José Geraldo Couto, Folha de S.Paulo, 27 de maio

José Geraldo Couto, Folha de S.Paulo, 27 de maio

Livro conta história do “Lance!” e analisa a imprensa esportiva

Jornalista Maurício Stycer descreve percalços da publicação, onde trabalhou

JOSÉ GERALDO COUTO
COLUNISTA DA FOLHA

Em 1997, um jovem empresário, um grupo de investidores e uma equipe de jornalistas -que mesclava um punhado de veteranos e uma legião de novatos- criaram um jornal diário de esportes, algo que não ocorria no Brasil desde os anos 30. Surgia assim o “Lance!”.

Testemunha e partícipe da experiência, o jornalista Mauricio Stycer, 47, primeiro editor-executivo do jornal, percebeu logo que ela lançava luz, simultaneamente, sobre a história da imprensa e sobre a história do esporte no país.

Ele fez do estudo do “Lance!” a sua dissertação de mestrado em ciências sociais na USP. O trabalho é lançado agora como livro, “História do “Lance!” – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo”.

A inserção da pesquisa na área de sociologia não é casual. “A prática do esporte no Brasil realça problemas fundamentais, ligados à histórica desigualdade social, à má formação educacional, ao patrimonialismo arraigado, ao mau hábito de transformar a coisa pública em bem privado etc.”, diz Stycer.

O livro procura mostrar, em sua primeira parte, como a imprensa brasileira, em particular a esportiva, refletiu e refratou historicamente essas questões.

Ao historiar os dois principais jornais esportivos do país -a “Gazeta Esportiva”, de São Paulo, e o “Jornal dos Sports”, do Rio-, Stycer destaca ainda o papel dos grandes jornalistas que os idealizaram e comandaram, respectivamente Thomaz Mazzoni e Mario Filho.

Modernização do esporte
Em meados dos anos 90, esses dois jornais agonizavam, e as perspectivas de modernização do esporte brasileiro -especialmente do futebol, com o fim da “lei do passe” e a promessa de transformação dos clubes em empresas- suscitaram no empresário carioca Walter de Mattos, visto como um “outsider” no mundo da imprensa, o projeto de criar um novo diário esportivo.

A ideia era fazer um jornal moderno, leve e dinâmico que atingisse prioritariamente os jovens de classe média, para os quais se abria todo um novo mercado de consumo ligado ao esporte. Daí surge uma das marcas do jornal: a linguagem quase infantilizada, próxima das histórias em quadrinhos.

O núcleo do livro de Stycer descreve e discute os percalços da colocação desse projeto em prática. O balanço que ele faz da experiência é positivo, apesar dos erros e tropeços.

“O “Lance!” é um dos dez maiores jornais do país, e chegou a circular com 280 mil exemplares, no dia posterior à conquista da Copa do Mundo de 2002″, afirma o autor, que trabalhou na Folha, em “O Estado de S. Paulo” e nas revistas “Época” e “Carta Capital”, entre outras publicações, e hoje é repórter especial do portal iG. O problema central levantado pelo livro continua em aberto: “É possível fazer jornalismo esportivo crítico e independente no Brasil?” A partir de agora, quem quiser ajuda para responder a essa pergunta pode ler “A História do “Lance!’”.


A HISTÓRIA DO LANCE PROJETO E PRÁTICA DO JORNALISMO ESPORTIVO

Autor: Mauricio Stycer
Editora: Alameda
Quanto: R$ 46 (320 págs.)

O texto pode ser lido aqui (assinantes do jornal).

2 Replies to “José Geraldo Couto, Folha de S.Paulo, 27 de maio”

  1. Como posso comprar o livro Histórai do Lance? Não o encontrei em Brasília.
    Se possível, informem-me por e-m, ou pelo telefone (61)- 3343-8114.
    antecipadamente, agradeço-lhe

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