Os 90 anos do símbolo da “canção de protesto” americana

Os 90 anos do símbolo da “canção de protesto” americana

Ele é um dos pais do gênero musical que embalou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos nos anos 60 – e que ainda encanta jovens, em todo lugar, inclusive no Brasil. Ao comemorar 90 anos com um show no Madison Square Garden, em Nova York, no último domingo, Pete Seeger reuniu a nata da música folk e da canção de protesto, numa celebração também da eleição de Barack Obama, que enviou uma carta ao aniversariante.

Com exceção de Bob Dylan, que não deu as caras, mas teve uma música (“Maggie´s Farm”) cantada, todo mundo apareceu, de Joan Baez a Bruce Springsteen, passando por Emmylou Harris, Arlo Guthrie (filho de Woody Guthrie, o outro “pai” da canção de protesto), Rufus Wainwright e, até, o ator Tim Robbins, que não canta, mas não perde um protesto.

Militante comunista na juventude, Seeger participou de todas as lutas e passeatas que a esquerda americana protagonizou desde a década de 40 (anti-guerra, batalhas sindicais, a favor da inclusão racial, dos direitos da mulher etc). Nos anos de 60, com seu banjo, popularizou a canção “We Shall Overcome”, que se tornou o hino do movimento pelos direitos civis americanos (também há uma célebre versão de Joan Baez para esta música). Outro sucesso seu, na década de 60, foi “If I Had a Hammer”, um hit na voz do trio Peter, Paul and Mary.

Ainda na ativa, Seeger esteve em Washington, em janeiro, para a posse de Obama, onde cantou, junto com Bruce Springsteen, a famosa “This Land is Your Land”, de Guthrie.

O concerto em homenagem aos seus 90 anos teve renda revertida para a fundação que ele próprio mantém em prol, como convém aos dias de hoje, do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. 

Com informações do “New York Times“.   

11 Replies to “Os 90 anos do símbolo da “canção de protesto” americana”

  1. É bom ver esse tipo de postagem, de pessoas que realmente fizeram algo importante. Pete Seeger é, todos dizem, um homem educado, íntegro, bem-intencionado mesmo. 90 anos! Um sujeito desses carrega consigo uma sabedoria a toda prova. Maurício, parabéns por esta postagem. Um abraço

  2. Dizem que os seus ancestrais lutaram na batalha de Bunker Hill. Ouvir Bob Dylan e Pete Seeger cantando ‘Playboys and Playgirls’ (de Dylan) no festival de Newport de 1963 é de arrepiar. Mas a voz de Seeger não é penetrante, é uma voz límpida, doce até. Mas foi importante como aglutinador, além de ter sido membro de grupos importantes da canção folk norte-americana, como Weavers e Almanac Singers.
    Maurício, parabéns de verdade.
    Não dá para continuar assim e ignorar os BBBs da vida?
    Um abraço.
    Beto

  3. Gostei da informação. Fazia tempo que a mídia nativa não dava notícia sobre o “Cara”. Aliás, tratando-se da mídia a que me refiro, nenhuma novidade. Valeu! Este velhinho aqui agradece.
    Abraços

  4. Puxa, foram cantar justo Maggie’s farm, a música que, em 1965, incomodou tanto Seeger a ponto de ele ter desejado cortar os cabos da guitarra do Bloomfield que estava acompanhando o velho Zimmy? Bom, mas depois de todos esses anos, com tudo o que rolou depois daquele Newport, acho que eles devem dar boas gargalhadas quando ouvem este velho assunto.

  5. Pete Seeger é um sujeito bem intencionado mas que às vezes peca pelo excesso de coerência. No festival de Newport de 1965, quando Bob Dylan apareceu com uma banda elétrica, de rock, Seeger chegou a pegar um machado pra cortar os cabos de energia. Achava aquilo uma blasfêmia. Era um purista. Não percebeu que o bardo fanho estava revolucionando toda a cultura ocidental ao encarnar o menestrel elétrico. Virou motivo de piada.

    Resposta do Mauricio:
    Obrigado pela lembrança, Ricardo.

  6. Este é um cara legal que teve longevidade. O mais comum é que assassinos como Pinochet, Videla, Stroessner vivam muito e caras bons como Harrison, Marley, Henfil e tantos outros morram jovens. “Vaso ruim não quebra”, como diz o ditado. Tenho certeza que o Woody Guthrie e a Nina Simone estavam sorrindo de orelha a orelha, lá do céu, com os 90 anos do Pete Seeger. Taí um cara que combateu o bom combate!

  7. No Newport Folk Festival de 1965, o machado em questão era para ser usado quando ele subisse ao palco e cantasse uma daquelas “work songs”. A verdade é essa.

  8. Está aí um sujeito que realmente viveu intensamente, lutou, sofreu, viu, ouviu, cantou e que, agora, está pronto para a morte, o prêmio da vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *