Tenho um pé atrás com histórias de pessoas bem-sucedidas em suas áreas que, nas horas vagas, resolvem escrever um romance. Literatura é um ofício muito sério, como tantos outros, e exige um tipo de dedicação especial. Minha experiência como leitor mostra que, em sua maioria, os escritores de fim-de-semana são bem intencionados, mas raramente produzem literatura de qualidade.
Escrevo isso tudo com o objetivo de chamar a atenção para “O Unitário”, romance do cirurgião Pedro Puech, recém-lançado pela Rocco. Quando o livro caiu em minhas mãos, pensei: mais um diletante na área. Mas algo na história me capturou e fui em frente. Puech resgatou um episódio histórico pouco conhecido, tão fantástico quanto mirabolante, e desenvolveu um romance que se lê sem parar.
Conta a história do espanhol Miguel Servet (1511-1553), médico e teólogo, perseguido pela Inquisição católica e queimado na fogueira em Genebra, por influência de João Calvino (1509-1564). Homem de múltiplos interesses, Servet foi autor de um compêndio sobre xaropes, um livro sobre astrologia, dois tratados teológicos e uma descoberta revolucionária sobre o funcionamento do coração humano.
Encontrei Puech em seu consultório, onde o entrevistei a respeito do livro, e falamos também de literatura e medicina. A matéria foi publicada no Último Segundo, na véspera do feriado de 7 de setembro e pode ser lida aqui. Recomendo.

Dráuzio Varella tem este mesmno dom. bom como romancista, bom na literatura informativa e excelente como médico.
Tem gente que nasce virado para a lua mesmo (RSRSRS) . Palmas para eles.