Diálogo surreal na manhã desta terça-feira na Bienal de São Paulo. Eu havia acabado de entrevistar uma “educadora”, nome dado aos monitores que dão informações aos visitantes, quando perguntei seu nome. Ela disse que não tinha autorização para dar entrevista. “É melhor você ver com a Jussara se pode sair meu nome”, ela pediu.

Ela estava se referindo a Jussara Fonseca, coordenadora de Ação Educativa, mas quem apareceu em seu socorro foi Cristiane Alves, supervisora dos educadores no período da manhã. Expliquei a Cristiane que eu havia entrevistado uma educadora e gostaria de citá-la na reportagem que iria escrever.

- Ela não está autorizada a dar entrevistas. Você a entrevistou?
- Eu perguntei a ela sobre a performance do Maurício Ianês e ela me deu explicações.
- Então não foi uma entrevista. Foi um atendimento.
- Tudo bem. Mas preciso saber o nome dela para publicar na reportagem.
- Mas ela não está autorizada a dar entrevistas. Para entrevistas, você deve procurar a assessoria de imprensa.
- Mas eu já a entrevistei. Ela me explicou que “essa Bienal tem uma proposta: fazer pensar”.
- Então vamos considerar que foi um atendimento, não uma entrevista. Aí, tudo bem. Pode anotar o nome dela. 

3 comentários to “Bienal do Vazio: é entrevista ou atendimento?”

  1. Paola P. disse:

    Isso tudo me pareceu um tanto burocrático. Mas quantas regras!

  2. eu disse:

    Nossa! Parece performance de teatro do absurdo! Será que faz parte da Bienal?
    Engraçado é que nessa Bienal os artistas são figurantes. Quem aparece mesmo são os curadores. Eles falam bastante, aparecem, dão entrevista, atendimento, tudo.
    Acho que é uma Bienal de Assessoria de Imprensa!

  3. Rosa disse:

    É, mas pensando no lado da menina (a educadora) não foi tão surreal assim, se ela segue regras – não pode conceder entrevistas – faz sentido ela não liberar o nome de cara. Aliás, ela podia até mesmo se recusar a conceder entrevista, como qualquer pessoa.
    Pelo que entendi, ela está lá para conversar sobre as obras, certo?

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