Comentei sobre “Garapa” com um importante e respeitado nome do cinema brasileiro. Ele não havia visto o filme ainda, quando conversamos, e começou a me fazer perguntas. Eu disse que não gostei da forma como José Padilha apresenta o problema central – a fome no sertão do Ceará e na periferia de Fortaleza. O cineasta quer obrigar o espectador a se sensibilizar com o drama – é preciso sentir a fome, acredita ele, para entendê-la.

Para isso, Padilha acompanha a rotina de três famílias miseráveis, sem dinheiro nem comida, cujas mães alimentam suas crianças com um composto de água e açúcar (a “garapa”), enquanto os pais, sem trabalho, passam o dia a toa. Padilha, contei, mostra esta rotina em detalhes, com a câmera em close e imagens em preto e branco, num esforço de chocar o espectador.

Foi nessa hora que o meu interlocutor perguntou: “Aparece mosca na cara das crianças?”. E eu: “O tempo todo. Moscas e mosquitos não saem dos rostos das crianças filmadas”. E ele: “Então não dá. Esse é golpe mais baixo que existe”.

Na visão de alguns críticos, os recursos que Padilha mobiliza para expor a fome são “polêmicos”. Acho mais que isso: vejo um problema ético envolvido nesta produção. A certa altura do filme, Padilha oferece uma aspirina para um personagem que está com dor de dente. Ele informa que o analgésico não vai resolver o problema, apenas atenuar a dor. Podemos falar a mesma coisa do seu filme.

O texto que escrevi em março, sob o impacto da sessão que assisti, foi publicado no Último Segundo e está aqui. “Garapa” estréia nesta sexta-feira em grande circuito.

Em tempo (atualizado às 16h50): Meu amigo Ricardo Kotscho, cujo blog é vizinho ao meu aqui no iG, me informa: “O Padilha me disse – e eu escrevi na reportagem que sairá na próxima edição da revista ‘Brasileiros’ - que toda a arrecadação gerada pelo filme será doada às famílias que nele aparecem.”

52 comentários to “O “golpe baixo” de “Garapa”: mosca na cara das crianças”

  1. Lívia Lima disse:

    Bem, eu assisti ao filme no Festival É tudo verdade e me senti muito mal após a sessão. Isso é sinal de que então Padilha alcançou seu objetivo no grande público, mas não acho que isso seja negativo e sirva apenas como análgesico do problema.

    A fome existe e às vezes só com denúncia desse tipo, sobretudo no cinema, podem produzir efeitos que tentem reverter a situação. E acredito que por isso a obra de Padilha não tenha sido produzida em vão, e a intenção é boa sim.

    Sou jornalista e escrevi sobre o filme no meu Blog, eis o link:

    http://a-liviando.blogspot.com/2009/04/e-voce-que-financia-essa-m.html

  2. rainersousa disse:

    Mais um discípulo da escolinha Sebastião Salgado de chocar o público e encher as burras com dinheiro.

    Nessas horas não há como criticar o Joãozinho Trinta: “Quem gosta de miséria é intelectual!”

  3. Ronald. disse:

    Já viajei por muitos lugares deste Brasil, vi brasileiros famintos em vários lugares. Se mostrar a verdade é usar um golpe baixo, então vamos continuar achando que o Brasil são as novelas da Globo, Record(em nome do Senhor)………. e por ai vai.
    O Brasil não conhece o Brasil.

