O bom senso recomenda entender a escolha do novo técnico da seleção argentina como um gesto de lunáticos desesperados, fadado ao fracasso e ao ridículo. O currículo e o histórico de Maradona justificam as análises, quase consensuais, que reprovam e mesmo ridicularizam a opção dos cartolas argentinos.

O cineasta Ugo Giorgetti, porém, não escreve sobre futebol para repetir lugares comuns.  Sempre aos domingos, no “Estadão”, publica as suas sábias reflexões, às vezes temperadas de nostalgia, sobre um universo que conhece muito bem – como se pode ver nos seus dois filmes sobre o assunto (“Boleiros”). Giorgetti não joga para a torcida, nem parece preocupado em agradar ou desagradar gregos ou troianos.

A sua reflexão sobre Maradona, neste domingo, é exemplar. Reproduzo abaixo um trecho do artigo:

Essa afronta à sensatez me agrada muitíssimo, até para contrariar noções preconcebidas sobre os argentinos. Ao contrário do que se diz, eles estão sempre abertos à emoção, ao inexplicável, cheios de sentimentos contraditórios, muito distantes do mundo das estatísticas e dos estudos dos administradores de empresas do futebol. Freqüentemente a Argentina vem ao encontro de seu povo. E, se o povo reprova em massa a indicação de Maradona, é porque o tomam por um deles, e não se vêm a si mesmos como técnicos da seleção. Não para ganhar títulos. Não é com loucos e desajustados que se ganham as copas. No fundo, porém, devem estar orgulhosos. Ousaram colocar seu ídolo maior de novo em campo, e esperam, como tantas vezes esperaram na história argentina, que o passado glorioso ressurja. Por que não? Por que confiar só nos fatos e na feroz realidade dos números?

Um comentário to “Ugo Giorgetti desafia o lugar-comum sobre Maradona”

  1. Bonares disse:

    Ainda que quase irrelevante tal assunto no atual contexto mundial, considero de bom gosto a escolha de Maradona como tecnico da selecao de seu Pais. Talvez nos mostraria que paixao pelo pais, misturada com talento e experiencia seja mais eficiente que trabalhar apenas por dinheiro

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