Tentando decifrar Bob Dylan

Tentando decifrar Bob Dylan

Quem já passou por este blog mais de uma vez deve ter percebido que sou fã de Bob Dylan. Isso não quer dizer que eu compreenda Bob Dylan. Ouço o músico e leio o que escrevem sobre ele já há 35 anos, mas com frequência me pego pensando, sem ter resposta, sobre os possíveis significados de algumas músicas e sobre o sentido de certas atitudes.

No magnífico documentário “No Direction Home”, Martin Scorsese tenta jogar alguma luz nos primeiros anos da carreira do músico (1961-1965), sem chegar a uma conclusão. Scorsese se detém num episódio-chave da trajetória de Dylan, o momento em que trocou o violão pela guitarra, causando profunda decepção nos fãs da música de protesto – o gênero que o tornou famoso naqueles conturbados anos de lutas pelos direitos civis, nos Estados Unidos.

Da soma de tudo que se vê e ouve no documentário, emerge a impressão que Dylan nunca foi um músico engajado nas causas dos anos 60. Não que fosse alheio ao que acontecia ou que não acreditasse no teor das músicas que escreveu – canções como “Blowin´ in the Wind” ou “The Times They are a Changin´”, que se tornaram verdadeiros hinos. Mas tenho a impressão, vendo o filme, que Dylan parece mais preocupado consigo mesmo do que com os anos 60.

E acho que essa é uma característica que percorre muitas das suas escolhas – pessoais e artísticas – ao longo do tempo. Não vejo isso como defeito, que fique claro. As idas e vindas na carreira, as diferentes opções religiosas, as escorregadas e os triunfos, Dylan nunca demonstra preocupação com o que vão pensar ou dizer dele e parece ter como único interlocutor a sua própria insatisfação.

Pensando nisso tudo, comento duas notícias aparentemente bizarras que circularam esta semana envolvendo Dylan. A primeira, a de que o músico está negociando emprestar a sua voz a um sistema de GPS; a segunda, que vai gravar um disco apenas com canções de Natal.

O próprio Dylan anunciou, na terça-feira, 25 de agosto, a novidade do GPS em seu programa de rádio, nos Estados Unidos. “Estou conversando com duas empresas”, disse o músico, cuja voz cada vez mais fanhosa parece ser tudo que você não quer ouvir quando estiver perdido procurando um endereço no carro.

Dylan fez piada sobre o assunto no rádio. “À esquerda na próxima rua. Não, à direita. Quer saber? Vá reto”. Em seguida, comentou: “Eu não deveria fazer isso porque, para onde quer que eu vá, eu sempre acabo no mesmo lugar – em Lonely Avenue”. E acrescentou: “Por sorte, não estou totalmente sozinho. Ray Charles me encontra lá.” A piada é uma referência ao blues “Lonely Avenue”, que Charles gravou com muito sucesso nos anos 50 e que teve posteriormente inúmeras versões. 

E na quarta-feira, 26 de agosto, Dylan anunciou em seu ótimo site que vai lançar, no dia 13 de outubro, um álbum com canções de Natal, cuja renda será revertida integralmente para entidades beneficentes. A notícia causou algum espanto, inicialmente, em função do músico ter nascido numa família de origem judaica, ter se convertido ao cristianismo na década de 70 e voltado a praticar o judaísmo.

O projeto do disco de Natal, no entanto, vai muito além de um compromisso religioso. O músico doou todos os royalties a que tiver direito por este disco, para sempre, nos Estados Unidos, a uma ONG chamada Feeding America e está negociando um acordo semelhante com duas entidades na Inglaterra.

Dylan comentou no site: “É uma tragédia que 35 milhões de pessoas neste país (os EUA) – sendo 12 milhões de crianças – costumam ir para a cama com fome e acordem no dia seguinte sem saber quando vão comer novamente”. Mais claro, impossível.

38 Replies to “Tentando decifrar Bob Dylan”

  1. “Dylan nunca demonstra preocupação com o que vão pensar ou dizer dele e parece ter como único interlocutor a sua própria insatisfação.”

    No final, acho que todos nós deveríamos ser assim…

    Achei genial ele sequer se importar com a religião dele e perceber que o problema da fome é maior que isso. Ponto pra ele.

