dos filmes mais fake que eu assisti, tivesse ganhado o oscar os mesmos bocos que deploram o filme indiano estariam cheio de orgulho: ” O oscar é nosso”!
Por fim se você não luta dentro do seu, não queira lutar no dos outros, entenda mas não julgue!
GENTE ISSO É UM FILME, É UMA DIVERSÃO, VÁRIAS CULTURAS JÁ FORAM MOSTRADAS DIFERENTES ATRAVÉS DOS FILMES, TENHA DÓ, NÉ IMAGINE UM FILME MOSTRANDO AS COISAS COMO REALMENTE SÃO, NINGUÉM IRIA AO CINEMA. LEMBREM-SE: É UM FILME, NÃO UM DOCUMENTÁRIO.
O Maurício não gostou do filme e está apelando para leitor…
Eu não vi o filme, não vou avaliar. Mas observo o óbvio: o fato da leitora ter vivido ou trabalhado na Índia não necessariamente a qualifica para escrever ou interpretar melhor o país que o diretor do filme.
Afinal, morei na Alemanha e nos EUA. Por isso posso dissertar melhor sobre o país que um escritor ou diretor estrangeiro a essas terras?
Dizer que o filme simplifica a cultura, relações sociais e econômicas é dizer o óbvio. Mas realmente precisamos esperar um “tratado sociológico” em película? Mesmo um escritor teria dificuldade em descrever a Índia num livro. Que dirá pedir isso de um filme.
Então menos… muito menos.
Sinceramente não entendo o apelo da Renata, o filme não pretendeu tratar as questões problemáticas da tão complexa sociedade indiana, o filme é um conto de fadas moderno, e foi muito bem dirigido, mereceu sim o Oscar. Documentário é outra coisa, penso que a Renata foi para o cinema com uma expectativa diferente da proposta pelo filme.
Não assisti ainda ao tal filme, mas fico aqui pensando… porque pegar um dos melhores filmes da temporada e tentar descontruí-lo?
Isso me parece vontade de parecer intelectual, diferente dos demais, desdenhando de algo que quase todo o mundo gosta, a não ser a casta privilegiada intelectualmente.
Quanto a novela, as poucas vezes que vi realmente me deixaram deprimidos…… daqui a pouco vão fazer uma sobre o Japão com o Tony Ramos….
Vi o filme ontem e achei sensacional. Se o colunista entende que o comentário da geógrafa é profundo, deve reavaliar seu sentido de profundidade. Pretender que o filme seja um fórum de discussão de problemas é não entender nada de cinema. O filme é todo ele uma alegoria, e não um retrato fidedigno da realidade contemporânea. É ficção, entretenimento. Os arautos da nova era que se consideram (equivocadamente) a vanguarda intelectual do planeta querem que tudo seja tratado da forma mais séria esquecendo-se que seriedade demais é sisudez e, como disse Voltaire, a sisudez é uma doença.
Li praticamente todos os comentários acima e tenho a seguinte opinião:
Se você ainda não assistiu o filme, assista-o.
O filme mostra de forma simplista os conflitos da Índia, como a sra. Renata cita no seu texto. SIM. Isso é uma verdade, mas vale lembrar que o filme conta a história de Jamal, um indiano, nascido nas favelas da India, analfabeto, que com todas as experiências boas ou ruins de sua vida, consegue chegar num talk show onde muitas pessoas consideradas letradas, não conseguiram. Se o filme fosse ser mais profundo em cada um dos insights que o garoto tem no filme, não teríamos um filme e sim um documentário.
Vale também lembrar que o filme é uma obra de ficção que, conta uma história (sendo ela real ou não) de uma forma mais polida da situação.
Não tiro a razão da Renata em se mostrar perplexa em certos momentos, mas, olhando aqui mas para o nosso próprio umbigo: será que os nossos espectadores estão tratando o filme como realidade vigente na Índia ou como filme para entretenimento e reflexão.
Antes de mas nada devemos olhar a nossa volta e refletir sobre a nossa sociedade, porque muitos não sabem distinguir o que é real e o que é fantástico, até nos nossos jornais.
Um abraço a todos
Como dizia o Didi: jogo é jogo, treino é treino.
A Dona que escreveu o texto acima está muito estressada.
Imagina se eu ia pagar ingresso para ver a realidade indiana.
Sai pra lá, Jaburu…
Cara Renata Neder,
De saida, observei o quanto o seu comentário é sério, pois a maioria que seleciona o filme que deveria ganhar o Oscar, desconhece o que é realmente ser juri nessa hora. Geralmente, usam a emoção elitizada do primeiro mundo em relação ao mundo dos paises pobres, porque essas pessoas nunca souberam o que significa a palavra pobreza, ou melhor, a indigência. Fazer dessa indigência (starvation) algo sensacional, é menosprezar esses paises que, por tremenda estupidez, festejam suas sobrevidas na lama e no lodo. Como você bem sabe, grande parte da população desses paises não sabe avaliar o seu mísero estado de vidas sem sentido e isso ocorrerá sempre, para deleite dos ricos. Essa é a minha observação pessoal.