  4. Fabiana disse:

    O que eu não acho correto é utilizar as crianças no filme, e não fazer nada para melhorar a situação delas. Por exemplo: será que pagaram um cachê decente, será que a produção verificou se havia condições de as crianças participarem de programas sociais como o Bolsa Família e mais importante, será que os atores mirins levarão uma parte do dinheiro que o filme vai arrecadar?
    Aí, sim, faz-se a necessária denúncia social, porém não se “usa” os responsáveis pelo sucesso do filme.
    Já vimos esses fatos acontecerem desde PIXOTE, do Hector Babenco.
    Foi também por esse motivo não assisti ao indiano” Como se tornar um milionário”, que( eu já suspeitava e depois confirmei) ganhou o Oscar e vários prêmios e não ajudou as crianças em nada.
    O pai de uma delas tentou até colocar uma das meninas à venda.
    Sem mais comentários…

  5. Mara disse:

    Não vi o filme, nem pretendo ver.. este quadro nas esquinas das capitais do nordeste tornou-se banal..!!
    Gostaria de ver um brasileiro fazer um filme que mostrasse soluções.. emocionar e fazer chorar classe média é fácil.. o terrivel é ver as crianças ao vivo perto de um lixão disputando com as moscas e baratas um pedaço de pão podre… eter que engolir “democraticamente” os malditos politicos passeando pela europa e roubando, roubando roubando….
    em tempo a garapa das crianças abandonadas nas capitais .. em vez de açucar e água é crack!!!!

  6. Victor Rodrigues disse:

    É, assisti o filme no É tudo verdade, e confesso que a exibição “crônica” das moscas, principalmente no menino mais novo, me trouxe um incômodo em relação às escolhas do filme.

    Mas daí já colocar o Padilha como anti-ético acho um equívoco. Anti-ético é o governo, que embora na esfera federal pareça historicamente o mais preocupado em erradicar a miséria, em geral desconsidera totalmente o problema dos pobres no país.

    Padilha acaba sofrendo esses tipos de “sanções cinematográficas” por conta do seu Tropa, o que nos resguarda a duvidar de suas intenções. Mas com toda a desgraça, acho importante esse documentário ser exibido e discutido, menos pelo mérito e ética do diretor, mais pela situação exposta no filme.

  7. Clodoaldo Moraes disse:

    Ainda não vi o filme, tenciona vê-lo, mas antecipo minhas teorias. infelizmente em nosso país as denuncias veiculadas por meio dos muitos meios de comunicação existendes causam mal-estar momentânio nas pessoas, sobretudo em nossos insensíveis políticos. vou mais além, algumas “obras” são sensacionalistas. É, vivemos em um país “sensacional”.

  8. jaime jardim disse:

    Só duas perguntas:
    Quem financiou este filme? e se ele vai doar algum percentual para combater esta fome que ele espelha.

  9. Valeria disse:

    Talvez seja por isso que Joaozinho Trinta esta do jeito que esta. Por nao se importar com a miseria. Isso tambem serve para tantos outros senhores de si mesmos, existentes no Brasil, nao assisti ao filme ainda, mas ao meu ver tudo nessa triste vida tem dois lados.As pessoas nao querem saber se as pessoas morrem de fome no Nordeste,na Africa ou sei la aonde……….elas querem saber delas ,das dores delas,que e sempre maior do que a do outro.Aquilo existe, existem moscas pousando na boca daquelas criancas, e isso nao e ficcao, isso e realidade, aonde ja se viu, pessoas morrerem de fome, mas quem se importa??? E por causa de lixo de pessoas que esse pais nao caminha pra frente.

  10. Regina disse:

    Não vi nem quero ver. Que lástima!

  11. Roberto Fonseca disse:

    Não assitirei a um filme desse estilo, porquê menospreza o lado infantil de crianças que têm a desdita de nascer em paises que as destroem, através do egoismo implantado nas cabeças dos poderosos. Os filhos destes são bem tratados e nem vão presenciar filmes desse estilo. Me admiro desse cineasta que quer aparecer depois de ter maltratado as crianças brasileiras que já são maltratadas pelo prórpio sitema corrupto. Chega. Nota Zero à esquerda.
    RF