    Devemos é seguir o exemplo.

    Abraços!

  2. Ué, é daí. Não entendi.
    Dylan continua Dylan
    Claro, você viu também Não estou aqui.
    Como ele não está nem aí pros anos 60. Ele já esteve. Agora está no 21.

  3. Caro Mauricio, ótimas as suas observações sobre Dylan, eu sempre tive essa impressão e já levei muita paulada quando falava que ele sempre pareceu estar alheio a tudo é como se tudo fosse um filme e o Dylan na platéia comentando, só que em versos. – é isso ai o cara esta cada dia mais pirado, ou não?

  4. O trecho: “Mas tenho a impressão, vendo o filme, que Dylan parece mais preocupado consigo mesmo do que com os anos 60.

    E acho que essa é uma característica que percorre muitas das suas escolhas – pessoais e artísticas – ”

    Desculpe, pode parecer bobo meu comentário, mas em relação as escolhas pessoais acho que ele deve (deveria) se preocupar consigo mesmo!! No máximo com alguém muito próximo que o cerca.. só isso.
    Abraço

  5. Olhaki, carinha: Sou mais velho que você, estive em Woodstock I (1969), vivi todo aquele clima de paz, amor, marijuana, LSD, rock ‘n roll e etc. Convivi com uma pá de caras malucos, os quais (incluindo-me), nem por isso tentavam, ou muito menos queriam, entender o que quer que fosse, incluindo Dylan. Mas como não éramos burros, de uma coisa a gente sabía: Que nós e ninguém – nem mesmo aqueles caras aparentemente “iluminados”, como Bob Dylan e outros do mesmo quilate – sabiam de porra nenhuma sobre nada e, apesar disto, o Sol continuava nascendo no Oriente todos os dias. Antes, durante, até hoje, sempre e amém! Quanto aos intelectualóides que se preocupam com questiúnculas como essa, não é crise existencial e sim, apenas um prosaico ataque de verminose fácil de ser curado com a simples ingestão de um bom vermífugo e em seguida, um laxante daqueles realmente “da pesada”. Quem sabe você é gay e só falta encontrar tua turma, né?Vai daí, carinha, esquece, o frisson, a análise e… paz!

  6. Pô Maurício, faltou comentar que ele foi encontrado em um subúrbio de New Jersey por uma policial que não o reconheceu e estava ali aparentemente procurando uma casa. Os moradores locais pensaram que se tratava de um velho mendigo.

    E o que ele estava fazendo ali, sozinho, sem documentos, após uma bela chuvarada é algo que não consigo entender.

    O genial disso tudo é que após a policial ter perguntado “Are you sure that you’re Bob Dylan” ele simplesmente disse “Well, I guess I am”.

    http://edition.cnn.com/2009/SHOWBIZ/Music/08/14/bob.dylan/

    http://apnews.myway.com/article/20090815/D9A30C6G1.html

    Resposta do Mauricio: Realmente, esta história é ótima, mas ocorreu já faz umas duas semanas. Foi bom você lembrar aqui. Obrigado

  7. Não entendi o que essa frase quis dizer exatamente: “Mas tenho a impressão, vendo o filme, que Dylan parece mais preocupado consigo mesmo do que com os anos 60.”

    De qualquer forma acho bem saudável que o Dylan se preocupou com quem realmente importa (si mesmo) do que com uma abstração chamada “anos 60”.

  8. Dylan é sempre grande, até em sua postura como artista. Uma vez vi um filme com, acho que a única entrevista dele, muito jovem ainda, perguntaram quem ele era , resposta:

    I´m a guitar player !

    É isso aí ! God bless you Bob !

  9. Dylan até já adquiriu o direito de só se preocupar com seu próprio conflito, afinal, o que ele representou e impulsionou durante os anos 60 basta para os que têm algum tipo de respeito pela dignidade humana lhe agradecerem. (À época eu vivia nos EEUU e já naquele tempo percebia que era impossível não notar as reações positivas da juventude).
    Mas tudo indica que ele continua na estrada, conforme deixa entrever sua atitude relativamente ao álbum de músicas natalinas a ser lançado. Não ligo para esse tipo de música, mas comprarei para fazer minha parte ( minúscula). Valeu “velho” Bob!

