Entre os inúmeros filmes que estréiam nesta sexta-feira, consegui assistir previamente a dois, que recomendo. O mais importante, e ambicioso, é “Anticristo”, o delírio do dinamarquês Lars Von Trier, realizado no esforço de se curar de uma profunda depressão. O outro, muito diferente, mas não menos interessante, é “Waldick, Sempre no Meu Coração”, documentário que marca a estréia de Patrícia Pillar na direção de filmes, dedicado ao cantor Waldick Soriano.
Não vou me alongar neste assunto já que escrevi a respeito de ambos no Último Segundo. Sobre Von Trier, tentei explicar Por que “Anticristo” é o filme mais polêmico do ano. Sobre o documentário, chamei a atenção para o fato de que Waldick é retratado com carinho por Patrícia Pillar.
Aproveito, então, para falar de um terceiro filme, que estreou há uma semana em São Paulo. Trata-se de “Gigante”, uma rara produção uruguaia a chegar ao circuito comercial brasileiro. Dirigido por Adrián Biniez, ganhou o Urso de Prata (segundo prêmio mais importante) na mais recente edição do Festival de Berlim e dois Kikitos em Gramado (pelo roteiro e para o ator Horacio Camandule).
O filme tem um argumento bem simples. Por meio do circuito interno de câmeras, um segurança de supermercado, o Gigante, acompanha a rotina do turno noturno dos demais funcionários e se encanta por uma faxineira. Difícil, realmente, acreditar que sairia um filme tão delicado e triste a partir desta idéia tão banal.
Mas “Gigante” realmente comove na descrição, primeiro, da vidinha simples e besta de todos aqueles funcionários do supermercado. E, em segundo lugar, pela maneira como consegue nos descrever a timidez de Gigante, a descoberta do amor, a paixão platônica que desenvolve e o esforço – para ele gigantesco – que precisa fazer para transformar todos aqueles sentimentos em atitude.
Relatado desta forma, pode parecer que há algo de adolescente em “Gigante”. Talvez. Mas acho que o filme vai além. A Montevidéu de Biniez é uma cidade de ruas vazias, praias vazias e vida vazias. Gigante percorre esses lugares e, de certa forma, os preenche com a sua timidez. É um filme bonito e despretensioso.

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Vi ontem e achei foda. Que roteiro, que ator, que amor pelos personagens, que timing perfeito. O cinema brasileiro ainda não teve a manha de fazer um filme desses…
abraço
RB