O fracasso anunciado do Museu da Imagem e do Som

O fracasso anunciado do Museu da Imagem e do Som

Em nova fase, a “Ilustrada” da “Folha” tem brindado os leitores com bons exemplos de jornalismo cultural desvinculado da agenda da indústria e de assessorias de imprensa. A capa do caderno desta quinta-feira, com título inspirado (“Som, imagem e silêncio”) e boa reportagem de Silas Marti, descreve o fracasso do Museu da Imagem e do Som, reinaugurado com fanfarra há um ano, de atrair público para as suas exposições e atividades.

Com orçamento anual de R$ 7,2 milhões, o MIS recebe uma média mensal de 3.600 visitantes, ou 120 pessoas por dia. A Pinacoteca do Estado, com orçamento de R$ 10,5 milhões, recebe cerca de 50 mil visitas por mês. A reportagem informa que tanto a diretora do MIS, Daniela Bousso, quanto o secretário da Cultura de São Paulo, João Sayad, reconhecem que a frequência ao museu está “bem abaixo do desejável”.

Ao ler a reportagem me lembrei que este blog estreou, há um ano, com um texto sobre a reinauguração do museu. Resolvi, então, relê-lo. Acho que há ali, no meu post, uma pista para as dificuldades de público que o MIS tem enfrentado. O texto, intitulado O governador vai ao museu, contava o seguinte, em dois parágrafos:

Concluída a reforma que o deixou fechado por oito meses, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo foi reinaugurado com a proposta de ser “um museu para a arte do século XXI”. Não sei bem o que é isso, mas ele está mais bonito. O governador José Serra, que visitou o MIS no sábado, também achou. Em companhia do secretário de Cultura, João Sayad, e da diretora do museu, Daniela Bousso, Serra conheceu todos os ambientes, incluindo o moderno laboratório, para artistas desenvolverem seus trabalhos in loco, um novo auditório, para shows, e várias exposições.

Um pequeno problema ocorreu diante de “Espelho”, obra dos artistas Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti. Serra parou, se aproximou, olhou, andou de lado, andou pra trás, voltou – e não entendeu. Cochichou algo para Daniela Bousso, que tentou explicar. A diretora começou a falar, gaguejou e pediu ajuda a uma assistente. “Chama a Rejane”, suplicou Daniela. Até que a autora da obra chegou e esclareceu que “Espelho” é um espelho acrescido de um dispositivo que o altera à medida que as pessoas se aproximam ou afastam dele, provocando distorções na percepção que temos de nós mesmos. Entendeu, Serra?

Em tempo: Foram 440 posts neste primeiro ano de vida do blog. Aprendi muita coisa sobre este novo ofício – blogueiro e jornalista na Internet –, mas ainda estou engatinhando. Agradeço ao iG, pelo espaço generoso que tem me dado, e à colaboração dos milhares de leitores que passaram por aqui até hoje, em particular aqueles que têm feito críticas ao trabalho, e peço que continuem me orientando.

12 Replies to “O fracasso anunciado do Museu da Imagem e do Som”

  1. Tentem abrir espaço para que as escolas do Estado aprendam um pouco sobre como manipular, restaurar e apresentar obras de caráter audiovisual. Palestras dirigidas. É preciso reter e formar opinião. Será que os marqueteiros políticos só são requisitados, com dinheiro público, para questões pessoais de cunho eleitoreiro?

  2. Tempos aureos do velho e bom MIS.
    Quando ainda morava em Sampa, tive otimas oportunidades para frequenta-lo.
    Boas exposições e mutias mostras de videos.
    Uma das que nunca esqueci foi sobre a história do circo onde todos os ambientes tinham fotos e artefatos circenses, ainda com fundo musical tipico de uma boa caixinha de musica de manivela.
    Pena que nossos politicos se esqueçam de desenvolver politicas de maior impacto cultural, principalmente para as classes de menor renda, tentando assim tirar um pouco do foco as drogas e violencia.

  3. Um grande problema que estamos enfrentando é que quando a arte não é uma das “artes clássicas” (pintura, escultura e gravura) o público muitas vezes já a trata como elitista por não ter aquele entendimento primeiro, enquanto que esta “nova arte” muitas vezes está bem mais perto do público que qualquer outra. É claro, muitas vezes é necessário um intermediador, pois não estamos acostumados a frequentar exposições e não criamos o hábito de criar paralelos entre a arte e nossa própria vida, porém não acredito em as novas mídias ser um empedimento para ninguém acessar a arte. O educativo do museu recebe em sua grande maioria escolas públicas, tendo parcerias com a FDE e a SME, fazendo o possível para aproximar esse público do espaço expositivo, porém não é com uma visita que isso poderá ser feito. Acredito ser muito complicado de se comparar o MIS com a Pinacoteca, por diversos fatores como localização, espaço físico e tipo de exposições. Não estou dizendo que o MIS é perfeito e nem que está com seus melhores resultados, mas será que só o “girar a catraca” é o que conta ou as outras iniciativas também tem alguma valia?

  4. nao sou de sao paulo, então, como turista ocasional da cidade posso afirmar que, infelizmente, nunca me interessei muito em visitar o museu simplesmente porque nao sei quais os atrativos que me levariam a tanto. um museu que se propõe a cultuar/expor/divulgar a “imagem e o som”? o que isso quer dizer?
    imagino que por lá vão podem ser encontrados aparelhos tecnológicos, experiências de realidade virtual e…bom, só imagino esses 2. E qual a “graça” de ir ver isso? sem contar que eu acho- não tenho certeza- que é um museu patrocinado pela globo ou alguma outra grande organização, então, do ponto de vista cultural nem deve ser tão interessante.
    de qualquer forma, é uma excelente iniciativa do governo estadual essa de investir em museus. O problema a ser superado é , obviamente, adequá-los ao público e torná-los operacionais e lucrativos.( o que deve ser feito logo, antes que a vontade de melhorar a cultura do nosso país acabe se arrefecendo…)

  5. O MIS FICOU LEGAL, MAS O LOCAL É INACESSÍVEL AO GRANDE PÚBLICO, E DE TÃO MODERNO VC NÃO SABE NEM SE TEM ESTACIONAMENTO NEM POR ONDE ENTRAR, OU SEJA, O POVO PERDIDO NEM ENTRA. PENA.

