Vik Muniz encontra-se numa situação privilegiada para discutir abertamente um tema que causa certo constrangimento em alguns meios: o lugar da arte no mercado. Artista respeitado pela crítica, Vik tornou-se, com a retrospectiva de sua obra no MAM, do Rio, o artista contemporâneo que mais público atraiu na história do museu carioca: 48 mil espectadores em dois meses.
Às vésperas da abertura da exposição no Masp, em São Paulo, o artista falou ao Último Segundo do prazer de ser descoberto por um novo público. “Meu barbeiro, no Rio, o Robson, falou que foi na exposição com a filha e adorou. ‘Tava lindo, muito bonito’. Um motorista de táxi me recomendou a minha exposição. ‘Você é fotógrafo? Tem que ver essa exposição no MAM!’. A Regina Casé me disse que foi depois de tanto ouvir a cabeleireira dela recomendar. Dá para fazer isso. É só você ser um pouco mais aberto”, diz Vik.
É nesse sentido que deve ser entendida a provocação de Vik: “Para manter a relevância da arte contemporânea, é preciso fazer as pazes com o público.” O artista não está dizendo que a arte deve ser fácil ou vendável, mas recomendando aos seus colegas que sejam um pouco mais “carinhosos” com o público. É uma proposta polêmica, reconheço, mas seria enriquecedor se fosse enfrentada pelos contemporâneos de Vik.
PS: A foto acima, que ilustra este post, foi tirada pelo próprio Vik Muniz diante de um auto-retrato seu de uma série feita com brinquedos. Abaixo, o artista diante do quadro, em foto minha.