  12. Fonseca disse:

    Confesso que ainda não entendi qual é o seu ponto central de argumentação com relação a esse filme. “O filme não irá resolver o problema da fome, apenas atenuar????” O que isso quer dizer? Se essa for a intenção de um único filme, então esse problema não é ético, mas de sanidade mental. Não consigo ver que essa tenha sido a intenção dele; não consigo, de maneira antecipada e incoerente, desmerecer um trabalho que parece ser diferente da mesmice que fazem hoje em dia.
    Não o assisti ainda; não tenho opinião formada a respeito e também não consigo ser tão dogmático a ponto de julgar o filme pela aparição de moscas em crianças. Acho os seus textos muito interessantes, como p.ex. aquele que você colocou aqui de uma mãe que escreveu sobre a experiência de ver a filha tão animada por uma boy band (john brothes, ou algo assim), mas que depois viu esse animo sumir. Aquele texto era um elogio à diferença, a algumas maneiras de se ver e criticar o mundo. Essa sua posição com relação ao filme, que não se sustenta em argumentos plausíveis, já me parece algo pessoal ou reflexo de algum afeto não muito bem resolvido; talvez eu esteja errado; por isso, irei assistir ao filme.

  13. David Luis Chiusoli disse:

    Gostaria de saber por que mostrar a realidade por mais que atrás de cenários e formatos criados para abrilhantar a realidade ainda ofendem a tantas pessoas??A fome existe sim, e o problema maior acho que nem é fome, o problema maior é não querer que a fome seja vista!! Sou professor, dou aula para crianças que vão a escola para comer, nada mais! Saem com a barriga cheia e a mente vazia! Aí eu me pergunto..Por que a fome, a miséria em si, atormenta tanto os mais abastados?? e acabo concluindo num paradoxo…para eles (os abastados, políticos, e sociedade burguesa em geral) o povo precisa ter fome pra não pensar em outras coisas, pois só viveriam pra conseguir o ´~ao de cada dia e, comendo, não teriam mais nada pra se preocupar , questionar ou entender o por quê sentem fome!! Não se importariam em buscar cidadania, seu lugar na sociedade, pois comer seria a sua maior utópia! Leve leite, não conhecimento, merenda sim, professor não!! e por ái vai! Os muros altos dos condomínios estão sendo superados, e hoje, o que muitos não querem ver, ou não acreditam que possa exisitir, saltam das telas da ficção e lhes cobram seu lugar através da violência, violência esta, nada mais que o conhecimento, mestrado e doutado adquirido com uma vida regrada de fome saciada por assistencialismos sem nenhuma preocupação de inserção social!!!

  14. Luiz Alves disse:

    A verdade nua e crua tem de ser denunciada mesmo. Jogar na cara dos babacas de classe média e burguesinhos inúteis que acham que vivem no país das maravilhas e temem a dor de consciência.

  15. Roberto disse:

    Creio que um dos motivos da realização do filme seja esta, provocar a discussão na sociedade em torno de um problema que todos nós sabemos que existe, mas infelizmente fingimos, no conforto do nosso lar e com a mesa cheia, que não existe.
    Brasil: pais que maltrata os seus mais humildes filhos.
    Políticos: não há necessidade de sua existência.

  16. André Costantin disse:

    Achei bom texto do colunista e destaco que o comentário do seu interlocutor, citado na coluna, “tem mosca na cara dos piás?”, tem a ver com análise de linguagem. Obviamente, no âmbito da exploração do tema da miséria, do qual o cinema brasileiro quase não consegue se libertar, gravar moscas e meter preto e branco na tela (um efeito dramático irrealizante, para quem se propõe a um registro realista) são golpes baixos. A miséria vê a realidade em preto e branco? Os aforturnados vêem as cores. Isso é muito primário.
    Sabe, estou lendo as novelas de Corpo de Baile, de Guimarães Rosa. Já cumpri as travessias de Grande Sertão e Sagarana, Primeiras Estórias. Os personagens sertanejos, por mais pobres que sejam, vêem e trasmitem um mundo de cores. Porque a linguagem do autor é rica, complexa, multifacetada e multidirecional. Há pouco vi um filme baseado em obra do próprio Guimarães, Mutum (filme bem feito até), e eis que a miséria das personagens vêm à tela em primeiro plano, numa tocante pobreza de espíritos – uma pena. O cinema brasileiro precisa aprender com a literatura, com a música. Eu, como realizador, preciso aprender também. Estamos todos subnutridos de linguagem. Comida é o de menos, inclusive para o pobres coitados explorados pelo Padilha. Falta-lhes linguagem.
    André Costantin.