RF
Invariavelmente os “macacas de auditório” de premiações americanas (e outras) vão assistir ao filme sem conhecer o contexto e o que pretende o diretor. São essas pessoas que, em geral, criticam a Renata com argumentos do tipo “onguista de esquerda”, “jaburu”, etc. Não gostar de sua opinião é direito de todos, mas é interessante salientar que a maioria dos críticos “NEM VIU O FILME!” o que só corrobora com minha afirmação inicial. Ela não tentou “desconstruir” o filme como disseram, apenas deu sua opinião em cima de fatos que presencia e conhece. Infelizmente a maioria das pessoas só conhece o mundo por filmes americanos (em geral). Quando reclamam que o Brasil ainda é visto como um lugar selvagem, com cobras rastejando pelas ruas, quase um farwest diário (e em qualquer lugar), que suas mulheres (todas) são prostitutas e os homens (todos) bandidos, não reclamem, acatem e, se possível, vão morar longe daqui (porque não a Índia da Globo?). Finalmente, assisti ao filme, muito bem feito tecnicamente, mas com roteiro e atuações RUINS DEMAIS! É minha opinião, mas como também achei Titanic ridículo, certamente sou minoria, tanto faz…
…ǝxɐןǝɹ ǝ ɯoɔ˙oɐsɹǝʌuı ɯǝʇısıʌ ˙˙˙ɐıɹoʇsıɥ ɐp oɐɯ-ɐɹʇuoɔ ɐu opuǝɹɹoɔ ǝ oxıɐq ɐɹɐd ɐɔǝqɐɔ ǝp oɯsǝɯ ɐʇsǝ opunɯ o
Quando vou assistir a um filme é para buscar entretenimento, diversão.
Para quem quer ficar buscando contextos, idealismos e história do autor, recomendo q
Quando vou assistir a um filme é para buscar entretenimento diversão. Para quem quer ficar buscando contextos, idealismos e história do autor, recomendo um bom livro.
Acho que está se fazendo uma grande tempestade em copo d’água. Eu mesmo, em alguns momentos, acabo tendo algumas opiniões parecidas com as da Renata com relação à novela Caminho das Índias. Só que aí você para para pensar no seguinte: imagine se uma novela das 8 fosse 100% fidedigna à realidade do lugar onde ela se passa? Você acha mesmo que alguém iria assistir?
Acredito que a mesma coisa se aplique para o filme (que eu ainda não vi). Não dá para esperar um documentário mostrando a realidade nua e crua da Índia em um filme que foi feito com outras intenções, mais voltado para o entretenimento em si.
Como já diria o Luxemburgo, “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.
Eu também tive a oportunidade de assistir o filme antes das premiações do oscar, o filme realmente, como diz a amiga Renata, dá uma conotação irrelevante aos profundos acontecimentos que se entrelação o contexto. Isso nos deixa a desejar, afinal, religião, pobreza, prostituição de menor ou adulto, o que seja, e guerras deveriam ser tratados de forma respeitosa.
Não concordo com a Renata no que concerne a sua visão ao filme, um filme é um filme, o interesse era mostrar de forma superficial como o rapaz obtia as respostas do Jogo do Bilionário, “jogo do milhão” aqui do Silvio. (Simplista?)Ela poderia usar seu dom maniqueista de escrever, ((rsrsrs) ela sabe usar as palavras!), e escrever um roteiro sobre sua vida, suas viajens e os descobrimentos de que em todo lugar existe problemas que precisamos resolver, não precisa ir na ìndia, vá até uma favela aqui mesmo no Brasil.
Ótimo texto! Porem discordo em um ponto, Cinema e TV não tem obrigação de retratar a realidade! A não ser que seja um documentário, que em muitos casos também existe a ação parcial do diretor, produtor, estúdio, patrocinador, etc.
Vale o senso critico e experiência pessoal das pessoas que assistem para realizar a interpretação!
Na minha compreensão o cinema é a sétima arte e, portanto tem como base e estrutura principal a ficção. Então mesmo que esteja baseado em fatos reais como arte que é vem com uma dose de ficção o que nos faz realmente gostar do cinema. Ás vezes acaba tornando-se realidade. O cinema “prevê” antes o que vai surgir um dia, por exemplo, na tecnologia! Não vi o filme; mas como dizia o “SILVIO SANTOS”, o filme é muito bom!! Muito bom!! Por isso e muito mais irei vê-lo em breve no cinema! Desculpe, não concordo com o texto acima, mas defenderei sempre o seu direito de expressão. Obrigado.
