O registro fotográfico de montagens teatrais costuma ter um uso imediato, na divulgação de espetáculos em jornais e revistas. São fotos encomendadas para dar visibilidade à peça, exibir os atores que participam e “ilustrar” de alguma forma o que veremos em cena.

Como é muito raro o jornalismo se interessar por fazer fotos de peças teatrais, as chamadas “fotos de divulgação” carregam em si um valor histórico, por serem frequentemente o único registro de determinadas montagens. Independentemente de sua qualidade.

Quando, para além do objetivo documental, há um grande fotógrafo atrás da lente, existe a chance de esse registro sobreviver não apenas por seu interesse histórico, mas também cultural. Arte.

É o caso deste “Palco Paulistano”, livro de Vania Toledo, lançado nesta quarta-feira em São Paulo, que documenta quatro décadas de trabalho da fotógrafa clicando montagens teatrais.

Os primeiros registros de Vania datam de 1968; o mais recente é de 2006. Mas o conjunto mais importante da produção da fotógrafa nesta área remonta às décadas de 70 e 80.

Como escreve Rubens Fernandes Junior, “o livro é encarado como um desafio profissional, pois corajosamente ele não só mostra as imagens, mas deixa documentado as rasuras e os ruídos provocados ao longo do seu período de aprendizado”. É justamente em relação ao período inicial da produção de Vania que mais se aplica esta observação.

Diante de uma série de montagens históricas do teatro brasileiro, a câmera de Vania parece vibrar, tocada pela energia em cena. Volto a Rubens Fernandes no texto que apresenta o livro: “Vania preferiu deixar suas imperfeições à vista de todos, para enfatizar suas experimentações, como se fossem pegadas, rastros assumidos, para todos concretizarem os diferentes momentos de seu processo criativo.”

Rubens Fernandes Junior lembra que o mestre David Zingg disse certa vez a Vania: “Você trouxe a leveza e o movimento de volta à fotografia brasileira”. “Palco Paulistano” (Imprensa Oficial, 260 págs., R$ 100) deixa isso claramente documentado

As fotos neste post mostram, de cima para baixo: 1) Paulo Autran e Tônia Carreiro em uma montagem de “Macbeth” (1970); 2) Renato Borghi em “Galileo Galilei” (1968); 3) Raul Cortez em “Ah! América” (1985); e   4) Renato Machado e Clarice Abujamra em “Romeu e Julieta” (1969. Esta última, selecionei mais pela curiosidade, já que o ator Renato Machado é o mesmo que faria carreira posteriormente como jornalista e hoje apresenta o noticiário “Bom Dia Brasil”, na Rede Globo.

2 comentários to “Em fotos, quatro décadas de teatro em São Paulo”

  1. Alan disse:

    Dê aulas no campus Vergueiro pela manhã, Stycer!

  2. Ivete disse:

    Ainda dizem que fotografia não está na moda? Se não elas, como teríamos hoje , na Internet, esta memória.

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