Num domingo chuvoso, sem graça e sem futebol no Brasil, eis que a TV Gazeta marca um golaço. Sem muito alarde, a emissora paulista reuniu, para uma conversa, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Esses cinco, nesta ordem, estão agachados na foto que reúne o time brasileiro mais vencedor da história, formado também (em pé, da esquerda para direita) por Lima, Zito, Dalmo, Calvet, Gilmar e Mauro.
Reunidos na casa de Pelé, no Guarujá, e entrevistados por Flavio Prado, o quinteto relembrou histórias, cantou músicas e contou piadas. Ouvi pela primeira vez uma história famosa, sobre Tite, ex-ponta-esquerda, antecessor de Pepe. Num amistoso no México, já com 32 anos, Tite pediu para jogar, vislumbrando a possibilidade de ser contratado por um time local. Colocado para jogar apenas aos 40 minutos do segundo tempo, Tite viu Pelé driblar meio time adversário, inclusive o goleiro e recebeu a bola diante do gol vazio. Irritado, deu um bico para fora e disse a frase que virou lenda: “Gol de esmola eu não faço”.
Com esses cinco em campo, entre 1960 e 1965, o Santos ganhou 70% de seus jogos, informou Flavio Prado. “Devemos muito ao Santos, mas o Santos deve muito a nós”, observou Pepe.
Como sempre lamenta Pelé, é uma lástima que existam tão poucas imagens das proezas desses jogadores. Pelé também reclamou, com o endosso de seus companheiros do “maior ataque do mundo”, que até hoje a CBF não tenha reconhecido como títulos brasileiros, equivalentes aos atuais, as conquistas do Santos – e de outros times – da década de 60.
Uma reportagem com bastidores desse encontro está publicada no site da Gazeta Esportiva.

O reconhecimento dos títulos nacionais pré-Campeonato Brasileiro (1971) corrigiria essa injustiça de esquecer a história de uma década em que já havia disputas entre times de vários Estados.