Copiando descaradamente o título da coluna que Nelson Rodrigues assinou em “Manchete Esportiva”, volto a falar de Maradona no blog. Assisti nesta quinta-feira ao documentário que Emir Kusturica fez sobre o maior jogador da história da Argentina e, acho, entendi melhor as reações de Maradona à pressão que vem enfrentando no comando da seleção da Argentina.
“Maradona” foi exibido no Festival do Rio e está programado para a Mostra de Cinema de São Paulo. Sua estréia comercial está prevista para novembro. Sem nenhum distanciamento, como escrevi no Último Segundo, Kusturica trata Maradona como Deus e mostra que essa idolatria se espalha de Buenos Aires a Nápoles.
De certa forma, o próprio personagem se vê como uma figura mítica, cuja único tropeço na vida foi a cocaína. Não fosse a dependência da droga, que quase o matou, Maradona sugere que teria sido o maior jogador da história, maior que Pelé ou qualquer outro: “Fica um gosto amargo na boca. Eu teria sido muito maior que sou.”
Dias atrás, já havia falado sobre Maradona aqui no blog: que outro técnico seria capaz de dar um “peixinho” para comemorar a vitória de seu time, depois de um gol aos 48 minutos do segundo tempo? Só um técnico sem a menor vocação para este ofício, mas com um carisma extraordiário, uma energia única e o coração a mil, como se ainda estivesse em campo, jogando.
Ao reagir violentamente contra a imprensa ao final da partida que classificou a Argentina para a Copa de 2010, Maradona causou um mal estar que pode complicar ainda mais a sua situação como técnico da seleção. O seu destino está nas mãos de Julio Grondona, cartola que há 30 anos comanda o futebol da Argentina e é um mestre na arte de lidar com batatas quentes.
Sei que os números de Maradona à frente da seleção são péssimos, mas gostaria, em nome da diversão, de vê-lo dirigindo a Argentina na Copa.
