Cat Power: timidez, coragem e “atitude” adolescente em SP

Cat Power: timidez, coragem e “atitude” adolescente em SP

Sapato branco, jeans escuro, camisa para fora da calça, uma gravatinha preta, rabo de cavalo e luvas sem os dedos, Cat Power canta com os ombros curvados, olhando ora para o chão, ora para os músicos e, eventualmente, para um ponto vazio, na lateral do palco.

Nome artístico de Chan Marshall, Cat Power tem 37 anos, mas aparenta, à distância, a metade. De tempos em tempos, agacha-se e bebe um gole de uma caneca, tudo indica, de chá. Uma vela sobre o teclado de Gregg Foremann e um incenso, em cima da aparelhagem de som, ajudam a compor o ambiente. 

Sua voz, rouca, mas potente, também ajuda na idéia de que há algo de adolescente nisso tudo – impressão que será reforçada ao final das quase duas horas de espetáculo, quando a então tímida e contida dá lugar a uma desinibida e feliz Cat Power. Ela aproxima-se do público – meninas, em sua maioria – e distribui flores e cópias do set-list do show que está terminando. Agacha-se, toca a mão das fãs, assina alguns autógrafos, sorri e agradece o carinho – como faria qualquer cantor popular.

Não conheço o suficiente para desfiar todo o repertório do show, mas reconheci inúmeras canções de seu mais recente CD, “Jukebox”, de 2008, no qual corajosamente reinterpreta músicas de Billy Holliday (“Don´t Explain”), Joni Mitchell (“Blue”) e Bob Dylan (“I Believe in You”), para não falar de “New York”, imortalizada por Frank Sinatra. Também canta uma das minhas favoritas, sua homenagem a Dylan, “Song to Bobby”, e duas ou três músicas de seu disco anterior, “The Greatest”, entre as quais a canção-título.

Para quem não conhece Cat Power, mas gosta de cinema, duas músicas suas, entre as quais “The Greastest”, estão na trilha sonora de “Um Beijo Roubado” (“My Blueberry Nights”), do chinês Wong Kar Wai, exibido no ano passado no Brasil. Cat Power aparece brevemente no filme, no papel da mulher que deu um pé na bunda do galã Jude Law.

O seu show em São Paulo, que será repetido neste domingo no Rio, ficaria melhor num ambiente menor, mais acolhedor (e menos extorsivo) que o Via Funchal. Em todo caso, é um espetáculo bonito, até emocionante, mas, tenho a impressão, sobrevalorizado. Sua voz é bonita, mas não única. E sua “atitude”, que o público “indie” tanto admira, às vezes parece seguir um roteiro pré-estabelecido.

Em tempo: no iG Música, em Cat Power emociona o público em São Paulo, você encontra mais detalhes sobre o show e uma descrição mais rica do repertório apresentado.

Crédito da foto: Agência Estado

11 Replies to “Cat Power: timidez, coragem e “atitude” adolescente em SP”

  1. Cat Power é tão valorizada pois não é apenas uma cantora com boa voz mas uma artista que se apropria de seu universo interior com muita força. Difícil envolver o público e ela consegue. Todos ali presentres estavam concentrados. É isso que é diferente. Ao vivo ela é melhor e o respeito que dá para a música é algo tocante. Nos covers ela desconstrói músicas famosas e devolve fazendo não apenas uma versão mas uma nova obra.

  2. É, existem várias cantoras com a voz como dela. Voz vulgar, nada de única. E como as atitudes são previsíveis! Tudo pra chamar atenção…
    Que artigo medíocre…

  3. Não fui ao show, apenas ouvi dezenas de canções disponibilizadas pela Uol e nota 10 como intérprete tanto nas suas composições como outras de gente mais famosa (ela deu uma interpretação original a estas músicas). Daqui a quase 500km longe do show em São Paulo deu prá sentir a energia e o talento de Chan Marshal: amigos ecologistas dos States já haviam me indicado o seu trabalho de muita qualidade e poesia.