  10. Gostei muito desse texto, Maurício. Gosto da maioria dos seus textos, mas somente visito o seu blog de vez em quando mesmo, como já disse. E só visito o seu.
    Gostei desse texto porque também sou profundo admirador de Bob Dylan.
    A verdade é que ele não liga a mínima para o que o mundo pensa dele.
    Conheci pouquíssimas pessoas que agiam assim, e sei que é muito difícil agir dessa maneira. Acho mesmo que foram somente duas pessoas, tenho certeza.
    Bob Dylan é um mistério?
    Acho que sim, mas também sou adepto do contrário.
    Ele mesmo dá pistas com as suas declarações, quando diz, sinceramente (e eu acredito), que nunca foi mais do que realmente é, ou seja, um músico de folk (no início).
    Ele, assim como eu, é avesso a patacoadas e bobajadas, mas ao mesmo tempo é muito excêntrico, quando traduzimos “excêntrico” como um termo exclusivamente pejorativo, esquisito, sem acrescentar nada.
    Quanto às suas crenças religiosas, é volúvel e não se aprofunda, conservando-se um “mistério” para os inexperientes e deslumbrados.
    Mas o que me prendeu (já está no passado) a ele foram as suas melodias e a sua interpretação, aspectos estritamente musicais.
    Não conheço melodista mais versátil do que ele, compositor mais versátil do que Bob Dylan. Melhores podem ter existido, mas compositores mais versáteis, jamais.
    Como compositor, melodista, certamente está entre os 5 ou 6 mais influentes que jamais existiram. Isso, é claro, em se tratando de música popular, ou o que ficou convenciado chamar assim.
    E também não conheço melhor intérprete do que ele em todos os tempos. Como cantor de blues, é simplesmente inigualável, nem os negros chegam perto. Cantores melhores podem ter existido, mas intérpretes iguais a ele, jamais.
    Maurício, é só, e meus parabéns pelo belo texto.
    Um abraço.

  11. Kalil Gibran escreveu um conto chamado “Astúcia da Velha”. Também a Bíblia possui caso semelhante.
    Pode-se dizer à uma pessoa: Diga algo a respeito de Dylan.
    Pode-se dizer a Dylan: A pessoa tal é contra você!
    Não vai funcionar.

  12. Eu acho Bob um ser complexo demais até mesmo para que o próprio se entenda. Acho mesmo que na tentativa de conversar consigo mesmo em busca de respostas, acabaram-se criando músicas ótimas.

    Sei que os dois não tem nada a ver, mas lembro de uma vez alguém perguntar ao Djavan “Ei, o que você quis dizer com tal frase em tal música?” Djavam responde “Exatamente o que está escrito lá”.

  13. Mas é por essas e outras que Dylan sobreviveu a tudo e a todos. Indiferente aqui, indiferente ali e acolá. E assim caminha Dylan, fazendo o diferente.

  14. É meu caro Mauricio, acho que voce tá afim de aparecer em cima do BOB DYLAN, vc não é primeiro e ainda virão muitos……..

  15. ô bicho!!! Bizzaro é a guerra… não vejo nada de bizzaro nisso que o Bob Dylan anuncia que irá fazer… aliás achei muito bacana a idéia das músicas de natal.
    Encerrando sugiro a vc arrumar alguma coisa pra fazer, valeu!!!

  16. Escultei uma musica que faz parte da trilha sonora da novela das sete, que lembra bem, o genial “Bob Dilan” e eu estava um pouco longe da tv, e não sei se era o próprio que estava interpretando, mais um pouco que eu escultei, logo falei, ainda tem musica boa na televisão!

  17. O que depreende do No direction home, que é de fato magnífico, não é isso que você descreve, e sim um artista que segue tão fielmente suas próprias concepções e pensamentos que volta e meia decepciona os fãs, visto esses esperarem dele uma resposta-padrão. O que o Scorsese mostra é isso mesmo, algo inclusive de imensa coragem, pois ainda que fisse muito querido e admirado estava apenas no início de sua carreira, e ao adotar as guitarras ele decepciona o público que o sustentava.

    É exatamente isso que distingue um artista de primeira de um repetidor. Essa atitude de não se importar em fazer de sua arte o veículo para sua verdade do momento, e não para a outra, do momento passado, que dele é esperada.