  17. Marcelo disse:

    Não vi o filme, logo, não posso condenar o diretor. Mas, se além do impacto visual que este filme causa, houver uma crítica da realidade brasileira, se o filme conduzir as pessoas a uma reflexão do que somos e do que queremos ser, como brasileiros, e como gente, existirá aí algum mérito. Mas que a mensagem não se desfaça como fumaça, que não fique só nas boas intenções e na piedade gratuita.

  18. Valter disse:

    Comentar um filme que fala de fome , sentado confortavelmente em sua poltrona no cinema ou em casa é um despropósito brutal. Ser crítico observando de longe é um exercício corriqueiro de todos nós que fazemos parte da sociedade dita “civilizada’ e “envolvida” com as causas dos mais necessitados. Mosca na cara de crianças e adultos que vivem na linha de pobreza é algo “normal” no dia dessas pessoas. Cabe a nós mudarmos este panorama desumano.

  19. Marilene Coelho disse:

    Então continuaremos a ver filmes americanos, com realidades americanas, com contextos americanos. Até que algum dia fiquemos pobres o bastante para passarmos fome e sentir na pele como é isso…
    A arte é feita justamente para nos levar a realidades que não nos pertencem…

  20. David Bispo Ramos disse:

    Com filme, sem filme, com Padilha, sem Padilha, se não fizermos alguma coisa, as moscas continuarão pousando no rosto de crianças. Afinal, o que há conosco? Condenamos Padilha porque nos mostra o que não queremos ver. Infelizmente, as moscas continuam lá e nós aqui confortavelmente instalados e criticando o que sequer assistimos…

  21. mause kzam disse:

    acho que o filme é de forma sim 1 forma de representaçãoa mizeria de nosso país.
    Autoridades se esquecem das necessidades públicas pelo simples fato de que para eles isto é normal.
    garapa conta não só as calamidades do povo cearense + sim de muitos e muito brasileiros que não tiveram a oportunidade de ser ajudados com os impostos que pagamos a Receita Federal.
    Cineografar é mostrar a realidade, é ter atitude de mostrar os fatos como eles são. E não fantasialos com market e aceitar tudo da meneira que está.
    Lamento, que DEUS perdoe aqueles que desvião verbas federais a estas pessoas.

  22. Castor disse:

    “Ele informa que o analgésico não vai resolver o problema, apenas atenuar a dor. Podemos falar a mesma coisa do seu filme.”

    CLAP,CLAP,CLAP,CLAP.

    impecável esse final.
    abração.

  23. mauro disse:

    O filme é um tapa na cara de quem acusa os governos (qualquer que seja) de oferecer “bolsa esmola”. pelo filme, notamos que tem muita gente que nao tem a estrutura mínima, necessitando com urgência de ajuda, senão aquelas crianças mostradas apenas repetirão a vida desgraçada dos seus pais.

  24. Carmem Cecília disse:

    Adoro os filmes de Padilha. Sou professora do ensino médio e muitas vezes utilizo seu trabalho para demonstrar uma forma diferente de fazer arte.É muito bom que também tenhamos diretores que façam um trabalho onde é mostrado a realidade brasileira que poucos querem admitir que exista. Bravo Padilha! Não se intimide cim a “mesmice” das estéticas conservadoras !

