O título deste post é o mesmo da reportagem publicada nesta quarta-feira pelo “New York Times” com o anúncio da confirmação do nome de Richard Armstrong no cargo de novo diretor do Guggenheim. A procura durou sete meses, desde o fim do polêmico reinado de quase 20 anos de Thomas Krens. As declarações da presidente do conselho do museu, Jennifer Blei Stockman, dizem muito a respeito do perfil procurado – e do perfil rejeitado para a função.

“Estávamos procurando alguém apaixonado por arte que entendesse que o museu de Nova York é o centro do nosso universo”, disse Blei Stockman ao jornal. “Nós entrevistamos vários diretores de museus de vanguarda europeus e americanos e pensamos: queremos uma outra figura independente que imprima a sua marca ao museu ou um especialista experiente que seja maduro e inteligente e que colocará as necessidade do museu e de seu pessoal em primeiro plano?”

Para muita gente, Krens é o modelo de gestor de museus dos tempos modernos. Foi ele quem transformou o Guggenheim numa marca, “exportando” o museu para o exterior (Bilbao, Berlim, Veneza), e abriu as portas da instituição para exposições de cunho explicitamente comerciais, como uma dedicada ao estilista Giorgio Armani e outra à “arte da motocicleta”.

Krens também ficou conhecido, lembra o “New York Times”, por promover exposições tão abrangentes que, com freqüência, não tinham foco – casos de mostras famosas como “Africa: The Art of a Continent” (1996), “China: 5,000 Years” (1998) e “Brazil: Body & Soul” (2001).

Esta última, sobre o Brasil, foi promovida na época em que Krens, com a ajuda do prefeito carioca Cesar Maia e do então banqueiro Edemar Cid Ferreira, fez um esforço no sentido de instalar uma filial do Guggenheim no Rio de Janeiro. A idéia terminou rechaçada pelos altos custos públicos envolvidos.

A escolha de Armstrong para suceder Krens, mostra o jornal, aponta para um novo caminho. Pé no chão, preocupado com educação artística, parece entender que o museu é mais uma forma de promover enriquecimento cultural do que bons negócios. “Nós temos uma geração que sabe tudo sobre Paris Hilton, mas nada sobre Paris”, disse ele ao jornal. “Isso precisa ser enriquecido e colocado de volta na linha”. 

3 comentários to “Guggenheim escolhe um curador, não um showman”

  1. Pedro Costa disse:

    Fala Stycer. Tudo bem?

  2. rique disse:

    Cesar Maia e Edmar Cid Ferreira(Banco Santos),certamente ,seria início de uma bela amizade,se o Gug carioca fosse aprovado…
    Museu ,não é supermercado para ter filiais.O charme, é a singularidade.

  3. mauricio disse:

    As Artes em Geral para aqueles artistas mais ou muito badalados
    são previlegiados por grupos que estão no poder das instituições daquele momento, quem não pertence aquele grupo está alijado do contexto .
    Outra situação é a de Arte como mercadoria , negócio , badalação
    é claro que o reconhecimento de um Artista envolve tudo isso e aí é que está essa problemática .Por mais dura e injusta que seja
    essa batalha (ora se não é )os verdadeiros ARTISTAS não podem depor sua FORÇA , um dia seu valor será reconhecido apesar dessa sordidez .
    A Direção desse grande Museu está com a Razão chega de badalação inócua e Rumo a Grande Arte só de pensar que Van Gogth nunca vendeu uma pintura ….

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