Ainda não é tempo de retrospectivas sobre 2008, mas já me adianto – e por um motivo: a exposição de Frans Krajcberg em São Paulo, um dos grandes eventos artísticos do ano, talvez o mais importante, ainda está aberta. É um programa imperdível – e gratuito.
A mostra reúne 65 esculturas do artista, realizadas com pedaços de madeira retirados de queimadas e pigmentos extraídos da terra, além de 40 fotografias que documentam diferentes devastações ambientais. Também é exibido aos visitantes, no subsolo da Oca, no Parque Ibirapuera, o delicado documentário “Krajcberg, Poeta dos Vestígios”, realizado por Walter Salles em 1987 para a TV Manchete.
Espalhadas pelo salão da Oca, as esculturas de Krajcberg produzem um efeito impressionante. São belas e espantosamente assustadoras, nos chamando a atenção para o que a mão do homem é capaz de fazer – para o bem e para o mal.
Nascido na Polônia, em 1921, Krajcberg perdeu toda a família na Segunda Guerra Mundial. Chegou ao Brasil em 1948, naturalizou-se brasileiro alguns anos depois e, desde 1972, mora no sul da Bahia, num sítio em Nova Viçosa, onde mantém o seu ateliê.
A exposição, que comemora os 60 anos do Museu de Arte Moderna, é a maior reunião de obras de Krajcberg já montada na cidade. Até 14 de dezembro. De terça a domingo, das 10h às 18h.