  4. Fui ao show da Cat Power aqui no Rio de Janeiro ontem. Vi seu show em 2007 no Tim Festival e confesso que lá, me emocionei muito, o bastante para não parar de ouvir sua musica e ir novamente ao seu show dois anos depois. A sua voz é das vozes mais incríveis que já ouvi, de verdade, parece um veludo que entra nos ouvidos. Maravilhosa.

    Mas realmente confesso que esperava mais deste show. Não teve nenhum ponto alto, catártico, como teve o de 2007, muito mais forte. Uma pena. Espero que o próximo, que vou com certeza, ela esteja mais animada.

    Quanto ao espaço, no Rio de Janeiro o show foi na HSBC Arena, que é um lugar enorme, com mesas distribuidas de maneira que o lugar parecia um refeitório. E, como foi dito no artigo e também foi o grande comentário de quem estava no show, Cat Power precisa de algo menor, mais intimista de fato.

    Mas continua maravilhosa!

  5. Bonitinha a menina, não?
    Nunca ouvi, e nem tenho vontade.
    Artistas novos se amparam na produção antiga.
    Os antigos também foram influenciados, se ampararam, em algum momento, nos que vieram antes também. Mas era somente um suporte (necessário) para o que eles estavam programando, para algo novo que certamente viria, mais cedo ou mais tarde.
    Bonitinha a menina, não?
    Nunca ouvi, mas dá pra imaginar como é o som que ela faz, e também a sua voz.
    “O som que ela faz”. Nossa! Esse linguajar é bem moderninho, bem adolescente, não acha?
    Juro que foi sem querer.
    Como dizia o Ibrahim: ademan, que eu vou em frentê.

  6. Gostaria de dar uma sugestação para a menina bonitinha.
    Já que ela gosta de cantar canções alheias, bem que ela poderia incluir no seu reportório aquela canção “Dominique”, que diz assim: Dominique, Nique, Nique, um castelo encantado…
    Ou poderia ser aquela, que diz: Aonde a vaca vai, o boi vai atrás, aonde a vaca vai, o boiiiiiii vai atrás…
    Ou outra: Comprei um quilo de farinha, pra fazer farofa, fazer farofa, fazer farofa, fa… Fa, faró, faró, faró, faró, faró, faró, faró, faró, faró, fa, fa…
    Que tal?
    O que será que a gata acharia das minhas sugestões?

  7. Corrigindo o meu último comentário: é sugestão, e não “sugestação”.
    Maurício, como vai?
    Você poderia, por favor, me prestar um esclarecimento?
    Essa música, Song to Bobby, por um acaso não é uma música de autoria da Joan Baez, feita para convencer Bob Dylan a participar do Concerto para Bangladesh, e que deu certo?
    Por favor, responda aqui mesmo.

    Resposta do Mauricio: É uma música de autoria da própria Cat Power, que assina Chan Marshall. E é uma das minhas favoritas no disco, “Jukebox”. A letra é essa aqui:

    I wanna tell you
    I’ve always wanted to tell you
    But I never had the chance to say
    What I feel in my heart from the beginning till my dying day

    I was fifteen, sixteen maybe
    In the park I was waving my arms
    You were waved this way
    And you sang the song I was screaming
    I wanted you to

    Another time was in South Carolina
    It’s always been the third encore
    Whose wind came roaring in
    Can you tell me who were you singing for
    Oh my God, can you tell me who you were singing to?

    A phone call from your New York City office
    You were supposedly asking to see me
    And how I wanted to tell you
    That I was just only four hundred miles away
    Who could believe that you were calling I was in DC
    I was four hundred miles behind
    Backstage pass in my hand
    Giving you my heart was my plan I wish I could tell you

    My chance
    In the middle of the stadium in Paris, France
    Can I finally tell you
    Can I finally tell you
    To be my man
    April in Paris, can I see you?
    Can you please be my man?

  8. Desculpe, esqueci, mas tenho mais uma perguntinha.
    Por que essa música, um tanto quanto obscura, é uma das suas favoritas? Ou será que foi a sua favorita no show?
    Isso, é claro, se for a música que eu estou pensando, de autoria da Joan Baez.

  9. Desculpe, Maurício, mas me enganei. O nome da música da Joan Baez é “To Bobby”, sem o “Song”. É outra música.

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