  25. David Luis Chiusoli disse:

    Bem pessoal, o comentário acima deste André Constantin, retrata exatamente o que eu estava querendo dizer sobre o que a burguesia quer ver na miséria! Enquanto todos falamos da nossa inércia, enquanto muitos continuam sofrendo. Ainda temos que aguentar um pseudo crítico de cinema, mais preocupado em comparar Guimarães Rosa com Padilha, do que olhar para os dois lados quando chega em casa!! Realmente seria muito mais bonito se o Padilha mostrasse o sertão, a fome ,sobre o olhar literário de João Guimarães Rosa, ou mesmo Gonçalves Dias, afinal, nossa terra tem bandeiras onde canta o sabiá, não é mesmo??

  26. Sérgio disse:

    A frase do Joãozinho Trinta eu atualizaria para “quem gosta de miséria maquiada é intelectual”.

    Não compreendo como alguém possa se predispor a assistir a um documentário com esse tema e, de alguma maneira, se mostrar surpreso com as cenas apresentadas.

    Se existem as moscas e não foi o diretor quem as posicionou no rosto das crianças, por que culpá-lo apenas por esfregar a dura realidade nas nossas caras?

    Um filme sobre um tema tão chocante e revoltante não pode ser encarado como mero “cinema”, no sentido de entretenimento, e deve sim mostrar as coisas como elas são, por mais repugnantes que sejam.

    Algumas pessoas criticam independente do resultado. Fosse o documentário recheado de cenas mais amenas, aí diriam que a realidade é muito pior, e que o diretor não soube retratá-la como deveria.

  27. wilson disse:

    Tem q.mostrar mesmo p/ver c.estes politicos 100 vergonha parem de roubar dinheiro p/gastar c/mulhres,bebidas,luxo etc..e enviem p/onde é necessario.

  28. Fred Delgado disse:

    A situação é apelativa, necessita-se de apelo. É preciso mostrar o que acontece realmente para alguma coisa mudar, ou ao menos chocar.
    Mostrar a fome querendo uma visão poética, onde moscas não tocam os lábios de crianças, pois mesmo miseráveis são imaculadas, não existe.
    Anti-ético seria manipular a situação. Mas ela existe e todo mundo pode ver, basta só olhar na direção certa. Nós temos a péssima mania de alisar quando deveríamos bater e bater quando deveríamos alisar.

  29. Pedro disse:

    Maurício, mostrar a realidade assim, mesmo que tenha chocado-o tanto (ainda não entendi pq) não é válido?

    Achei o filme verdadeiro, válido e real. O seu comentário soou burguês e frio.

    Outra coisa, seu comentário:
    “Ele informa que o analgésico não vai resolver o problema, apenas atenuar a dor. Podemos falar a mesma coisa do seu filme.”

    Queria que Padilha fizesse o que? Ah! Queria que o cineasta criasse um programa assistencialista, fraco e totalmente político para socorrê-lo? Fique tranquilo, pois nosso Presidente já fez isso.

    Mais ação, menos crítica. Sentir-se-á melhor.

  30. Eduardo disse:

    Brasil nao conhece o brasil realmente tem que mostrar mesmo

  31. Elton Fernandes disse:

    Golpe baixo quando se trata de um documentário? O que você queria? Que ele, antes de fazer o documentário, pintasse a casa, levasse na mala um pouco de arroz e feijão?

    Isto é um documentário e se “documenta” exatamente aquilo que se vê. Choca os burgueses porque vocês tratam a pobreza com nojo, solidariedade e vontade estética de limpeza.

    Documentário é isso… seria Golpe Baixo “maquiar” a situação das famílias, isto sim!

  32. Nivaldo disse:

    Não adianta mostrar o que todo mundo já tá careca de saber. Um paulistano não precisa ir ao cinema pra ver um menino passar fome. Basta olhar pela janela.
    O que precisamos é de atitude, cobrança…espírito do argentino e do sul coreano, que quando o governo fala em tirar um tostão da educação, por exemplo, vão pra rua e quebram tudo. Mas estamos mais preocupados é com nosso próprio umbigo.

  33. Elton Fernandes disse:

    Jaime,

    Toda a renda do filme, parece que será revertida às três famílias.