Ola Renata e Mauricio, em primeiro lugar nao e todo mundo que pode viajar para a India (ou qualquer outro lugar do mundo ou mesmo dentro do Brasil) e ter a propria visao da realidade.Muito bacana o relato da Renata mais se mostra um tanto superior (ou arrogante, desculpe, nao gosto da palavra em si) aos demais leitores que por n motivo nao estiveram na India.Moro nos EUA ha 1 ano e a visao que tinha daqui era que os americanos sao um povo trabalhador, focados, ageis e etc e tal, tudo o que n livros e escolas de administracao pregam. A realidade e totalmente diferente, e olha que moro na California, e nem por isso fico por ai falando que os EUA e uma merda e o Brasil e o maximo e tudo o que ja foi publicado, filmado e etc e uma grande afronta a inteligencia alheia. E sempre bom compartilhar conhecimento mais se colocar em uma posicao superior nao me parece o melhor caminho.Obrigado pelo espaco para comentar e o conhecimento relatado por voces.
essa parte do texto resume bem o interesse da RENATA [Bom, Maurício, acho que já te aluguei demais né? Só queria contextualizar um pouco a ida à India e o meu trabalho]. que bom que você conhece a INDIA ,que legal
Em resumo :
Superioridade x Realidade x Entretenimento x Pontos de Vista x Oportunidades e por ai vai
Slumdog Millionaire (Quem quer ser um milionário?) é uma ficção. E como ficção pode conter todas as fantasias possíveis. Se fosse um documentário teria, sim, a obrigação da verdade e, ainda assim, seria a verdade a partir do ponto de vista de seu diretor. E mais, se fosse um documentário, teria de ser um seriado. Afinal, como colocar em 2 horas de filme todos os mistérios e contradições de um país como a Índia? Por que exigir a verdade exata num romance? “A Vida é Bela” mostrou o nazismo tal como foi? Lógico que não. E ainda assim deixou de ser uma obra-prima? Aquele episódio dos Simpsons ofendeu os brasileiros? Grande coisa. O que deveria nos ofender é pagar tantos impostos e assistir ao espetáculo da miséria em nossas calçadas. A realidade é, quase sempre, chata e agressiva. Para que exigir do cinema sua tradução exata? Por que não nos deixar embriagar pelos sonhos, romances e fantasias que filmes como este nos proporcionam? Sejamos felizes.
O texto da Renata, só vem a coroar minha opinião sobre o Oscar: a premiação de melhor filme SEMPRE será para os filmes enfadonhos e chatos=Drama (com raras exceções, A Lista de Shindler, O Gladiador, O Senhor dos Anéis) por que não começar a olhar para as comédias, os filmes de aventura, quadrinhos.. e o Oscar para melhor ator ou atriz é sempre para os mesmos tipos: homossexuais, morimbundo(a)s a beira da morte, casais românticos…chega disso! Chega de ver bons atores sairem do seu estilo (Jim Carrey, Tom Hanks) para talvez ganhar um Oscar -coisa que o Jerry Lewis não se submeteu a teimosia cancerígena da Academia e ganhou apenas agora um Oscar pela carreira para que os membros da Academia não morram de remorso antes que o consagrado homorista não morra antes…lamentável…
Mauricio/Renata,
Não discordo das colocações, o cinema se transformou em uma máquina de falsas realidades (não comentarei aqui o caso da novela, já que não assisto e não tenho como opinar). Mas essa também é uma de suas funções. Ele não está ali apenas para retratar fielmente uma realidade, qualquer que seja ela, mas a de entreter, divertir e, definitivamente, moldar comportamentos e idéias. Não defendo o filme Slumdog, mas percebo algo que vai além da análise histórica, política e social que podem estar contidos em seu roteiro (ou nas críticas). Definitivamente não é um cult cinematográfico, mas é diferente, e sai daquela passividade hollywoodiana (como acontece em O Curioso Caso de Benjamin Button, ou até mesmo em Batman). Como já dito, é pesado, nos faz torcer pelos “mocinhos”, refletir um pouco sobre as dificuldades da vida, mas não chega a ser motivo para aplausos. E engana-se quem ainda acredita que o Oscar sempre foi dado ao melhor. Em relação a isso, cá entre nós, ainda acho que a disputa foi entre o superstar Brad Pitt e um filme de terceiro mundo que mostra criancinhas sofrendo, nesse caso… ponto para a pobreza!!!
Abraço.
Maurício, como vc preciso ver o filme, porém já adorei e concordo em número e gênero ao seu comentário. Parabéns.
Não somos simplesmente Hindus, Paquistaneses, Norte-americanos ou Brasileiros, fazemos parte de um mundo muito maior que os paises, o planeta Terra.
Enquanto não nos assumirmos desta forma haverão conflitos e divisões.
Vamos evoluir!………………….
Parabéns Renata. Trabalhos como esses deveriam ser feitos pelos governos, em vez de ficar incentivando guerras e discórdia entre os povos. Quanto ao filme, ainda não assisti, mas fiquei decepcionada com a premiação uma vez que o fime que conta história do Benjamin é fantástico. Mais uma vez nota zero para a premiação do Oscar.