Crônica de uma jornada tricolor (carioca) no Morumbi

Crônica de uma jornada tricolor (carioca) no Morumbi

Como anunciei de manhã, assisti o jogo São Paulo e Fluminense na arquibancada do Morumbi enquanto postava alguns comentários no Blog da Redação da editoria de Esportes do iG. Abaixo, os posts que enviei do estádio, que entraram ao longo da tarde no blog, levemente revisados.

Vitória do Fluminense
Nelson Rodrigues falava que “se os fatos provam o contrário do que eu dizia, pior para os fatos”. O placar no Morumbi (1 a 1) mais o silêncio da torcida são-paulina ao final do jogo provam: o Fluminense ganhou esta partida.

Impaciência no ar
À espera de um gol que lhe dará o titulo, aos 35 do segundo tempo, a torcida são-paulina se irrita com a cera do Fluminense e, desde a saída de Dagoberto, só lhe resta vaiar o juiz.

Incentivo ao próprio time, muito pouco.

O Morumbi acorda
Na cabine de imprensa, um jornalista havia reclamado: a torcida do São Paulo parece platéia de teatro, excessivamente bem comportada. Depois do gol de empate, aos 12 minutos do segundo tempo, não dá mais pra dizer isso. O Morumbi voltou a aplaudir até lateral conquistado.

Silêncio ensurdecedor
Foram dez segundos daquilo que um cronista esportivo das antigas chamaria de silêncio ensurdecedor.
Após o gol do Fluminense, aos 4 do segundo tempo, o Morumbi se calou de um jeito assustador. Mas logo recomeçaram os gritos de incentivo. “Ó tricolor, ó tricolor…”

Primeiras vaias

Aos 46 do primeiro tempo, depois do enésimo erro, Dagoberto causou os primeiros protestos  da torcida sao-paulina. “Fora Dagoberto”, gritaram alguns torcedores na arquibancada.

Quanto tá o jogo do Grêmio?
O sistema de som do Morumbi não está informando o resultado dos demais jogos da rodada. Nem o placar eletrônico do estádio. Para saber sobre o resultado de Grêmio e Ipatinga, os torcedores recorrem ao velho radinho de pilha ou ao moderno celular. O sujeito ao meu lado, aqui no setor amarelo da arquibancada, acaba de ligar pra casa e me informou. Às 16h35 o Grêmio vencia por 3 a 1.

Sexo e futebol

Na véspera do Dia Mundial de Combate à Aids, a Prefeitura de São Paulo montou um esquema para distribuir 80 mil camisinhas no Morumbi. Preocupados exclusivamente com o jogo, muitos torcedores não estavam nem aí para as camisinhas.

Silêncio barulhento
Nelson Rodrigues, um dos mais ilustres torcedores do Fluminense, dizia que no Maracanã vaia-se até minuto de silêncio. No Morumbi não se vaia, mas o minuto de silêncio neste domingo, em homenagem ao ex-presidente do São Paulo Marcelo Portugal Gouvêia, foi comemorado aos gritos de “Vamos, São Paulo, vamos São Paulo, vamos ser campeão”.

O Fluminense no Morumbi
Expectativa no cantinho reservado ao Fluminense no estádio. Cícero Bezerra, dono de uma escolinha de futebol no Tucuruvi, em São Paulo, trouxe 14 crianças de 5 a 10 anos, todos vestidos com o uniforme do Flu. “Não sei se vão deixar a gente entrar em campo. Tenho todas autorizações. Vamos ver”, diz, ansioso, a meia hora do início da partida.

Entre os 100 torcedores do Flu, só gente que mora em São Paulo. Ninguém sabia, às 16h30, se chegariam os reforços do Rio de Janeiro. “Acho que dá pra ganhar”, diz Nelson Gennari, do nucleo paulistano da Young Flu.

A resposta da torcida são paulina é curta e grossa: “Ão ão ão, segunda divisão!!!”.

Em tempo: as crianças de Cícero Barbosa conseguiram entrar e ficaram com o time desde as escadas do vestiário até o gramado.

O São Paulo chega ao estádio
A polícia montada tenta abrir um corredor na entrada do Morumbi. São 15h40. Um camburão e duas motos se aproximam. Atrás, um ônibus. É o time do São Paulo chegando ao estádio. Na rua é como se tivesse sido um gol. Fogos, gritos de campeão e delírio.

O Fluminense chegou antes. Sob vaias.

A trilha do hexa

São 14h34 e dos alto-falantes do Morumbi o som que sai, em altissimo volume, é “Rehab”, o sucesso de Amy Winehouse sobre uma junkie que se recusa a se tratar. Fala sério!

Fora do Morumbi, o São Paulo já é hexa
Faltam três horas para começar a partida, mas no entorno do Morumbi o São Paulo já é hexacampeão brasileiro. Camisas com a inscrição 6-3-3 são vendidas por R$ 25. O “6”, não precisa dizer, são os títulos brasileiros, um deles ainda não conquistado. Três são as Libertadores e os Mundiais vencidos pelo Tricolor.
Faixas com a frase “São Paulo hexacampeão” custam R$ 5.

Para os supersticiosos, isso é sinal de mau agouro. Bate na madeira.

21 Replies to “Crônica de uma jornada tricolor (carioca) no Morumbi”

  1. SE TODOS OS TIMES TIVESSEM O SÃO PAULO COMO O FLUMINENSE O ENFRENTOU, JAMAIS O TRICOLOR PAULISTA ESTARIA DISPUTANDO MAIS UM TÍTULO !!! COMO É UM TIME QUE NÃO TEM MEIO DE CAMPO VAI SER CAMPEÃO ???
    TRISTE IRONIA DO FUTEBOL BRASILEIRO !!!