    Quem financiou eu não sei…

  34. Leonardo disse:

    Documentário tem que mostrar aquela pobreza brega e quase bonita que estudante de jornalismo adora.

  35. Luciano disse:

    Pelo jeito o Sr. Padilha vai ter que fazer mais uns dez filmes bons para a crítica de o Brasil começar a respeitá-lo. Agora vamos aguardar uma produção sobre os tempos da ditadura que deve estrear esse ano (todo ano tem um filme destes) e que provavelmente vai ser indicado para concorrer ao Oscar e não ficar nem entre os 10 candidatos…

  36. hugo disse:

    Qual o problema de ter “moscas na cara”?

    Por acaso ele jogou moscas nas crianças para dar “efeito dramatico”? Ou elas estão lá, junto com os ratos e esgotos da socieadade “classe média” que acha que pobre só é pobre por que é vagabundo?

  37. FÁTIMA disse:

    Confesso que não entendi o porquê de não se dever mostrar as moscas no rosto das crianças. Aí está a diferença: quer dizer então que se deveria maquiar as crianças, as cenas, o cenário para que não ficássemos incomodados. Aliás, seu post soa talvez com um certo pedantidsmo de jornalista do asfalto. Não vi o filme, mas, certamente essas “moscas” são parentas próximas de muitas outras que posam nos lixões das nossas capitais civilizadas.

  38. Antonio Mazeto disse:

    Não vi o filme, no entanto, sou totalmente avesso que alguns mais espertos usem das condições de vidas de pessoas menos favorecidas para tirar vantagens pessoais.
    Vale ressaltar que este tipo de evento ocorre, não só neste filme qual está sob a manifestação de boa parte da sociedade através desta pagina, mas também por vários outros programas de apresentadores que se dizem renomados, cujos programas são apresentados em várias emissoras da televisão brasileira.
    Dizer que existe miséria no brasil é muito fácil, mostrar imagens é muito mais facil ainda.
    Agora, a sociedade num todo, especialmente o “sistema” se empenhar de verdade para a solução, isto é dificil, pois, terão que mudar conceitos de politica social, modo da classe menos favorecida se posicionar diante de sua situação financeira e/ou enfrentá-la, modificar as atitudes daquelas pessoas que normalmente agromeram para si o poder aquisitivo, dentre outras tantas razões que não estão aque descritas.

  39. Renato disse:

    Parabéns ao Padilha, por ter a coragem de mostrar o verdadeiro “brasil”(com b minúsculo mesmo), que muitos ou todos não mostram. Aos que estão criticando, pergunto se já fizeram alguma coisa na vida para ajudar pessoas carentes. Ficar na frente do computador criticando é muito fácil, queria ver os jornalistas, escritores, artistas, jogadores de futebol, políticos, entre outros, que fazem fortunas com o dinheiro ganho do povo a fazerem alguma coisa para ajudar essas pessoas que não tem um pingo sequer de dignidade. Ouvi uma vez a frase que diz : – “Quem não sabe dividir não poder ter nada.”

  40. Renato disse:

    Seria melhor o Padilha fazer um documentário de crianças ricas, bem alimentadas que estudam em colégios que a mensalidade custa o que muito pai de família não ganha em um ano de trabalho. Sugiro os filhos e netos desses jornalistas, e com certeza eles se sentirão melhor.

  41. Graja disse:

    Mosca é o que mais tem nas QUENTES cidades do Nordeste, seja numa comunidade pobre seja numa fazenda rica.

  42. J L disse:

    será que o Padilha teve a luz de tentar conscientizar essas pessoas sobre a necessidade e as virtudes de um controle de natalidade ? a fim de que , daqui prá frente, esses pobres atores coitados , não procriem em tanta quantidade ?

  43. lii disse:

    se nao gostou do filme,

    vai la e descobre uma maneria de mobilizar todos nós, insensiveis q estamos, a resolver o problema entao.

    criticou a vtd.
    mas kd a solução?

  44. Neto disse:

    O “golpe abaixo da linha da cintura” de Maurício Stycer.