    Isso pode ser visto como individualismo, e aqui em Pindorama parece ser muito feio ser individualista, e todos encobrem seu individualismo com um glacê coletivista e palavras levemente demagógicas, mas no fundo, assumir-se individualista é uma atitude profundamente honesta. E para o artista criador, a única que o mantém fiel ao que veio.

  18. Olá Mauricio Stycer
    Sou coordenador de biblioteca comunitária e colaborador para a formação da BIBLIOTECA JOÃO SALDANHA, esta exclusiva dos esportes e a única do Brasil..
    A inauguração está prevista para 8 ou 15 setembro, no espaço cedido pelo Complexo Eportivo Miécimo da ilv, em Campo Grande, RJ.
    Recebemos por doação um elepê, com o depoimento do Rei Pelé, no MIS em 1969. Hoje o pesquisador do MIS, Luiz Antônio, aderindo ao projeto, ficou de doar o depoimento do nosso patrono, o admirável João Saldanh, entre outros.
    Parece que teremos a cobertura de 3 jornais e 3 tele-jornais e, estamos pensando algo par a abertura do evento.
    Os depoimentos de Pelé e J. Saldanha, já nos é possível e, estou pensando em motivar algum músico para executar, em violão e voz, por exemplo, uma música de Bob Dylan, que conheço apenas a letra, por estar inserida num dos livros do Senador Eduardo Suplicy. Como o livro encontra-se emprestdo nõ posso precisar mesmo a letra. Você pode nos ajudar a encontrr um video pa nossa inspiração e adaptação? São tres estrofes e em todas, no começo éalgo assim: Até quando teremos que fngir que nõ vemos as coisas…….. e no final d3 estrofes, …Aresposta está no vento.
    Gstaríamos de veicular a mensagem, através da execução desta música ao vivo.
    Você pode nos ajudar?
    Muito obrigado

  19. Prezado Maurício, encontrei seu site via a manchete no IG. Entrei e li os diversos comentários que os fãs de Dylan, como você e eu, fizeram a respecito de seu texto. Não tenho muito a acrescentar, a não ser que todos tem razão e que foi bom demais ler tudo aquilo.
    E, ao Dylan, não há como agradecer o suficiente, mas posso agradecer eternamente.

  20. Calma… sem violência!!!!!!!

    Quem vive, vive a vida no presente, se apegar ao passado é coisa dos mediocres, daqueles que fizeram e aconteceram por acaso… poucos de nós sendo grande ou pequeno em alguma coisa deixa o passado prevalecer, vivemos o presente como ele se impõe.
    Por mais que o Dylan dos anos 60 tenha sido importante, ele o foi como figura de um tempo próprio em características, fatos e sentimentos. Dylan deixou o passado lá, e vive seu presente na grandeza que ele se apresenta.
    Tudo o que ele representou naquele momento histórico é definido e limitado àquele tempo, e ficou lá.
    Existe a amalgamação dos tempos, momentos e sentimentos nossos de cada fase ou idade? ou cada fase é estanque e própria de cada época.
    Dylan morreu nos anos 60……….

  21. Gosto bastante de Bob Dylan também, e me entristece ver alguns comentários postados anteriormente. Quando o assunto é de caráter cultural, você tem 2 comentários. Quando trata-se de fazenda, bbb, Xuxa, o número de ‘baboseiras’ postadas aumenta de 2 para cerca de 300. É triste, viu.

  22. Não conheço muito da carreira do Bob Dylan, mas vou pesquisar depois. Sei que ele é muito importante como artista e que é influência para diversos artistas que vieram depois dele, mas fico contente por ele ter uma iniciativa beneficente já que penso que quem tem tanta grana e fama já nem deve mais ter no que gastar tanto dinheiro, então percebendo os problemas do mundo essas pessoas ricas podem ajudar os necessitados.

  23. Maurício,

    O Bob Dylan está certo em pensar mais em si do que nos outros, pois também sou artista, nesse caso sou escritor e escrevo para minha pessoa, consequentemente meus leitores que identificam-se com meus textos gostam deles como eles são. Assim como o Bob Dylan eu não faço a “prostituição artística” (mudar de estilo só para agradar massas de escravos alienados pelo Sistema) então não ligo tanto se meu público literário é de 10 ou 1.000 pessoas.

