O blog vai à Mostra III: O lado B da Europa em dois grandes filmes

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Temáticas, formas de filmar, sensibilidades: há muito pouco em comum entre “Gomorra” e “O Silêncio de Lorna”, salvo o fato que ambos foram premiados em Cannes em 2008 e expõem a permanência de problemas graves na porção mais próspera do Ocidente.

Adaptação de uma obra do escritor Roberto Saviano, o filme dirigido por Matteo Garrone é um assustador mergulho no mundo da Camorra, a máfia estabelecida na região de Nápoles, no sul da Itália. O registro de Garrone é quase documental. Em poucos minutos, o espectador entenderá a brincadeira de Saviano com o título – “Gomorra” em lugar de “Camorra”. Estamos próximos do inferno. O espectador é levado a passear pelos conjuntos habitacionais da periferia de Nápoles, onde gangues impõem o respeito à base de violência, coação e suborno. Os negócios da Camorra, mostra o filme, vão além de tráfico de drogas, exploração do jogo e comércio de armas: eles se estendem também à indústria do lixo e à estocagem irregular de dejetos químicos poluidores.

Falado quase integralmente em dialeto, “Gomorra” foi exibido com sucesso em Cannes este ano, onde ganhou o Grande Prêmio, o segundo mais importante do festival. Esta semana, na Feira do Livro, em Frankfurt, Saviano e Garrone receberam o prêmio Hessische Filmpreis, entregue desde 2004 à melhor adaptação cinematográfica de uma obra literária. Pela primeira vez, o prêmio não foi dado apenas ao cineasta, mas também ao escritor – uma forma de homenagear Saviano, que desde a publicação do livro vive sob proteção policial.

“O Silêncio de Lorna”, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, trata de outro tipo de violência, a luta de imigrantes do Leste europeu pela sobrevivência na zona mais próspera do continente. O filme se passa na Bélgica e retrata o esforço de uma imigrante albanesa em se estabelecer no país. Para isso, veremos como ela se envolve com a máfia russa em busca da cidadania belga. Mal o filme começa, entendemos que, para obter o documento, ela teve que se casar com um viciado em drogas e, em seguida, precisa se livrar dele para poder ser oferecida como uma “legítima” belga a um outro imigrante.

Como outros filmes dos irmãos Dardenne (“Rosetta”, “A Criança”, ambos vencedores da Palma de Ouro, em Cannes), a força de “O Silêncio de Lorna” vem da forma sutil e delicada com que os cineastas registram as fraquezas humanas e as emoções dos personagens. O filme ganhou o prêmio de melhor roteiro em Cannes, este ano. A quase estreante Arta Dobroshi, atriz que encarna Lorna, é um trunfo e tanto deste filme.

“Gomorra” será exibido neste domingo, dia 19, às 20h50, no Reserva Cultural; no sábado, 25, às 16h, no Espaço Unibanco Pompéia; e no domingo, 26, no Espaço Unibanco Pompéia.

 “O Silêncio de Lorna” ainda será exibido na segunda-feira, dia 20, às 21h, no Cine TAM; na sexta-feira, 24, às 17h10, no Espaço Unibanco Augusta; e no domingo, 26, às 22h, no Espaço Unibanco Pompéia.

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