    Gostei da forma como o cineasta José Padilha mostra o que é passar fome em uma pequena parte do nordeste brasileiro. Ele não mostra o drama da fome, como muitos dizem por aí. Repito: ele mostra o que é passar fome. Drama quem faz somos nós quando assistimos ao filme ( ou documentário). Aquilo é uma tragédia anunciada – que vem de longas décadas, um crime contra a humanidade, uma luta pela sede de viver e muitas coisas além da nossa pequena imaginação sobre o que é passar fome, e que decorre de uma série de fatores que no momento não tenho a mínima vontade de debater neste espaço. Digo uma luta pela sede de viver já que naquele local aonde foi rodado o filme ( ou documentário) não se tem registro de suicídio por parte dos moradores daquela região. Em momento algum me senti obrigado pelo cineasta a sensibilizar-me com a situação de miséria absoluta em que vivem aquelas seres humanos. Tive, sim, inúmeras sensações, emoções, comoções, dor, raiva, constragimento por não fazer nada para minimizar aquilo e uma PEQUENINA COMPREENSÃO do que é a FOME. Confesso que não fiquei chocado, pois já vi coisas parecidas. E o que é pior, na vida real. Para entender a fome, é preciso senti-la. Acredita Padilha. Eu também acredito. Mas, sentir a fome através das “Artes” – no caso aí, o cinema – é suficiente para entendê-la? Acredito que não. Quem sente a fome através das “Artes” é quem faz “drama”. Padilha não fez “drama”. Sentir a fome é ficar sem comer. Tente, um dia, passar da hora de sua refeição habitual! Ah! Vai sentir a fome, mas “sabes que vai passar pois tens o que comer”. Lá é diferente!! O esforço do diretor Padilha é justamente este.

    Pelo que sei, documentário – e acho a fita de Padilha, “Garapa”, um documentário – é feito, inclusive, de cenas reais. No tempo e no espaço, se assim quiserem. Como ignorar cenas interessantes e importantes em documentários sobre o Holocausto, Guerras Mundiais, Tráfico de Drogas e Pessoas, Máfias, Prostituição e tantos outros temas que afligem os seres humanos?

    “Aparece mosca na cara das crianças?”. E eu: “O tempo todo. Moscas e mosquitos não saem dos rostos das crianças filmadas”. E ele: “Então não dá. Esse é golpe mais baixo que existe”. “Golpe baixo” seria – e olhe lá se seria – se o diretor Padilha filmasse atores interpretando esta cena. ” Golpe baixo” – do Estado e da sociedade – são as moscas e mosquitos que não saem dos rostos das crianças. “É muito mais que um problema ético”.

    Para alguns, ou muitos ( não sei bem), é muito mais fácil gostar de documentários de entretenimento: Animais da África, Amazônia etc etc etc. Para outros, no entanto, é muito mais fácil polemizar com os SUPOSTOS recursos utilizados pelo documentarista Padilha do que entrar firme e objetivo na discussão sobre a fome no Brasil e no mundo. Os que gostam de entretenimento e os que gostam de polemizar com recursos cinematográficos caem fora da dicussão séria sobre a fome, pois, para eles, o debate é como… uma aspirina, um analgésico; não vai resolver nada mesmo…

  45. Same Old Shit disse:

    De saco cheio da ‘estética da fome’ e de artistas cabeças que só sabem ficar mostrando desgraça, miséria, gente pobre, faminta, drogada, suja. Desde Glauber que já se esgotou os assuntos ‘fome e miséria no nordeste’ e ‘favelândias no sudeste’. Saudade de Fellini que mesmo sem orçamento mostrava coisas muito mais belas e engraçadas. Cineastas, teatro e cinema brasileiro é tudo uma merda, mambembe, pobre, feio, falido, mal feito. sempre foi.

