Sei que a competição é difícil, mas imagino que nem todo mundo que planeja ir ao cinema neste final de semana sonha em ver “2012”. Para o público que busca uma alternativa ao arrasa-quarteirão da semana, minha sugestão é “No Meu Lugar”.
Trata-se do filme de estréia de Eduardo Valente, crítico de cinema, editor do site Cinética e curador de mostras e festivais. Valente já havia dirigido, com sucesso, três curtas-metragens (“Um Sol Alaranjado”, “Castanho” e “O Monstro”, todos disponíveis no portal Curtas) e agora, com apoio da VideoFilmes, de Walter Salles, conseguiu produzir “No Meu Lugar”.
O filme foi exibido em Cannes, em maio deste ano, e começa esta semana a procurar espaço no circuito comercial brasileiro. Trata-se, na minha opinião, de uma bem-sucedida tentativa de olhar para o problema da segurança no Rio de Janeiro fugindo dos conhecidos clichês. É um filme sensível, cuja ação se passa em três tempos diferentes e que exige do espectador mais do que uma contemplação distraída.
“Não tem uma bengala dizendo: agora você tem que sentir isso”, disse Valente ao Último Segundo. Para quem se interessar, recomendo a leitura da entrevista que fiz com o cineasta (Filme propõe olhar “desarmado” sobre a violência no Rio ), na qual ele deixa claro a sua visão de cinema e o que pretendeu com “No Meu Lugar”.

Sinceramente, por que que todo mundo passou a ter a obrigação de “olhar para o problema da segurança no Rio de Janeiro fugindo dos conhecidos clichês”? E dá-lhe violência escancarada, a linda cidade conflagrada, índice de assassinatos por X mil habitantes lá em cima etc, mas temos de ser sempre “originais” na análise da tragédia. E quando tem presunto em carrinho de supermercado, temos que fingir que não rolou, porque comentar seria apelativo.. Por que tudo isso, enfim? Talvez seja porque o óbvio muitas vezes incomoda, oprime, mas melhor não fugir muito dele, não, abs M
Filme não é retratação da realidade, não tem que ser! Filme é entretenimento. O problema é que o Brasil insiste em só retratar violência, o que não é a única realidade do país. Seria interessante um filme do Sertão que retratasse a miséria ou a fome? Isso poderia ser feito em um documentário ou obrigação de passar em telejornais. Chega do Brasil só retratar violência e favela do Rio de Janeiro, essa imagem vendida “pra fora” só denigre cada vez mais a imagem do país, o que acaba afetando por exemplo, o turismo. Há esperança que a qualidade do ensino mude nesse país, para que enfim possa ter um sociedade critica.
Dá licença! Vou assistir 2012 mesmo…