O blog vai à Mostra V: Jennifer Lynch, vigiada pelo pai

O blog vai à Mostra V: Jennifer Lynch, vigiada pelo pai

A tentação de fazer piada com o nome do filme, “Surveillance” (ou vigilância, em português), é grande. Não bastasse ser filha de um dos mais importantes cineastas americanos vivos, Jennifer Lynch ainda escalou o pai no papel de produtor-executivo de seu filme. Mas é preciso dizer que “Sob Controle”, título escolhido pela tradução brasileira, embora seja um thriller onde se enxerga pitadas de Lynch pai, vai bem além dele.

Ainda inédito nos Estados Unidos, o filme de Jennifer Lynch tem percorrido o circuito de festivais internacionais, num sinal de que seus produtores esperam vida difícil no circuito comercial americano.  

“Sob Controle” trata da chegada de uma dupla de investigadores do FBI a uma cidade do interior dos Estados Unidos para apurar a ocorrência de uma série de crimes bárbaros. Julia Ormond e Bill Pullman, nos papéis dos agentes encarregados da investigação, vão lidar com três testemunhas do caso: um policial corrupto, uma viciada em drogas e uma criança. Jennifer Lynch constrói a narrativa a partir da descrição simultânea que os três fazem do que viram, combinando de forma engenhosa os flashbacks de cada um.

Por trás da brutalidade de algumas cenas, a cineasta deixa escapar um olhar mordaz, próximo do humor negro, sobre os seus personagens e, sobretudo, sobre o próprio filme que está fazendo. “Sob Controle”, nesse sentido, paga tributo a Lynch pai ao criar uma atmosfera que combina, sem explicitar distinções, delírio e realidade, mas vai além, no final, ao expor ao ridículo uma série de clichês cinematográficos.

“Sob Controle” ainda terá uma sessão na Mostra, no sábado, 25, às 14h, no Espaço Unibanco Pompéia.

One Reply to “O blog vai à Mostra V: Jennifer Lynch, vigiada pelo pai”

  1. Filho de peixe… Tem disso, né? Quando se tem um pai com o talento de Lynch. Ficba sempre uma comparação; Maria Rita, Elis, etc. Mas há que se ver a obra. Se se sustenta, então, valeu. Filho de peixe … Pode ser tubarão.

    Ernâni Getirana

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