  46. BuBa disse:

    Eu concordo com os comentários enviados por :
    29/05/2009 – 16:19
    Enviado por: Nivaldo
    e
    29/05/2009 – 17:41
    Enviado por: Antonio Mazeto
    E quanto ao texto >É um documentário oportunista e obviamente não assistirei a um filme desse estilo. É ridiculo explorar a miséria humana para autopromoção
    Nós sabemos que muitas pessoas encontram o seu alimento em meio a dejetos de outro ou alguém ainda tem dúvida disso?
    Nóssssssss vemos em cada esquina as pessoas se alimentando de objetos estragados, comidas sujasssssss e não precisamos de um documentário para isso
    A verdade esta ai…DIARIAMENTE..nas esquinas e só não vê quem não quer.
    Analgésicos quando a dor é crônica? Ah me poupe

  47. Crovis Limone disse:

    Por isso a comédia ” Se eu fosse você” bateu record de audiência nas salas de cinema. Os brasileiros já estão cansados do modelo fome, pobreza e miséria nas telonas- tá na hora do cinema brasileiro se desprender desse conceito.

  48. Sandro Luiz disse:

    Estou cansado de críticas de cinéfilos que sustentam um falso conhecimento sobre a arte. Se a arte é a representação da realidade, segundo a mímeses de Aristóteles, o documentário de Padilha foi fiel a este conceito. Existem sim crianças pobres em todo o Brasil e no mundo, mas o documentário brasileiro provoca um “soco no estômago” dos falsos críticos de arte e dos pequenos burgueses da sociedade brasileira. Infelizmente, o brasileiro gosta é de historinhas com final feliz, de filmes como (Quero ser um milionário) que glamoriza a miséria e apresenta uma falsa estética da pobreza. O documentário de Padilha tem sim o seu valor como arte e alerta sobre o fato de que não precisamos de compaixão e sim de ação e vontade política. O que necessitamos é de parar de assistir as novelinhas com final feliz e se rebelar contra a inércia do estado e da elite que nunca saiu do poder neste país.

  49. José Simões disse:

    “..fazer chorar a classe média é fácil.”Realmente, principalmente se esta classe média, que se diz (de)formadora de opinião, tem sua opinião moldada/formada pelas novelas da globo, onde só é mostrado o politicamente correto. Vide esta “Caminho das Indias”, onde a miséria do País passa longe, e só vemos as maravilhas do consumo desta mesma classe!.
    Quanto ao filme, ainda não o ví, mas o Padilha sem dúvida, pela sinopse que lí, deve ter pretendido mostrar as entranhas daquela região do Brasil, que muitas vezes é ingnorada pela mídia de massa. Mostrar a Belíngia que choca a nossa classe média, não agrada a todos! Aos nossos olhos, é muito melhor ver o sudeste com a Barra da Tijuca e seus neons em inglês, e os Shopping Centers, ou então as praias do nordeste e os hotéis de luxo para os turistas estrageiros, que à visão de uma família brasileira que bebe “Garapa” para sobreviver.
    Dos inúmeros comentários contra e a favor da película, só posso lamentar que ainda estamos muito longe da realidade.
    Enquanto não nos tornarmos mais críticos e participantes com relação as políticas públicas implementadas pelos governantes, ainda veremos em nosso País muito do que foi mostrado neste filme nas períferias das grandes cidades.
    Pensem nisto.

  50. wilbury disse:

    Mauricio,

    Ainda não assisti o filme (omissão da preposição é de propósito), mas pelo o que deu pra entender do seu texto é que o Padilha se esqueceu de que a arte tem que ser maior que a realidade. Obras de grandes artistas tem esta qualidade: Feios, sujos e malvados do Scolla, The lonesome death of Hattie Carrol do Dylan, só pra ficar em dois exemplos no cinema e na música, falam da tragédia sem deixarem de fora a poesia, a magia, a beleza, enfim. Tá certo que tal comparação é covardia com o diretor brasileiro, mas pelo jeito ele tá meio fora do caminho, nenão? Volto ao seu blog depois de assistir o filme (de novo sem a preposicao chata).

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