    Os artistas em geral deveriam preocupar-se com a qualidade de sua arte, sempre buscando se aprimorar na mesma, buscando parcerias com outros artistas e apoiando jovens artistas talentosos que precisam de espaço para crescer e brilhar.

    É triste ler uns comentários “ad hominem” (ataques pessoais) de alguns leitores, notei aqui várias ofensas de gente mal educada, isso é lamentável. Um leitor deve criticar um texto, separando o autor dessas questões. Muita gente não sabe o que é critica e confunde com fofoca e maledicência.

    Abraço.

  24. É Eduardo de Moura, você é mais um dos que foram a Woodstock, assistiu a fianal da copa de 1950, assistiu o primeiro treino do Pelé e toma golo com Elvys – parabéns cara você é o foda.

    dandan qual o broblema em voltar ao judaismo, pois ele é judeu.

  25. Você foi a Woodstock, Eduardo de Moura? Então você viu, in loco, toda aquela bobajada e patacoada? Nossa! Sabe por que o Bob Dylan não foi lá? Porque sabia que era uma patacoada e uma bobajada. A música de Woodstock é sofrível, somente se salvando pouquíssimos músicos e compositores. Nunca dei valor a esse festival, jamais. A sua opinião reflete bem a sua total ignorância em relação ao Bob Dylan, que, ainda bem para ele, não foi lá, não quis. Se tivesse ido, teria sido idolatrado por aquela multidão cega, inconsequente, bobinha e, mais do que tudo, ignorante. Intelectualóide? Bem, é isso que você é e é isso o que o Bob Dylan não é, nunca foi, esteve sempre à frente das bobajadas e patacoadas da geração beat e de todo o hippismo. É isso aí.

  26. Woodstock! Faz 40 anos que estou ouvindo falar nisso. Meu Deus! Por favor, me poupem de tanta bobajada e patacoada. Bob Dylan é, na verdade, somente um músico de folk, um homem de família, com a cabeça sempre voltada para os velhos princípios que aprendeu na infância, e que nunca vão passar. A sua cabeça está, por incrível que possa parecer, na moral judaica e cristã, na fé, na poeira e na credulidade da música folk. É um homem de fé, acreditem. Tenho dito.

  27. Maurício, o genial Dylan não precisa ser entendido, só apreciado. ele é muito complexo. Li uma entrevista na RS que dá alguma pista. Também não entendi direito o significado de Dylan não ligar para o engajamento político, como faziam CSNY (esses ainda fazem), Joni Mitchel, Richie Heavens e outros dos anos 1960. Mas e dai? Ele é mestre e tive o prazer de ver 4 shows dele, vc tbm deve ter visto alguns.

  28. Mauricio, deve ser a primeira vez que comento decentemente aqui. E quero lhe agradecer pelo blog, voce tem escrito coisas otimas. Tambem sou um grande admirador de Dylan. Tanto que por vezes ate cheguei a pensar que a letra de suas musicas fosse resultado do seu uso de drogas. Tentei ate acreditar nisso, pois nao conseguia (e ainda nao consigo) entender Bob Dylan. No fim, tento apenas gostar de sua musica, tento no me lembrar de seu incrivel genio, que fez e faz dele, o que ele e hoje. Enfim, parabens pelo texto. Continuarei visitando o seu blog. Abraço.

    [ps: acentos me enchem o saco]

  29. É… se formos levar em conta o aspecto espiritual, o caboclo é atrapalhado. Um judeu gravando um cd com músicas natalinas é um bocado… liberal, digamos. Mas Bob Dylan é Bob Dylan. É melhor tentar entendê-lo somente no ambito musical.

    De mais a mais, eu já vi budista montando árvore de natal, trocando presentes e o escambau! Talvez pudessem dar a desculpa do presente das criancinhas também…

    Quanto a emprestar sua voz ao GPS, é melhor não deixá-lo muito à vontade. Ele é perfeitamente capaz de mandar o pobre usuário pra casa do chapéu!

    Resumindo: como socorrista de criancinhas famintas e locutor de GPS, Bob Dylan continua sendo um bom compositor e intérprete, mesmo que, assim como Djavan (mencionado num comentário) algumas de suas letras queiram dizer exatamente o que está ali: nada.

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