  2. Caro Maurício

    O seu brilhantismo é coroado com a sua competência profissional nessa linda crônica… Texto gostoso de ler e que nos transporta até o Murumbi de uma maneira muito fascinante.

    Parabéns

  3. meu amigo esqueseram de esquentar a marmita do São Paulo
    eu acho que desta vez vai comer a marmita fria…….

  4. Parabéns pela crônica, mas ainda acredito que o São Paulo é um gde time e tem grandes chances de levar o titulo e se consagrar o melhor time do Brasil.

  5. Foi um jogo tenso entre as duas equipes, porém, meu tricolor paulista estava mais ansioso, querendo decidir logo e não conseguiu, perderam a oportunidade diante de uma maravilhosa torcida que lotou o estadio, mas futeol é asim mesmo, é que nem lata, um chuta e o outro cata ! Quem puder mais chora menos, é isso mesmo !

  6. O Sampa vai ter que pelar muito para não perder em Goiás no próximo domingo, os goianos são osso duro de roer em casa. Já o Grêmio vai fazer a sua parte, vencendo o Galo lá em casa no Olímpico Monumental, e assim, um a zero pro Goiás nos dará o título que já esteve nas mãos mas, graças a um ataque de araque do Grêmio, o time fez um segundo turno caindo pelas tabelas. Está a caixinha de surpresas de novo – tudo é possível a partir das 17 horas de dia 07 de dezembro de 2008, em termos de Campeonato Brasileiro 2008. A gente não esquece que o tricolor gaúcho costuma renascer das cinzas…

  7. INTERESSANTE ! Como secam o São Paulo, tamanha a dor de cotovelo de certos torcedores adversários que não veem como seguem os patamares de titulos conquistados, a administração do Sampa é impecavel, em breve não tem pra ninguem vamos conquistar titulos um na sequencia do outro, e aí será que vai ter graça ganhar tudo ! Então a todos saudações tricolores !!!

  8. O Fluminense e o São Paulo são grandes times e fizeram um grande jogo, mas apesar do empate, mais uma vez o Flu foi melhor!
    Este campeonato foi muito equilibrado, o provável campeão, penou para conseguir um empate com um time que esteve ameaçado de rebaixamento.
    Parabéns para os dois!!!

  9. Caro Mauricio,

    Ótima cronica. Sou Colorado e não gostaria de ver o Tricolor gaucho campeão. Porém se o São Paulo F.C. jogar essa bolinha no próximo domingo vou ter que aguentar os gremistas mais 1 ano.

  10. Ficou mais indefinido mas o São Paulo ainda tem grande vantagem, mas só dele não ter ganho hoje foi ótimo pois o Coringão continua sendo o maior ganhador de títulos dentro do estádios dos bambis.

  11. Dois tricolores. O do Rio jogou 4 vezes contra o de São Paulo este ano: ganhou 2, empatou 1, perdeu a outra (0 x 1). Fez 7 gols, levou 4.
    Time por time, são absolutamente iguais. Com uma diferença: o do Rio é bem mais técnico. Seus jogadores tocam muito melhor a bola. Murici definiu o jogo de hoje: “o empate foi lucro para nós, diante do que o Fluminense jogou.”
    Se o tricolor do Rio não tivesse jogado 8 vezes com o time reserva no início do Brasileirão, estaria disputando o campeonato hoje com o São Paulo.
    Há 3 times no Brasil hoje e NADA MAIS: Internacional, São Paulo e Fluminense, a ordem não importa.

  12. Prepararam uma grande festa para o tricampeonato brasileiro do São Paulo mas cometeraram um grave equívoco; esqueceram de avisar aos jogadores do Flu que, apesar de ignorados e desprezados pelos anfitriões, jogaram uma grande partida à altura das tradições do tricolor carioca (segundo Nélson Rodrigues o único e verdadeiro tricolor).

  13. O Titulo é do São Paulo , Podem Reunir Todas as Torcidas e Torce Contra Que Não Da Mais , Só Adiaram Pra Uma Semana , Mais A Taça Ja Tem Dono….São Paulo Futebol Clube 6-3-3 !!!

  14. se o clodovil fosse o tecnico do sao paulo, nao tinha deixado espacar e trofeu .

    fora murici

    tecnico clodovil

  15. Em Copa do Mundo, a quantidade e a qualidade da preparação das seleções fazem a diferença. Já no campeonato brasileiro, longo, e com tantos times nivelados, cada vez mais o que faz a balança pender é a qualidade do técnico. Ontem não estavam em campo apenas dois dos melhores grupos do país, mas principalmente, frente à frente, dois dos melhores técnicos. Daí, o jogão. Muricy teve sua máquina eficiente de marcar 3 pontos atravancada pelo olhar clínico do Renê Simões. O empate foi justo, mas vale ressaltar:
    1) Washington continua merecendo o título de atacante que mais perde gols no futebol mundial.
    2) Fosse a imprensa tricolor, e não rubro-negra, hoje a gritaria seria geral. O pênalty do zagueiro sãopaulino no Wasington (um empurrão por trás, pelo alto) foi muito, mas muiiiiiiiiiiiito mais indiscutíivel que aquela tromabada do marcador do Cruzeiro no Tardelli, do Flamengo. Muiiiiiiiiiiiiiiiiiito mais!!!
    mas valeu pelo espetáculo.

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