Tostão ensina jornalista esportivo a se comportar

Tostão ensina jornalista esportivo a se comportar

Sei que elogiar Tostão é chover no molhado, mas não posso deixar passar em branco a coluna deste domingo, na “Folha”. Em mais uma aula, o ex-jogador começa comentando as críticas que recebeu de Mario Sergio, então técnico do Inter, depois de ter escrito que ele parecia um Professor Pardal, tentando reinventar a roda do futebol.

Naquele tom único que consegue dar a seus textos, ao mesmo tempo firme, claro e de uma generosidade sem tamanho, Tostão oferece uma lição que Mario Sergio jamais esquecerá: “Por eu ter sido um jogador, acham que eu deveria ser menos crítico e mais condescendente, como fazem alguns ex-atletas comentaristas”.

Estamos ainda na metade do texto e Tostão, então, dá uma outra aula, desta vez a jornalistas esportivos e estudantes interessados em seguir esta especialidade. Ele explica que sempre recusa convites do Cruzeiro para participar de eventos do clube. E justifica: “Não vou a esses e a outros encontros, no Cruzeiro e em outros lugares, porque não quero perder a liberdade e a independência de criticar e elogiar”.

E, então, o texto entra na sua melhor parte, um curso de jornalismo em três parágrafos, nos quais Tostão lembra que “o mundo do futebol é parecido com o da política (…) O Brasil é o país da troca de favores, do ‘é dando que se recebe’, das patotas, do corporativismo e do nepotismo”.

A lição final é que jornalista esportivo não pode ser amigo das suas fontes. Fonte é fonte e amigo é amigo – lembra o craque. “O corrupto costuma ser tão social, tão gentil,que até parece ser sério. Para diminuir bastante a corrupção, não bastam duras leis. É preciso também diminuir a promiscuidade social”. Mais claro, impossível.

9 Replies to “Tostão ensina jornalista esportivo a se comportar”

  1. Uma boa história desse tipo é a do jornalista Ricardo Amaral, ex quase todos os veículos importantes do país e hoje na Casa Civil. Quando no Estadão, ele sem querer foi ficando amigo do atual presidente do PT, José Eduardo Dutra. Ao perceber isso, disse: “Zé, não posso mais te usar como fonte. Prefiro você como meu amigo”. Muito digno.

    1. Maurício, tive a mesma sensação ao ler a coluna do Tostão. Como sempre, seu texto foi ótimo! Te desejo ainda mais sucesso aqui! Continuo te seguindo, twitter, site, para ler o que você escreve.

  2. Parabéns pelo blog!

    Você poderia por favor me passar o link da coluna do Tostão?

    Obrigado,
    Alexandre

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