Drible de Kaká pega o mundo no contrapé

Drible de Kaká pega o mundo no contrapé

Sinto-me obrigado a voltar a tratar do assunto Kaká neste blog. Como escrevi cinco dias atrás (Espero não queimar a língua, mas vou elogiar o Kaká), o craque do Milan havia dado uma sinalização importante, ao sugerir que, além do dinheiro envolvido, outros aspectos deveriam pesar na negociação de sua transferência para o Manchester City.

Num mundo em que os valores materiais falam mais alto do que tudo, que ganhar dinheiro é sinal de competência, que ser frio e racional é requisito para ser bem-sucedido, a atitude de Kaká pegou todo mundo – inclusive seu pai e o premiê Silvio Berlusconi – no contrapé. Por que recusar a maior oferta financeira já feita a um jogador de futebol? Como assim?

Na década de 50 do século passado, ao escrever sobre o futebol no Brasil, o crítico de teatro Anatol Rosenfeld já havia percebido que “dar pontapés numa bola era um ato de emancipação”. Quantos jogadores já não trocaram bons times no Brasil e carreiras promissoras por contratos mais rentáveis em times inexpressivos na Coréia, no Qatar ou mesmo na Europa?

Estamos carecas de ver situações desse tipo. São, de um modo geral, negociações motivadas pelo desejo de melhorar de vida, tirar a família de uma situação de pobreza, quando não de miséria, mesmo que abrindo mão de um futuro com mais glórias, em equipes mais tradicionais e participação na seleção brasileira.

A situação de Kaká, sorte a dele, permitiu que a sua escolha não se orientasse exclusivamente pelos valores financeiros do negócio. Preferiu apostar num plano de longo alcance a mergulhar numa aventura que ninguém sabe onde vai dar. Abriu mão de milhões na expectativa que será recompensado de outras formas – talvez uma longa carreira no Milan, inclusive depois que deixar de jogar futebol. 

Todos os elogios para Kaká – mas não tenho ilusão alguma que o seu gesto servirá de exemplo para qualquer outro jogador.

Em tempo: Para quem se interessa pelo assunto, o famoso ensaio de Anatol Rosenfeld, “O Futebol no Brasil”, está publicado no livro “Negro, Macumba e Futebol” (editora Perspectiva). 

16 Replies to “Drible de Kaká pega o mundo no contrapé”

  1. Concordo, mas ele já ganha uma fortuna no Milan, para os padrões normais.

    Mesmo envolvendo milhões, a decisão dele me parece mais fácil de ser tomada do que a de um garoto pobre que tem chance de melhorar de vida num país distante.

    abraço!

    Resposta do Mauricio:
    É exatamente isso, Lombardi. Mesmo assim o “não” dele foi surpreendente. abraços

  2. Acho que estou com peninha desse “pobre” garoto, tadinho, a Igreja Renasser vai perder uma bolada…….

  3. Inicialmente gostaria de destacar o caráter, a vida espiritual do KaKá porque baseou a sua decisão de que dinheiro não deve ser tudo na vida do ser humano.

  4. Profissional bem-sucedido o Kaká já é, disso ninguém tem dúvida e será sempre lembrado. A grande lição que ele nos dá com essa atitude é que, nesse tempo em que tanto se fala, tanto no esporte quanto em qualquer área de trabalho, em profissionalismo (entenda-se como frieza e desapego a valores sentimentais em função do dinheiro), ainda se pode ser um grande profissional sendo um grande homem. Parabéns, Kaká!

  5. Kaká é diferente de qualquer pessoa “normal”. Ser rico, para ele, é apenas um dos objetivos, não “o” objetivo. Ídolo no futebol, sabe que pode fazer história eterna, como Ronaldo e Maradona, conquistando títulos e mantendo-se como melhor do mundo. Militante religioso, sabe o poder que sua imagem tem sobre olhos e consciências no mundo inteiro. Que ele rejeitou muita grana é certo, mas pode ter sido um preço razoável por tamanho golpe de marketing.

  6. A bem da verdade, Kaká sempre mostrou ser um rapaz com cabeça no lugar, pé no chão, comportado e com senso de profissionalismo, diferente dos muitos baladeiros cabeça de bagre e com espírito mercenário que chegam a Europa.

    Esta sua decisão de ficar no Milan, apesar de surpreendente, é coerente com sua conduta regrada e profissional, e acima de tudo, com visão de carreira.

  7. Não fico surpreso que a decisão do Kaka. Sempre critiquei a decisão do Robinho, tanto é que hj ele sumiu da concentração do City.

    Mas tenho certeza que não foi uma resposta fácil.

  8. Seus imbecis, vcs. pensam q. não falamos com nosso apóstolo sobre como tomar nossas atitudes? se devemos ir ou ficar?. Vcs acham q. ele não falou com O APOSTOLO Estevão sobre sua atitude? quem ensina a ele . a ter outros valores é a Bíblia q. o apóstolo e bispa Sonia pregam .Vcs q. acham que o Apóstolo não orou pelo q. o q. Deus tem para a vida do kaká no Milan. Em tudo oramos a Deus e pedimos sua direção, e aprendemos com Deus e na bíblia, com Estevão e bispa sonia ,estes valores dos quais o Kaká tem. Deus dá direção a quem quizer,é só procurar, vcs sabem muito pouco do craque KAKÁ.ELE TEM TELEFONE E SABE LIGAR PARA OS ESTADOS UNIDOSOK,

  9. Realmente, uma decisão de tirar o chapéu, não importam que os outros dizem , o que importa e estar com a consciencia tranquila diante de Deus e dos homens, não tem nada que atacar a religiao dos outros, quem faz isto não sabe a palavra, que disse que nossa luta não é contra carne e sangue e sim contra os dominadores e principados nas regioes celestiais. Servir a Jesus não falatorio e sim vida. Não cabe a ninguem nessa terra julgar, somente a Deus;pois ninguem e melhor do que ninguem, a diferença é Cristo habitar no coração ou não. Cada um escolhe o seu caminho, e o Kaka escolheu o dele. Grande exemplo.

  10. Sou corinthiano mas sempre adorei o futebol do KaKa, acho que como ele nao precisa, nada mais justo ficar aonde se sente bem e podendo sem duvida alguma caso nao aconteca de ficar fora de jogos por muito tempo disputar com o craque Messi o melhor do mundo.

  11. Pode não servir de exemplo prá ninguém, mas que pelo menos voce aprenda a não ser mais precipitado ao comentar um assunto de uma pessoa que você não conhece.
    Quanto a religião, todo mundo tem o direito de escolher a que achar melhor, então… cada qual escolha a sua ou não, e não fique criticando os outros, mesmo porque tenho certeza que a Renascer e nem outra qualquer, nunca obrigou ninguem a dar o dinheiro que não queria. Concordo plenamente com o Willian e os demais que fizeram um comentário sério.

  12. Prezada Nice, Pena que o seu DEUS não lhe ensinou a como tratar seus semelhantes, pois vc jah começa seu comentário chamando seus semelhantes de imbecis. Ore, pra ver se ele a faz compreender o que significa respeito ao próximo.

  13. Caráter independe de religião , a atitude do KAKÁ realmente foi um drible num mundo de pessoas amantes de si mesmas.

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