  6. Stycer, acho que falta também um pouco de divulgação. O que tem no MIS? Quais as exposições? Quais as ações do educativo? Enfim, essas informações nem chegam ao público. Claro que é um espaço diferente da Pina, mas por outro lado, 3000 pessoas por mês numa cidade do tamanho da nossa é gato pingado mesmo. Aliás, uma pergunta, nessas 3000 pessoas estão incluídos os grupos escolares por exemplo ou são somente os espontâneos? Enfim, precisa divulgar mais o acervo e promover exposições com fundamento (pelo amor de Deus, nada no estilo da “Bienal do Vazio”, hein!). Ainda que não multiplique por dez o número de visitantes, um boa incrementada com certeza vem.

  7. Ao ler a matéria e os posts me questiono: qual o uso correto para elitista hoje? Em minha opinião, o termo refere-se a segmentos extremamente fechados, de acesso a pouquissímos e criteriosamente selecionados. Algo suporiromente mais inacessível que universo Daslu, ou de acordo com o critério de cada um: ser ou ter algo de exclusivo, e inovador. Isto faz lembrar-me daquelas habituais brigas infantis, e dos egocentrismos aldultos: “eu tenho e você não tem, e portanto está fora”.
    Dentro de nosso presente, não considero os museus e instituições deste segmento como elitistas, elas estão com as portas abertas para receber qualquer que um: do interessado ao apenas o curioso.
    Creio que certas práticas como o ir a um museu, não necessitam de um mestrado, bastanto apenas o esforço para tal. Refiro-me “esforço”, pois quantas pessoas não optam em apenas restringirem-se, evitando o contanto com os museus, ou sem perceber, consomem outras formas de acesso a cultura por quantias infímas: R$ 5,00 ou R$ 10,00 (dvd´s piratas, por exemplo) e não se dão conta, que a mesma quantia poderá equivaler a entrada de um museu?
    Minha origem é de família pobre, e dentro das classificações do IBOPE: analfabeta, mas meus pais sempre agiram como Sansões, ao incentivar minha percepção e colocar a minha curiosidade em prática. Ao invés de me deixarem assistir determinados conteúdos televisivos banais, bem ou mau eu ouvia histórias de livros; se algo despertava questionamento, havia a busca por uma compreensão miníma, de maneira que eu pudésse trilhar sua consequência, seja deixando de lado ou mais tarde finalizando-a.
    Alguém já fez esta experiência hoje? Alguém já apresentou aos pais um museu? Alguém já pensou em deixar de comprar o piratão de R$ 5,00, do último lançamento gringo para ir ao museu? Alguém já deixou de comprar o genérico da Adidas para ir ao teatro? Ou da Maxixe, para ir a um festival?
    Fala-se muito em falta de acesso, de elitismo, de verba e afins? Concordo plenamente porque os tempos estão na base do funil, e há muito o que se melhorar em todas esferas e segmentos. Mas alguém realmente pratica o incentivar?

  8. Museu da Imagem e do Som.

    O Museu da Imagem do Som, está localizado em um pequeno prédio que não atende mais as suas finalidades pela grande importância para cultura em nosso Estado.
    No Bairro do Méier subúrbio conhecido como Capital dos subúrbios da Central do Brasil está situado a maior sala de cinema com 2.400 lugares, considerado a maior sala de cinema da América Latina , que é o Cine Imperator, que marcou toda uma geração de espectadores, por assistir chanchadas da empresa cinematográfica Atlântica. O cinema Imperator foi fundado em 1954 e em 1991 foi reinalgurado como casa de show , onde se apresentaram: Tom Jobim, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Tim Maia, Barão Vermelho, Fafá de Belém, Xuxa, Lulu Santos, Gal Costa, Shirley Maclaine, Bob Dylon e SHOWS GOSPEL muitos outros.
    Com fechamento da Boate Help em Copacabana na Avenida Atlântica , a defensores que o Museu da Imagem do Som seja transferido para o terreno da Help. No meu entender essa área deveria sim, ser construída uma praça com árvores e bastante bancos para atender os idosos que nem sempre podem ficar no sol escaldante da praia.
    Na área construída do Cine Imperator é possível a construção de um prédio de vários andares com salões para espetáculos e abrigar o Museu da Imagem do Som e atender a reivindicação feita a anos pela população do Méier que reivindica a sala Cultural João Nogueira.
    O Cine Imperator é desapropriado pelo estado e encontra-se fechado a anos para tristeza não só dos moradores do Méier mais a população suburbana que é carente de salas culturais.
    Copacabana já é contemplando pelas belezas naturais, pelo Copacabana Palace e pelo Forte de Copacabana e o subúrbio do rio é contemplado pela falta de espaços culturais.
    Solicito as autoridades envolvidas no assunto que leve em consideração a minha reivindicação em prol do progresso cultural da região da zona norte.

    ANTONIO LUIZ TEIXEIRA
    Luizteixeira1@uol.com.br
    021 93951106

  9. e tem um acervo precioso, mieo largado por falta de verba, chovia nele, será que estão cuidando? Se cuidassem bem do “histórico já era bom.

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